Nordeste vira rota do capital imobiliário: VGV da Paraíba supera a média nacional em 2026

O mercado imobiliário no Nordeste brasileiro está em plena expansão, consolidando a região como um destino atrativo para investimentos. Entre 2020 e 2024, o Valor Geral de Vendas (VGV) do segmento residencial no Nordeste demonstrou um crescimento superior ao observado nas tradicionais regiões Sul e Sudeste. A cidade de João Pessoa, na Paraíba, emerge como um epicentro desse movimento, atraindo capital e incorporadoras de todo o país.

Os dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) confirmam essa tendência, indicando que o Nordeste tem conquistado uma fatia cada vez maior do total de unidades lançadas no Brasil nos últimos quatro anos. Este cenário promissor é resultado de uma combinação estratégica de fatores que tornam a região, e especialmente a Paraíba, um polo de interesse para o setor.

João Pessoa: O epicentro da expansão nordestina

João Pessoa se destaca no cenário nordestino por suas vantagens competitivas únicas. A capital paraibana conta com uma infraestrutura litorânea consolidada, um aeroporto internacional com conexões diretas para importantes metrópoles como São Paulo e Brasília, a presença de universidades federais e uma base de serviços robusta. Esses elementos sustentam uma demanda residencial qualificada, impulsionando a valorização do metro quadrado acima da inflação do INCC nos últimos três anos consecutivos.

Segundo levantamentos do FGV Ibre, a aceleração do setor imobiliário nas capitais do Norte e Nordeste, a partir de 2021, coincide com a consolidação do trabalho remoto. Essa modalidade de trabalho permitiu que profissionais de alta renda das metrópoles do Sudeste considerassem relocações permanentes ou sazonais em cidades com menor custo de vida e maior qualidade urbana, como João Pessoa.

“Nós antecipamos esse movimento quando ainda era contra-intuitivo. Em 2019, investir em João Pessoa parecia aposta conservadora. Hoje, os números mostram que era a leitura correta do mercado.” diz George Vasconcelos, Diretor da Nordeste Incorporações.

Fatores que impulsionam o mercado imobiliário na Paraíba

Diversos elementos convergem para explicar o vigor do mercado imobiliário paraibano. Um dos principais atrativos é o custo de terreno ainda competitivo quando comparado às capitais do Sudeste. Além disso, o crescimento do crédito imobiliário direcionado à região e um fluxo consistente de compradores de renda média e alta, vindos de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, em busca de qualidade de vida e menor custo de moradia, são fatores determinantes.

Para o Sinduscon-PB, o ciclo atual é considerado o mais robusto da história do setor na Paraíba. Lançamentos de médio e alto padrão, concentrados nos bairros da orla e nos eixos de expansão de João Pessoa, respondem por uma parcela relevante desse crescimento. Isso contribui para elevar a média do metro quadrado ofertado na região.

Incorporadoras nacionais chegam e elevam o patamar do mercado

A entrada de incorporadoras de São Paulo e do Rio de Janeiro no mercado paraibano é um sinal claro de maturidade do setor local. Para as empresas regionais, esse movimento representa tanto uma validação de suas estratégias quanto um aumento na competitividade.

A chegada de novos players elevou o padrão do mercado. Terrenos se valorizaram, o perfil do comprador tornou-se mais exigente e a qualidade dos projetos se consolidou como um critério essencial de diferenciação. As incorporadoras que já operavam em João Pessoa, com sua inteligência territorial acumulada, possuem uma vantagem competitiva real, pois conhecem os micro-mercados, os vetores de valorização e os perfis de demanda de cada área da cidade.

Perspectivas futuras: um ciclo com fôlego

Analistas do setor acreditam que o ciclo de crescimento imobiliário no Nordeste, e particularmente na Paraíba, ainda tem fôlego. A combinação de uma oferta comprimida nos recortes de maior valor, especialmente na faixa litorânea, com uma demanda crescente de compradores qualificados, sustenta a projeção de valorização do metro quadrado ao menos até o final da década.

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