Expansão do crédito consignado e desvio de finalidade do FGTS geram alerta no setor de habitação popular

Crédito consignado e propostas de desvio de finalidade do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) são alvos de críticas por construtoras que atuam no segmento de baixa renda, ameaçando a capacidade de pagamento das famílias e uma das principais fontes de financiamento do setor. A combinação desses fatores pode reduzir o volume de aprovações de crédito e aumentar a inadimplência.

A expansão do crédito consignado, com descontos diretos na folha de pagamento, tem sido apontada como um dos principais motivos para a diminuição da renda disponível das famílias. Essa redução impacta diretamente a capacidade de arcar com as prestações de financiamentos imobiliários, especialmente no programa Minha Casa Minha Vida, onde o parcelamento da entrada é uma prática comum.

O cenário se intensificou em março de 2025 com o lançamento do “Crédito do Trabalhador”, uma modalidade de crédito consignado que utiliza o FGTS como garantia. Embora tenha possibilitado juros menores e impulsionado a adesão, essa iniciativa elevou o endividamento das famílias, com a concessão mensal disparando de cerca de R$ 1,6 bilhão. O diretor financeiro da MRV, Ricardo Paixão, alertou que essa situação pressiona o orçamento geral da população, afetando despesas básicas e o consumo.

Em contrapartida, a Cury monitora o cenário com rigor. João Carlos Mazzuco, diretor financeiro da empresa, corrobora a necessidade de vigilância devido ao endividamento familiar. Já o copresidente Leonardo Mesquita aponta um impacto direto nos negócios com o aumento de CPFs negativados, o que prejudica as vendas e eleva a taxa de recusa de potenciais compradores.

Paralelamente, a CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) manifestou forte desaprovação a um projeto aprovado em comissão da Câmara que autoriza o uso do FGTS para a compra de armas. Renato de Sousa Correia, presidente da CBIC, defende que o propósito do fundo é dar suporte ao trabalhador demitido e financiar a habitação, e não ser destinado a outras finalidades.

A MRV tem reforçado seus padrões de qualidade, segundo informações da CNN Brasil. Empresas focadas na baixa renda, como a Tenda e a Cury, registraram crescimento de receita e lucro, conforme análise do JP Morgan. A Tenda mais do que dobrou seu lucro líquido consolidado para R$ 183,4 milhões, enquanto a Cury apresentou avanços de 33% na receita e 42% no lucro líquido.

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