Aluguel por temporada dispara 70% no Brasil e reforça transformação do mercado imobiliário

Aluguel por temporada dispara 70% no Brasil e reforça transformação do mercado imobiliário

O mercado de aluguel por temporada no Brasil entrou em uma nova fase de expansão, registrando um crescimento superior a 70% nos últimos três anos. Esse avanço consolida o país entre os cinco maiores mercados globais de short-term rental (STR) e sinaliza uma profunda transformação na indústria imobiliária e no setor de turismo.

A tendência ganha força em meio à valorização de imóveis compactos, como flats e estúdios, que atraem investidores em busca de renda recorrente, especialmente em regiões turísticas. O cenário atual também é marcado por uma demanda crescente por hospedagens flexíveis, moldando novas expectativas para viajantes e investidores.

Mercado em expansão e desafios jurídicos

Dados apresentados no STR Summit 2026, em São Paulo, confirmam a trajetória ascendente do setor. O mercado global de aluguel de curta duração movimentou impressionantes US$ 149,2 bilhões em 2025, consolidando o modelo como um dos principais vetores de transformação da indústria do turismo.

No entanto, um debate jurídico ganhou destaque após uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre locações de curta duração em condomínios residenciais. Embora o julgamento tenha sido sobre um caso específico em Minas Gerais, o entendimento de que esse tipo de uso pode exigir autorização de dois terços dos condôminos gerou cautela.

“Se a convenção proibir, infelizmente, tem que tentar mudar com o quórum de dois terços. Já para as construtoras, é melhor repensar ou, na hora de lançar, pensar na melhor comunicação para o público que está comprando”, explicou Vladimir Miná, advogado especialista em mercado imobiliário.

Apesar das discussões, William Astolfi, cofundador e presidente da Associação Brasileira de Aluguéis por Temporada, ressalta que a decisão não altera, por ora, a possibilidade de locação temporária conforme prevista na Lei do Inquilinato. “Na prática, não muda nada, pois foi uma decisão relativa a um caso específico. Então, continua permitida a locação temporária em condomínio, conforme a própria Lei do Inquilinato permite fazer locação em até 90 dias”, afirmou.

Astolfi reconhece, contudo, que o julgamento pode influenciar alguns investidores. “Essa decisão e a forma como está sendo comunicada estão gerando muito pavor. Toda restrição ou potenciais mudanças podem fazer com que o investidor acabe recuando”, disse.

Adaptação de projetos e o futuro do mercado

O crescimento do short stay está redefinindo o desenho dos empreendimentos imobiliários. Valney Vitoriano, sócio da Engemax, aponta que o mercado tende a se tornar mais segmentado, com produtos claramente direcionados para moradia permanente e outros focados em locação de curta duração.

“As incorporadoras agora terão que adaptar os seus projetos e cuidar da convenção desde a sua concepção. Além de criar produtos híbridos, como torres para locação de longa ou curta temporada, segmentar pavimentos e investir em modelos de moradia mais flexíveis. Tudo isso muda o jogo”, destacou Vitoriano.

Essa tendência já se manifesta com novos empreendimentos que apostam em plantas compactas, serviços compartilhados e estruturas versáteis, tanto para moradia quanto para aluguel por temporada, especialmente em regiões como a Paraíba.

Aproximação entre hotelaria e aluguel por temporada

Outro movimento relevante, destacado pelo STR Summit, é a convergência entre a hotelaria tradicional e os imóveis de curta duração. Apartamentos destinados ao aluguel temporário agora incorporam amenities personalizados, automação, identidade sensorial e padronização operacional, aproximando-se dos serviços oferecidos por hotéis.

“O hóspede passou a valorizar uma experiência de qualidade independentemente do modelo de hospedagem escolhido. Hotéis, pousadas, resorts e imóveis de curta duração compartilham o mesmo desafio: oferecer conforto, bem-estar e atenção aos detalhes”, observou Jorge Carvalho de Oliveira Jr., CEO da Realgems.

A busca por experiências mais autênticas e confortáveis impulsiona operadores e investidores a elevarem o padrão dos imóveis voltados ao short stay. Na Paraíba, onde o turismo doméstico é forte e novos empreendimentos avançam, o aluguel por temporada continua sendo uma aposta relevante. Contudo, investidores devem analisar com ainda mais atenção a convenção do condomínio e o modelo de operação do empreendimento, além da localização e rentabilidade.

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