Imóveis de luxo em Brasília e São Paulo, avaliados em R$ 146 milhões, são o epicentro da investigação que levou à prisão do ex-presidente do BRB
O Correio Braziliense revelou que mensagens trocadas entre Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro evidenciaram negociações de propriedades de alto padrão, totalizando R$ 146 milhões em valores estimados, localizadas em Brasília e São Paulo. Tais transações seriam uma contrapartida à aquisição de parte do Banco Master. Este material embasou a decisão que culminou na prisão preventiva de Costa na manhã desta quinta-feira (16/4), medida autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Os empreendimentos de alto padrão envolvidos
Em Brasília, as conversas mencionam o Residencial Ennius Muniz, no Noroeste. O prédio, situado em frente ao Parque Burle Marx, oferece unidades de alto padrão, com metragens que variam de 291 m² a 590 m², e valores que se iniciam em R$ 4 milhões. No Setor Habitacional Jardim Botânico, aparece o empreendimento Valle dos Ipês, atualmente em fase de construção. Este condomínio, com apartamentos entre 147 m² e 414 m² e previsão de entrega para 2028, possui área de lazer completa e está a cerca de cinco minutos da Ponte JK. Os valores específicos destas unidades não foram divulgados.
A metrópole de São Paulo também figura nas negociações com empreendimentos de luxo em áreas nobres. O Edifício Heritage, localizado no Itaim Bibi, dispõe de unidades que alcançam 1.036 m², com estimativas de preço entre R$ 39,5 milhões e R$ 50 milhões. Nas proximidades, na Avenida Cidade Jardim, o Edifício Arbórea oferece apartamentos que chegam a 1.070 m², com valores que variam de R$ 22,5 milhões a impressionantes R$ 200 milhões.
Outras propriedades paulistanas incluídas nas mensagens são o Edifício One Sixty, na Vila Olímpia, cujas unidades variam de 275 m² a 343 m², com preços de R$ 14,4 milhões a R$ 45 milhões. Também é citado o Casa Lafer, posicionado na esquina da Rua Lopes Neto com a Avenida Horácio Lafer, que apresenta apartamentos de 424 m² e valores que podem ir de R$ 23,3 milhões a R$ 105 milhões.
Indícios de corrupção e o papel do ex-presidente do BRB
A decisão do ministro André Mendonça, do STF, destaca que as trocas de mensagens entre Paulo Henrique Costa e Daniel Vorcaro apresentam “fortes indícios” de que os investigados ajustaram um valor milionário “a título de corrupção”. Este montante, segundo a apuração, deveria corresponder a um “dado número de imóveis luxuosos”.
“O acervo dos autos revela, assim, fortes indícios de que o presidente da estatal do Distrito Federal, o investigado Paulo Henrique, atuava como um verdadeiro mandatário de Daniel Vorcaro no âmbito do BRB e que, em contrapartida, receberia imóveis avaliados em aproximadamente 150 milhões de reais”
A Procuradoria-Geral da República, conforme citado por Mendonça, reforça que os elementos colhidos pela Polícia Federal indicam um quadro “indiciário consistente de atuação de organização criminosa voltada à fabricação, venda e cessão de carteiras de crédito fictícias do Banco Master ao BRB”. Essa operação teria envolvimento de agentes do banco privado e integrantes da alta administração do banco público.
Paulo Henrique Costa foi descrito como uma “peça essencial para viabilizar a aquisição das carteiras fraudulentas”. Em troca, ele teria recebido uma “vantagem indevida” em seis imóveis de alto padrão, localizados em São Paulo e Brasília, avaliados em R$ 146.582.649,50. Desse total, R$ 74.604.932,47 já teriam sido efetivamente quitados. A Polícia Federal pontuou que o pagamento completo não se concretizou porque o ex-banqueiro Daniel Vorcaro “teve ciência da instauração de procedimento investigatório sigiloso” para apurar, especificamente, o pagamento de propina a Costa por meio da compra e repasse de imóveis. O documento ainda ressalta que, mesmo após a constatação em junho de 2025 de que o BRB havia adquirido cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras falsas do Banco Master, a instituição teria mantido a parceria e continuado a adquirir novos ativos do mesmo parceiro.
A defesa do ex-presidente
O advogado Cleber Lopes, representante legal de Paulo Henrique, manifestou que a prisão é “absolutamente desnecessária”.
“No primeiro momento a defesa considera que o Paulo Henrique não representa nenhum perigo para a instrução, para a aplicação da lei penal. Ele está em liberdade desde a primeira fase da operação, não há notícia de que ele tenha praticado qualquer fato que pudesse atentar contra a instrução criminal, contra a ordem pública, contra a aplicação da lei penal, de maneira que a defesa considera, em um primeiro momento, a prisão absolutamente desnecessária”
