Crédito imobiliário avança 23% e movimenta R$ 180,9 bilhões no primeiro semestre de 2026
A concessão de crédito imobiliário no Brasil demonstrou forte expansão no primeiro semestre de 2026, atingindo a marca de R$ 180,9 bilhões. Este valor representa um aumento significativo de 23% em comparação com o mesmo período do ano anterior. No total, 680 mil imóveis foram financiados nos primeiros seis meses do ano, um indicativo da retomada e do interesse do mercado.
O desempenho superou as expectativas da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), que já se prepara para revisar suas projeções para o ano. Inicialmente, a Abecip previa um crescimento de 16% para 2026, o que equivaleria a cerca de R$ 375 bilhões em concessões. Segundo Michel Cury, a relevância da procura por financiamento habitacional é impulsionada pela formação de novas famílias, pela solidez do mercado de trabalho e pela continuidade de programas habitacionais.
SBPE e construção civil impulsionam o setor
Os financiamentos lastreados por recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) foram um dos grandes motores desse crescimento. No primeiro semestre de 2026, esses financiamentos totalizaram R$ 93,7 bilhões, um expressivo salto de 29% em relação ao ano anterior. Este volume possibilitou a aquisição de quase 130 mil imóveis, tanto novos quanto usados, utilizando capital da caderneta de poupança.
Um destaque particular foi o segmento de construção, que apresentou uma expansão notável de 107%. As operações voltadas para construção saltaram de R$ 12,8 bilhões no primeiro semestre de 2025 para R$ 26,5 bilhões em 2026. Paralelamente, os financiamentos para aquisição de imóveis registraram R$ 67,2 bilhões, um aumento de 12%, com mais de 70% dessas operações concentradas na compra de unidades usadas.
“O crescimento de 23% do crédito imobiliário [no 1S26] reforça a resiliência do setor. Vimos avanços expressivos no FGTS, com destaque para o Minha Casa, Minha Vida (MCMV), e alta na aquisição via SBPE”, afirmou Cury.
Desafios e diversificação do funding
Apesar do cenário positivo nas concessões, a captação líquida da poupança continua sob pressão. Nos últimos cinco anos, o SBPE acumulou R$ 273 bilhões em perdas de captação líquida. No primeiro semestre de 2026, a caderneta de poupança registrou um saldo negativo de R$ 31 bilhões, em contraste com as retiradas líquidas de R$ 38 bilhões observadas no mesmo período de 2025. O saldo total da poupança, que era de R$ 762 bilhões, atingiu R$ 764 bilhões.
Michel Cury ressaltou o desafio imposto pelo cenário de juros elevado. “Ao mesmo tempo, a elevação da curva de juros prefixada pressiona o custo do funding e reforça a necessidade de diversificação das fontes de recursos, complementando a poupança com instrumentos como as LCIs”, declarou. Ele apontou que a caderneta de poupança já não consegue, isoladamente, suprir toda a demanda crescente do mercado imobiliário, tornando a diversificação do funding uma agenda estrutural essencial.
“A poupança continuará exercendo papel estratégico, mas já não consegue, isoladamente, acompanhar toda a expansão da demanda”, explicou Cury. “Por isso, a diversificação do funding é uma agenda estrutural para assegurar recursos de longo prazo e sustentar o crescimento do crédito imobiliário”, concluiu.
