Minha Casa Minha Vida Pode Sofrer com Recursos Mais Restritos no FGTS, Diz Itaú BBA

Minha Casa Minha Vida pode ter recursos limitados pelo FGTS, aponta Itaú BBA

Análises recentes do Itaú BBA indicam que o programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) pode enfrentar um cenário de recursos mais restritos vindos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A principal razão apontada é uma posição de caixa do fundo mais apertada do que o projetado anteriormente, influenciada por recentes programas de saques extraordinários.

O programa habitacional, que responde por uma parcela significativa da carteira de crédito do FGTS, opera com taxas de financiamento subsidiadas. Essa característica, combinada com a necessidade do fundo de render no mínimo o equivalente à inflação – que está superior ao retorno dos financiamentos imobiliários –, gera desafios para a expansão futura.

Entenda a situação do caixa do FGTS

De acordo com os cálculos da equipe de sell-side do Itaú BBA, os empréstimos destinados ao Minha Casa Minha Vida totalizam R$ 610 bilhões, representando 93% da carteira de crédito do FGTS em abril de 2026. O retorno anual gerado por essa carteira é de 4,72%.

A capacidade do FGTS de manter ou expandir o volume de financiamentos do MCMV no médio prazo é limitada pela prioridade em preservar a liquidez e a rentabilidade do fundo. Uma representante do conselho do FGTS sinalizou que a gestão busca um equilíbrio entre essas necessidades.

Saques extraordinários impactam o saldo

Os saques extraordinários, como o saque-aniversário e outros programas de retirada antecipada, retiraram cerca de R$ 15 bilhões do FGTS ao longo do ano corrente até o momento. Essa saída de recursos levou o conselho do fundo a revisar a projeção de caixa para o fim de 2026, reduzindo a expectativa de R$ 175 bilhões para R$ 165 bilhões.

A posição de caixa projetada para 2029 também foi ajustada para baixo, passando de R$ 184 bilhões para R$ 156 bilhões, considerando os saques. Essa restrição de saldo de caixa esperado até o fim de 2026 é um dos pontos centrais da análise.

Estudos buscam viabilizar taxas menores para Faixas 3 e 4

Apesar das restrições, o FGTS está estudando a criação de subfaixas dentro das Faixas 3 e 4 do programa Minha Casa Minha Vida. O objetivo é viabilizar taxas de financiamento imobiliário ainda menores para compradores elegíveis nessas categorias.

Se aprovada, o Itaú BBA estima um impacto positivo na capacidade de compra dos consumidores. Para a Faixa 3, o ganho de capacidade de compra poderia variar entre 5% e 10%. Já para a Faixa 4, o aumento estimado seria mais expressivo, entre 15% e 35%.

“Os recursos do FGTS ficaram mais restritos após os recentes programas extraordinários de saque, reduzindo o saldo de caixa esperado até o fim de 2026. Ainda assim, estudos estão em andamento e podem resultar em taxas de financiamento imobiliário menores para as Faixas 3 e 4, o que, em nossas estimativas, aumentaria a capacidade de compra dos consumidores em aproximadamente 5% a 35%”, aponta o Itaú BBA em relatório.

Fundo Social como fonte complementar

Outra alternativa em estudo para complementar os recursos do MCMV é o Fundo Social. Diferente dos recursos do próprio FGTS, a alocação do Fundo Social requer aprovação anual, tornando-o uma fonte menos previsível do ponto de vista estrutural.

Composição das taxas de juros por faixa do MCMV

  • Faixa 1 (renda de R$ 0 a R$ 3.200): taxas entre 4,00% e 4,50% ao ano, com preço de venda de até R$ 210 mil a R$ 300 mil.
  • Faixa 2 (renda de R$ 3.200 a R$ 5.000): taxas entre 4,75% e 6,50% ao ano.
  • Faixa 3 (renda de R$ 5.000 a R$ 9.600): taxas entre 6,66% e 7,66% ao ano, com tetos de R$ 300 mil, R$ 315 mil e R$ 400 mil.
  • Faixa 4 (renda de R$ 9.600 a R$ 21.000): taxas entre 8,66% e 10,00% ao ano, com teto de até R$ 1,2 milhão.

As taxas podem variar ligeiramente conforme a região, com Norte e Nordeste apresentando condições um pouco mais favoráveis em comparação com Centro-Oeste, Sudeste e Sul. O Sudeste permanece como o principal mercado para financiamentos do MCMV, enquanto o Nordeste tem expandido sua participação. A região Norte ainda busca ampliar a originação de crédito habitacional.

Perspectivas para o setor imobiliário

Diante desse cenário, o Itaú BBA indica que poderá rever suas estimativas de resultados para o setor. No entanto, o banco mantém uma predileção por incorporadoras com maior exposição ao programa Minha Casa Minha Vida.

As ações preferenciais do setor incluem Direcional Engenharia (DIRR3), Tenda (TEND3) e Cury Construtora (CURY3). Para 2026-2027, esses papéis negociam a múltiplos ajustados de lucro (P/L) entre 8x e 6x para a Direcional, 8x e 5x para a Tenda, e 9x e 6,5x para a Cury.

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