Itapema lidera ranking nacional de metro quadrado mais caro e atrai novo perfil de comprador
Itapema, no litoral catarinense, assume a dianteira no mercado imobiliário de alto padrão, ultrapassando Balneário Camboriú e alcançando o valor de R$ 15.526 por metro quadrado, segundo o Índice FipeZAP. Essa ascensão marca o início de um novo ciclo para a cidade, que se destaca pela disponibilidade de terrenos para grandes projetos urbanos, diferentemente de seu vizinho mais maduro.
O cenário atual em Itapema não se resume apenas a preços recordes; ele reflete uma mudança significativa no perfil dos compradores de imóveis de luxo. A cidade tem atraído holdings patrimoniais e family offices, que se tornaram os principais vetores dessa nova fase do mercado. Essas estruturas financeiras, utilizadas por famílias de alta renda para otimizar a gestão e sucessão de seus bens, são responsáveis por uma parcela expressiva das aquisições.
A ascensão das holdings e family offices no mercado de luxo
O mercado imobiliário de alto padrão em Itapema registra uma movimentação de cerca de R$ 50 milhões, impulsionado pela adoção massiva de holdings patrimoniais e family offices. Segundo Luiz Feitosa, sócio da incorporadora Edify, aproximadamente 90% dos compradores de imóveis de luxo na região utilizam essas estruturas para realizar suas aquisições. Este dado sublinha uma transformação na forma como o imóvel de alto padrão é percebido: deixou de ser meramente um bem de consumo para se tornar um ativo estratégico.
Para esse público, unidades de luxo com vista para o mar representam uma aplicação financeira que alia proteção patrimonial, geração de renda e potencial de valorização a longo prazo. A escolha por essas propriedades reflete uma estratégia robusta de preservação de capital frente às volatilidades econômicas.
Tendência global de investimentos em patrimônio
A movimentação observada em Itapema alinha-se a uma tendência global de crescimento dos investimentos geridos por family offices. Um relatório do UBS, o Global Family Office Report 2025, indica que 30% dessas estruturas planejam expandir seus investimentos. O Brasil figura como um destino promissor para capital institucional em mercados emergentes, superando países como Índia e México.
O setor imobiliário já representa 11% dos investimentos dessas carteiras globais, com projeções de crescimento expressivo.
A Deloitte estima que o volume administrado por family offices, que superou US$ 3,1 trilhões em 2024, possa atingir US$ 5,4 trilhões até 2030, um aumento de 73%. Essa expansão global reforça a solidez do investimento imobiliário como um pilar para a gestão de grandes fortunas.
Reforma tributária impulsiona a organização sucessória via holdings
No cenário brasileiro, a Reforma Tributária e a expectativa de elevação do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD) têm intensificado a busca por estruturas de holdings patrimoniais. Famílias de alta renda, incluindo aquelas ligadas ao agronegócio, empresários, executivos, celebridades e players da nova economia digital, buscam ativamente a organização sucessória e a proteção de seus ativos.
Mesmo diante de um cenário de juros elevados, investidores desse perfil continuam a destinar recursos para ativos reais. A estratégia principal reside na preservação de capital, utilizando imóveis de alto padrão como um componente fundamental de governança corporativa, planejamento sucessório e proteção contra flutuações cambiais e inflacionárias. A busca por segurança e eficiência na gestão patrimonial coloca Itapema em destaque como um destino privilegiado para esses investimentos.
