Estados unidos enfrentam cenário econômico complexo com projeção de crescimento do PIB reduzida e maior nível de inflação em três anos, impactando diretamente o orçamento familiar
A economia dos Estados Unidos expandiu menos do que as projeções iniciais para o primeiro trimestre e a inflação alcançou o pico dos últimos três anos, conforme informações divulgadas pelo governo na quinta-feira. Este panorama econômico, descrito pelo Jornal de Brasília, com informações da AFP, indica um sinal de alerta significativo sobre as dificuldades financeiras que as famílias americanas enfrentam, especialmente às vésperas das eleições de meio de mandato, previstas para novembro.
O encarecimento da gasolina, exacerbado por eventos geopolíticos, tem apertado os orçamentos domésticos e neutralizado o efeito positivo das restituições anuais de impostos.
Produto interno bruto abaixo do esperado
O Produto Interno Bruto (PIB) da maior economia global registrou um aumento de 1,6% na projeção anual durante o primeiro trimestre. Este dado representa uma correção para baixo em relação à estimativa anterior de 2% anunciada no mês passado, surpreendendo analistas que esperavam a manutenção dos juros, conforme consenso da MarketWatch.
“O PIB real foi revisto para baixo em 0,4 ponto percentual em relação à estimativa preliminar, o que reflete principalmente revisões para baixo do investimento e dos gastos dos consumidores”, resumiu o Departamento de Comércio.
Apesar da desaceleração geral, o crescimento do PIB foi impulsionado sobretudo por investimentos em equipamentos e propriedade intelectual, com destaque para despesas ligadas ao desenvolvimento da inteligência artificial (IA). Em contrapartida, houve uma retração acentuada nos investimentos no setor imobiliário.
Analistas alertaram para a crescente dependência da economia americana do setor de IA, enquanto o consumo ressente-se da influência da guerra nos preços da energia. Michael Pearce, economista da Oxford Economics, observou que novos dados revelaram uma queda nos gastos com serviços, principalmente os médicos, e uma diminuição dos inventários empresariais maior do que o estimado. Ele acrescentou que:
“As revisões para baixo dos gastos dos consumidores no primeiro trimestre, juntamente com uma queda em abril, apontam para um consumidor sob pressão.”
Mesmo com a revisão, o crescimento anual do período foi superior ao do quarto trimestre de 2025, que registrou 0,5%. A alta nos últimos meses de 2025 e no início de 2026 foi atribuída a “repiques do gasto público e das exportações, e um aumento do investimento” em geral.
Escalada da inflação e impacto da guerra
Os preços também refletem o impacto da guerra contra o Irã. O índice de inflação preferido pelo Federal Reserve (Fed), o banco central americano, atingiu em abril seu nível mais alto na comparação anual desde 2023, segundo dados oficiais divulgados na quinta-feira. O Índice de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) subiu 3,8% em relação a abril do ano anterior, superando os 3,5% registrados nos doze meses encerrados em março. O novo número está em linha com as expectativas dos analistas entrevistados pelo Dow Jones Newswires e pelo The Wall Street Journal.
Um relatório governamental detalhou o balanço de gastos e receitas dos americanos. Enquanto os gastos mensais aumentaram 0,5%, a receita sofreu um recuo inesperado de 0,1%. Essa disparidade impactou a taxa de poupança das famílias, que caiu para 2,6% em abril, contra 3,2% em março.
“Isto mostra até que ponto os americanos estão atualmente sob pressão financeira”, comentou Heather Long, economista do banco americano Navy Federal Credit Union, em uma postagem no X, classificando como “insustentável” a discrepância entre entradas e saídas de dinheiro.
Aumento dos custos de energia
Michael Pearce projeta que a alta nos preços da energia deverá manter o crescimento do PIB “moderado este ano”. Os custos da gasolina, em particular, dispararam após os ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro. O Irã bloqueou o Estreito de Ormuz, uma rota marítima vital por onde transita aproximadamente um quinto da oferta global de petróleo e gás, resultando em uma forte elevação dos preços da energia.
Em abril, os consumidores americanos gastaram 28,8 bilhões de dólares (equivalente a R$ 145,4 bilhões) a mais em gasolina e produtos derivados em comparação com o mesmo mês do ano anterior, conforme dados oficiais. O impacto se estende a outros segmentos da economia, com as vendas de residências nos Estados Unidos recuando 6,2% em abril em relação a março e 11,3% comparado ao ano anterior, atingindo uma taxa anual dessazonalizada de 622 mil unidades, segundo o Departamento de Comércio.
