Ex-CEO do BRB preso financiou milhões para mansão de Flávio Bolsonaro; operação investiga lavagem de dinheiro

Ex-presidente do BRB, atualmente sob custódia da Polícia Federal, autorizou financiamento milionário para imóvel de Flávio Bolsonaro, em meio a investigações de esquema financeiro.

O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, que foi preso preventivamente pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (16), autorizou o financiamento de parte dos R$ 5,9 milhões utilizados na aquisição de uma mansão pelo senador Flávio Bolsonaro (PL). O imóvel está localizado no Lago Sul, uma área nobre da capital federal.

A operação financeira com recursos do BRB está conectada a uma investigação mais ampla que apura um esquema de lavagem de dinheiro e pagamento de propina em negócios envolvendo o Banco Master. A ação da PF, que cumpre mandados de prisão e busca e apreensão, visa desarticular uma organização criminosa suspeita de crimes financeiros e corrupção.

Paulo Henrique Costa, que comandou o BRB a partir de 2019 por indicação do governador Ibaneis Rocha, teve seu nome vinculado ao caso após a Operação Compliance Zero passar a investigar suspeitas de fraudes bilionárias. A análise de sua gestão buscou identificar decisões que pudessem ter extrapolado critérios técnicos em favor de interesses específicos.

O financiamento concedido a Flávio Bolsonaro em 2021 ressurgiu neste contexto. Naquele ano, o BRB liberou R$ 3,1 milhões para a compra da mansão, avaliada em cerca de R$ 5,97 milhões. As condições do crédito, com juros entre 3,65% e 3,71% ao ano, mais correção pelo IPCA, chamaram a atenção pela combinação de fatores, incluindo o perfil do comprador e a necessidade de aprovação da cúpula do banco.

A decisão de aprovar o crédito precisou passar pela diretoria colegiada presidida por Costa, o que o vinculou diretamente à operação. Na época, Costa era considerado um executivo em ascensão no sistema financeiro, com especulações sobre uma possível vice-presidência no Banco do Brasil, hipótese que teria sido prejudicada pela repercussão negativa do caso.

Paralelamente, as investigações sobre o patrimônio da família Bolsonaro também envolvem Fabrício Queiroz, ex-policial militar e antigo amigo de Jair Bolsonaro. O Ministério Público apontou Queiroz como operador financeiro do esquema de “rachadinha” no antigo gabinete de Flávio Bolsonaro, coordenando a arrecadação de valores desviados de assessores para despesas pessoais e transações patrimoniais.

A suspeita dos investigadores é que esse fluxo de dinheiro tenha sido utilizado em transações imobiliárias para dar aparência de legitimidade a recursos de origem ilícita, com imóveis sendo adquiridos abaixo do valor de mercado e quitados em espécie, para posterior revenda por preços oficiais. Flávio Bolsonaro teria acumulado lucros expressivos com a compra e venda de imóveis entre 2010 e 2017.

Em julho de 2024, Flávio Bolsonaro quitou de forma acelerada o saldo devedor da mansão, efetuando R$ 3,4 milhões em seis aportes. A quitação ocorreu após decisões do STF anularem provas no caso das rachadinhas. O senador declarou que os recursos vieram de sua franquia de chocolates e de sua renda, mas a rapidez dos pagamentos gerou questionamentos.

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