Home equity registra recorde histórico e reflete mudança financeira das famílias
O crédito com garantia de imóvel, conhecido como home equity, atingiu um volume recorde de R$ 3,166 bilhões no primeiro trimestre de 2026, representando um crescimento de 25,83% em relação ao mesmo período do ano anterior. Segundo dados da Abecip, este é o maior volume já registrado desde o início da série histórica em 2018, com março de 2026 apresentando mais de 4 mil operações, um aumento de 34,3% comparado a março de 2025.
Esse avanço significativo no uso do home equity ocorre em um cenário onde muitas famílias ainda recorrem a linhas de crédito mais caras para financiar consumo e reorganizar dívidas. O dado sugere uma correção de uma distorção histórica no comportamento financeiro brasileiro: acumular patrimônio em imóveis por um lado, enquanto se arcam com juros elevados em crédito rotativo, cheque especial e crédito pessoal por outro.
A busca por eficiência financeira em meio a juros altos
O crescimento do home equity em 2026 chama a atenção por acontecer mesmo em um ambiente de juros ainda elevados no país. Isso demonstra que a expansão não é movida por crédito farto, mas sim por uma clara busca por eficiência financeira por parte dos consumidores. Operações com taxas mensais que variam entre 1,12% e 1,80% e prazos que podem se estender por até 13 anos tornam o home equity uma alternativa cada vez mais atraente.
A percepção de que essa modalidade oferece vantagens claras sobre outras opções de crédito mais onerosas parece ter se consolidado. O aumento de 60% no volume financeiro das operações em março de 2026, em comparação com o mesmo mês do ano anterior, indica que essa compreensão deixou de ser exclusividade do mercado financeiro e alcançou o consumidor final.
Cuidados essenciais ao contratar home equity
Apesar dos números positivos, é fundamental entender que o home equity não é uma solução universal. A proteção do imóvel como garantia exige atenção redobrada: a inadimplência pode levar à sua perda. Além disso, a análise superficial da taxa de juros anunciada pode mascarar o Custo Efetivo Total (CET), que inclui despesas com seguros obrigatórios, avaliação do bem e taxas de registro.
O risco, neste contexto, não reside apenas no endividamento em si, mas na criação de uma falsa sensação de economia decorrente de comparações inadequadas. Michel Maciel, head of home equity operations da Bricker, ressalta que o crescimento do home equity deve ser interpretado como uma substituição de dívida cara por dívida mais barata, o que melhora o fluxo de caixa e a capacidade de planejamento.
Um sinal de planejamento financeiro
A expansão do home equity em 2026 não significa que as famílias estejam necessariamente mais endividadas. Pelo contrário, indica que uma parcela dos consumidores está tomando medidas para reduzir o custo de suas dívidas, trocando modalidades de crédito com juros mais altos por opções mais acessíveis e com prazos mais longos. Isso resulta em menor comprometimento da renda e maior margem para o planejamento financeiro.
O problema, historicamente, não tem sido o uso do crédito, mas a dependência de linhas que transformam dificuldades financeiras passageiras em ciclos de endividamento prolongados. O recorde atual é um sinal positivo, pois mostra que mais brasileiros começam a questionar a lógica de pagar juros exorbitantes enquanto possuem ativos que poderiam reduzir significativamente esses custos.
Planejamento e análise são chaves para o sucesso
O home equity só se torna um instrumento eficaz de proteção patrimonial e alívio financeiro quando combinado com planejamento, comparação criteriosa de propostas e análise completa do CET. Contratar junto a instituições autorizadas pelo Banco Central é outro passo crucial. Quando esses critérios são observados, o imóvel deixa de ser apenas um ativo estagnado e passa a trabalhar a favor do planejamento financeiro. Ignorá-los, no entanto, pode transformar uma oportunidade de alívio em um problema financeiro de longo prazo.
