Mercado fracionado de imóveis amadurece e reduz estoques
O setor de multipropriedades, onde um imóvel é compartilhado por diversos donos com direito de uso por semanas específicas, demonstra sinais claros de amadurecimento em 2026. Após anos de expansão acelerada no Brasil, a indústria viu uma retração nos lançamentos de novos projetos. O foco das empresas mudou para a otimização e redução do volume de estoques, o que tem levado o mercado a um patamar mais saudável e equilibrado.
A consultoria Caio Calfat Real Estate aponta que este é o primeiro ano em que o volume de lançamentos apresentou queda. No entanto, o cenário de vendas tem sido positivo, e a absorção do estoque tem sido um fator crucial para essa recuperação. Essa dinâmica é essencial para a sustentabilidade do setor, afastando preocupações sobre superoferta e garantindo a confiança do consumidor.
Cenário atual e evolução do setor
Atualmente, o Brasil conta com 224 empreendimentos de multipropriedades distribuídos em 99 cidades. Embora represente um aumento modesto de 4% em relação ao ano anterior, o número é expressivamente maior quando comparado a 2020, quando existiam 109 empreendimentos, indicando um crescimento superior a 100% em seis anos. Em unidades, são aproximadamente 44 mil casas e apartamentos, totalizando cerca de 1,2 milhão de frações imobiliárias.
O período da pandemia trouxe desafios consideráveis para o setor, como o aumento de distratos e o consequente acúmulo de estoques. A rápida elevação das taxas de juros no país também impactou negativamente os negócios. A instabilidade financeira de empresas de grande porte, como a WAM e a Gramado Parks, gerou apreensão em parte dos consumidores. Contudo, a tensão tem diminuído gradualmente.
Recuperação impulsionada pelo setor de lazer
A recuperação geral do setor de lazer no Brasil, evidenciada pelo aumento nas viagens aéreas e na ocupação hoteleira, beneficia diretamente o mercado de multipropriedades. Estes empreendimentos, frequentemente localizados em áreas de praia, campo e montanha, atraem consumidores em busca de descanso e lazer. Cidades como Gramado (RS), Olímpia (SP) e Caldas Novas (GO) consolidam-se como os principais polos desse segmento.
As vendas de frações imobiliárias alcançaram R$ 66,3 bilhões nos 12 meses anteriores a abril de 2026, representando um aumento de 24,4% em comparação com o período anterior, segundo dados da consultoria. Este desempenho robusto contribuiu significativamente para a redução do estoque disponível para venda, que caiu de 42,5% para 34% do total de frações.
Confiança do consumidor e redução de estoques
Os números indicam não apenas uma demanda crescente pelos produtos já entregues, mas também um aumento da confiança na aquisição de empreendimentos ainda em fases iniciais. Entre os imóveis prontos, o estoque disponível em abril de 2026 caiu de 16,5% para 8,9%. Nos imóveis em obras, a redução foi de 48,2% para 41%, e nos empreendimentos na planta, o recuo foi de 87,8% para 69,5%.
“O que temos hoje é um mercado mais equilibrado”, avalia Caio Calfat, consultor responsável pelo levantamento. A afirmação reforça a ideia de que o setor de multipropriedades está encontrando um novo ritmo, mais sustentável e com maior previsibilidade.
A análise, publicada pelo Broadcast+ em 08/05/2026, destaca a consolidação de um mercado que, apesar dos desafios recentes, mostra resiliência e capacidade de adaptação, priorizando a qualidade e a saúde financeira em detrimento do crescimento acelerado a qualquer custo.
