Setor de multipropriedades imobiliárias no Brasil entra em fase de amadurecimento, priorizando redução de estoques e consolidação de vendas
Após anos de expansão expressiva, o mercado brasileiro de multipropriedades, que fraciona o direito de uso de imóveis entre múltiplos proprietários, observa uma mudança de estratégia. Empresas do setor focam agora na diminuição do volume de estoque, um movimento que, segundo consultores, marca uma fase de maior maturidade para o segmento. Este cenário se reflete na queda dos lançamentos de novos projetos, enquanto as vendas mantêm um desempenho positivo.
O consultor Caio Calfat destaca a importância desta transição. “Este é o primeiro ano em que o volume de lançamentos deu uma queda, mas as vendas foram bem e vimos uma redução dos estoques”, afirma. Ele complementa que “a absorção do estoque trouxe o mercado para um patamar mais saudável”.
Atualmente, o Brasil conta com 224 empreendimentos desse tipo distribuídos em 99 cidades. Este número representa um crescimento modesto de apenas 4% em relação ao início do ano anterior, quando eram registrados 216 empreendimentos. Contudo, o número total é 105% superior ao de 2020, quando o país contabilizava 109 empreendimentos.
No total, são aproximadamente 44 mil unidades, equivalentes a 1,2 milhão de frações imobiliárias. A consultoria Caio Calfat Real Estate é a responsável pelo levantamento.
O período da pandemia representou um desafio considerável para o setor, com aumento nos distratos de vendas e consequente elevação dos estoques. A rápida ascensão das taxas de juros no país também impactou negativamente os negócios. A situação tornou-se ainda mais delicada diante das dificuldades financeiras enfrentadas por empresas proeminentes, como a WAM e a Gramado Parks, o que gerou certa desconfiança entre os consumidores.
Contudo, a tensão vem diminuindo gradualmente, impulsionada pela recuperação geral do setor de lazer no Brasil, evidenciada pelo aumento das viagens aéreas e pela alta ocupação hoteleira. O mercado de multipropriedades, que engloba imóveis de praia, campo e montanha destinados ao descanso, beneficia-se diretamente dessa retomada. Cidades como Gramado (RS), Olímpia (SP) e Caldas Novas (GO) despontam como os principais polos desse tipo de empreendimento.
Os dados mais recentes indicam que as vendas de frações imobiliárias movimentaram R$ 66,3 bilhões nos últimos doze meses encerrados em abril de 2026, um acréscimo de 24,4% em comparação com o período anterior. Essa performance contribuiu para a redução do estoque de frações disponíveis para venda, que caiu de 42,5% para 34% do total.
Essa dinâmica sugere uma demanda crescente tanto por produtos imobiliários já entregues quanto por empreendimentos em fases iniciais de desenvolvimento, indicando um aumento na confiança do consumidor. O estoque de imóveis prontos disponíveis para venda diminuiu de 16,5% para 8,9%. Para imóveis em obras, a redução foi de 48,2% para 41%. Já nos empreendimentos na planta, o recuo foi de 87,8% para 69,5%.
“O que temos hoje é um mercado mais equilibrado”, avalia Calfat.
Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 08/05/2026, às 18:13.
