Imóveis luxuosos de R$ 146 milhões seriam propina para ex-presidente do BRB, aponta Polícia Federal

Seis imóveis de alto padrão avaliados em R$ 146,5 milhões teriam sido oferecidos como propina ao ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, segundo investigações da Polícia Federal. Os detalhes constam na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a prisão de Costa. O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, é apontado como o responsável pela oferta dos bens.

Os empreendimentos imobiliários teriam sido prometidos como forma de pagamento de vantagens indevidas. A investigação aponta que a negociação envolvia propriedades localizadas tanto em São Paulo quanto em Brasília. A Polícia Federal suspeita que o esquema visava burlar controles internos e regras do BRB, utilizando empresas de fachada para a aquisição e transferência dos apartamentos.

Em São Paulo, a lista de imóveis inclui o empreendimento Heritage Cyrela, no bairro de Itaim Bibi. Este edifício oferece apartamentos com 570 m², até cinco suítes e seis vagas de garagem. Outro imóvel citado é o edifício Arbórea, também no Itaim Bibi, com unidades de 472 m² e infraestrutura completa com quadras de tênis, piscina e academia. O Casa Lafer, localizado na mesma região, com apartamentos de 424 m², quatro suítes e cinco vagas, também estaria envolvido. Imóveis do edifício One Sixty, na Vila Olímpia, com unidades variando de 275 m² a 592 m², também teriam sido oferecidos.

Na capital federal, dois empreendimentos foram mencionados nas investigações. O edifício Ennius Muniz, situado no Noroeste, área nobre de Brasília, conta com 20 apartamentos de até 298 m² e áreas de lazer. O segundo imóvel em Brasília seria o Reserva Jardim Botânico, localizado próximo à Ponte JK e ainda em fase de lançamento. O Valle dos Ipês, parte deste projeto, oferece seis torres com apartamentos de quatro suítes, incluindo coberturas, e área de lazer com piscina de borda infinita, spa e mirantes.

De acordo com as apurações, o pagamento integral dos valores acordados entre Vorcaro e Paulo Henrique Costa não se concretizou devido ao conhecimento de Vorcaro sobre a instauração de um procedimento investigatório sigiloso. A rastreabilidade financeira, segundo a Polícia Federal, indica pagamentos concretos superiores a R$ 74,6 milhões, com desembolsos significativos associados a empreendimentos como Heritage, One Sixty, Arbórea, Ennius Muniz e Valle dos Ipês.

Paulo Henrique Costa foi preso em Brasília nesta quinta-feira (16/4), em uma nova fase da Operação Compliance Zero. O advogado Daniel Monteiro, que teria representado o Banco Master em negociações com o BRB, também foi detido em São Paulo. A defesa de Paulo Henrique Costa alega que o ex-presidente não cometeu crime algum e considera a prisão desnecessária.

Esta é a quarta fase da Operação Compliance Zero, que apura um esquema de lavagem de dinheiro destinado ao pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos. Paulo Henrique Costa presidiu o BRB a partir de 2019 e foi responsável pela tentativa de aquisição do Banco Master pela instituição. Durante sua gestão, o BRB adquiriu ativos considerados problemáticos do Banco Master. Atualmente, o BRB enfrenta uma crise financeira que demanda um provisionamento de aproximadamente R$ 8,8 bilhões.

Em novembro de 2025, Paulo Henrique Costa foi afastado do cargo por decisão judicial. Em depoimento à Polícia Federal em dezembro, ele negou que os negócios com o Banco Master tivessem o intuito de salvar a instituição de Daniel Vorcaro, classificando a operação de compra de carteiras como meramente “técnica”. Questionado sobre a possibilidade de o Master quebrar antes do negócio, Costa afirmou que o colapso seria “problema dele” e que o BRB não tinha compromisso com a salvação do Master, ressaltando que a proposta final excluía um volume considerável de ativos e passivos.

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