A empresa dele criou um ‘Tinder’ para o mercado imobiliário e já soma R$ 2,3 bilhões em projetos
No competitivo universo do mercado imobiliário, encontrar as conexões certas entre investidores com capital e incorporadoras em busca de projetos pode ser um desafio. Foi exatamente para solucionar essa lacuna que surgiu uma solução inovadora. A OSPA, grupo fundado pelo arquiteto Lucas Obino, desenvolveu um modelo de negócio que funciona como um sofisticado algoritmo de compatibilidade, aproximando as pontas desse mercado.
A proposta é clara: traduzir a linguagem do mercado imobiliário para o universo financeiro, facilitando o encontro entre bons investidores e empreendimentos promissores que, de outra forma, teriam dificuldade em se conectar. Essa abordagem já resultou em um impressionante pipeline de R$ 2,3 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV) distribuídos em nove empreendimentos.
Do escritório de arquitetura ao ecossistema de desenvolvimento urbano
Criada em 2005 em Porto Alegre, a OSPA iniciou como um escritório de arquitetura com ambições de protagonismo e aplicação em escala urbana. Sem capital inicial para se tornar uma incorporadora, a equipe observou o crescimento das plataformas de compras coletivas e do crowdfunding. Essa inspiração combinada levou à criação da Urbe.me, em 2014, pioneira no crowdfunding imobiliário no Brasil.
A experiência com a Urbe.me expôs a profunda assimetria de informações no setor. Lucas Obino relata que muitas incorporadoras careciam de clareza sobre seus próprios projetos, onde a arquitetura era apenas uma parte do complexo cenário. A OSPA, então, reorientou seu foco para a etapa crucial de inteligência e viabilidade.
Inteligência territorial e IA para conectar oportunidades
A principal diferenciação da OSPA reside na sua atuação na fase anterior à construção ou operação. O grupo concentra-se na inteligência necessária para identificar o potencial de um terreno, sua viabilidade econômica e o produto imobiliário mais adequado. Ferramentas como a plataforma Place, que transforma dados urbanísticos e socioeconômicos em mapas interativos, permitem entender o potencial construtivo de um local instantaneamente.
Mais recentemente, a OSPA Capital utiliza inteligência artificial para analisar empreendimentos e identificar os fundos de investimento, gestoras ou family offices mais aderentes a cada projeto. A plataforma considera fatores como região, tipo de empreendimento e valor, conectando incorporadores a investidores de forma ágil. Obino compara o processo a um aplicativo de relacionamentos, onde o que antes levava meses, agora pode ser resolvido em dias.
Crescimento focado em cidades que atraem pessoas
Com bases em Porto Alegre e São Paulo, e presença operacional em Miami, a OSPA prioriza mercados que demonstram atração de moradores e geração de empregos, impulsionando a demanda por novos empreendimentos. O grupo aposta em regiões como o litoral de Santa Catarina, a Serra Gaúcha, São Paulo e projetos internacionais em Miami.
A visão de Obino é que o desenvolvimento urbano deve criar lugares que favoreçam conexões, sejam elas econômicas ou humanas. Ao facilitar essas trocas, a OSPA contribui para a formação de cidades mais responsivas e melhores para se viver. A empresa projeta alcançar R$ 100 milhões em faturamento até 2030, consolidando seu papel como uma plataforma de desenvolvimento urbano.
