De corretor de imóvel a executivo: como a profissão virou porta de entrada para cargos de liderança

De corretor de imóvel a executivo: como a profissão virou porta de entrada para cargos de liderança

A carreira de corretor de imóveis, antes vista por muitos como uma atividade secundária ou uma fonte de renda extra, tem redefinido seu espaço no mercado de trabalho. Com cerca de 750 mil profissionais atuando no Brasil, segundo o Conselho Federal de Corretores de Imóveis (COFECI), a profissão agora atrai talentos de diversas áreas e serve como um trampolim para posições de liderança em incorporadoras, imobiliárias e outras empresas do setor.

Essa transformação reflete uma mudança profunda na exigência da função. Hoje, o corretor de sucesso não se limita a intermediar vendas; ele necessita de um amplo conhecimento que abrange domínio de produto, análise do comportamento do consumidor e do mercado, noções de financiamento, legislação imobiliária, macroeconomia, técnicas avançadas de negociação, marketing digital e a construção de relacionamentos de longo prazo com os clientes.

A trajetória de Larissa Grassi: da corretagem à diretoria de vendas

Um exemplo notável dessa evolução é a carreira de Larissa Grassi, atual diretora de vendas da Helbor, uma incorporadora com mais de 45 anos de mercado. Iniciando na corretagem em 2012, aos 18 anos, e vindo de uma formação em desenvolvimento humano, Larissa viu na profissão uma ponte para sua ascensão profissional.

Sua jornada foi marcada por vendas significativas. Após sua primeira venda de impacto em Porto Alegre, ela vivenciou a fidelidade de clientes ao ser procurada sete anos depois por um casal que havia comprado um apartamento com ela para revender o imóvel. Em 2015, aos 22 anos, realizou uma venda expressiva de R$ 2,5 milhões, demonstrando sua capacidade direta na ponta de vendas.

A partir de 2017, Larissa migrou para a gestão comercial, culminando em sua posição atual. Como diretora de vendas, ela lidera negociações complexas e de alto valor, frequentemente ultrapassando R$ 100 milhões em investimentos imobiliários, conectando investidores, incorporadoras e oportunidades relevantes.

“A corretagem, para mim, foi uma ponte para prosperar e seguir na carreira executiva. Começar como corretora me deu uma base que nenhuma formação teórica, sozinha, conseguiria entregar. Eu aprendi a ouvir o cliente, entender objeções, lidar com pressão, estudar produto, construir confiança e enxergar a negociação de forma estratégica. Cada atendimento, cada venda e cada dificuldade ajudaram a formar a executiva que sou hoje. A corretagem foi a base da minha carreira e continua sendo uma escola muito forte para quem quer crescer no mercado imobiliário.”

Competências desenvolvidas e o futuro da profissão

Diogo Martins, CEO do Instituto Brasileiro de Educação Profissional (IBREP), corrobora essa visão, destacando que a atuação como corretor desenvolve competências essenciais como negociação, leitura de perfil de cliente, visão comercial, repertório técnico e habilidade em lidar com operações complexas. Segundo ele, muitos profissionais que iniciam na venda evoluem para cargos de coordenação, gerência, diretoria ou empreendem seus próprios negócios.

Martins enfatiza que a profissão deixou de ser vista apenas como uma alternativa de renda para se tornar uma verdadeira alavanca de carreira. O setor imobiliário demanda cada vez mais profissionalização, com corretores precisando compreender mercado, legislação, crédito, documentação, comportamento do consumidor, ferramentas digitais e negociação.

Para atuar legalmente, o profissional deve obter o registro no Creci após a conclusão do curso Técnico em Transações Imobiliárias (TTI). No entanto, para prosperar e alcançar posições de liderança, a busca por conhecimento e aprimoramento contínuo se tornam indispensáveis. O IBREP, por exemplo, que já capacitou milhares de profissionais desde 2006, expandiu suas operações ao receber homologação do MEC para a primeira Escola Superior Imobiliária do Brasil, com graduações e pós-graduações previstas para 2026, refletindo o avanço e a exigência crescente por formação qualificada no setor.

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