Inflação no Japão e investimento estrangeiro no Brasil: o que move os mercados

O que move os mercados: inflação no Japão e fluxo de investimento no Brasil

Os mercados globais iniciaram a semana de 26 de março de 2026 sob a influência de uma agenda econômica repleta de indicadores importantes. Dados de atividade industrial na Ásia, números do setor imobiliário e confiança do consumidor nos Estados Unidos, além da decisão de juros do Banco Central da Nova Zelândia, foram os destaques. Na véspera, o otimismo global prevaleceu, impulsionando bolsas asiáticas e europeias em meio a expectativas de um possível acordo entre Estados Unidos e Irã, o que aumentou o apetite por risco. No Brasil, esse cenário favorável também se refletiu nos ativos locais, com o Ibovespa registrando forte alta e o dólar comercial apresentando recuo.

O Ibovespa encerrou o pregão em alta de 0,91%, atingindo 177.815 pontos, enquanto o dólar comercial recuou 0,19%, fechando a R$ 5,019. A valorização da bolsa brasileira foi diretamente influenciada pelo humor externo positivo. Contudo, ações ligadas ao setor de petróleo sofreram pressão devido a uma queda expressiva na cotação do barril do Brent, reflexo das negociações entre Washington e Teerã e a possibilidade de reabertura do Estreito de Ormuz.

Agenda econômica e seus reflexos nos mercados

Na Europa e no Reino Unido

A agenda europeia incluiu a divulgação do índice de preços ao produtor (IPP) anual da Espanha em abril. O Banco Central Europeu (BCE) apresentou sua Análise de Estabilidade Financeira, documento crucial para identificar riscos ao sistema financeiro da região. No Reino Unido, a pesquisa CBI de varejo e distribuição de maio apontou uma expectativa de melhora, saindo de -68 para -52 pontos.

Indicadores do Brasil

Para o Brasil, o Banco Central (BC) divulgou os dados do setor externo referentes a abril. A projeção indicava um déficit de US$ 200 milhões em transações correntes, um resultado inferior ao déficit de US$ 6,04 bilhões registrado no mês anterior. O investimento estrangeiro direto, por sua vez, era esperado em US$ 5,3 bilhões, abaixo dos US$ 6,04 bilhões anteriores.

Nos Estados Unidos

A economia americana teve sua atenção voltada para indicadores de atividade e do setor imobiliário. O índice de atividade nacional do Fed de Chicago referente a abril foi anunciado, seguido por dados imobiliários importantes. O índice S&P/Case-Shiller de preços de imóveis nas 20 maiores cidades projetou uma alta anual de 1% em março, ligeiramente acima da leitura anterior de 0,9%. O índice de preços de imóveis também indicou avanço de 0,1% no mês. No entanto, a confiança do consumidor, medida pelo Conference Board, mostrou uma leve queda para 91,9 pontos em maio, vindo de 92,8. O índice de atividade das empresas Fed Dallas completou a agenda do dia.

Mercado japonês e a decisão na Nova Zelândia

O Japão apresentou seu índice de preços ao consumidor (IPC), mostrando uma desaceleração da inflação anual para 1,7%, após registrar 2,5% anteriormente. O índice de preços de serviços corporativos (CSPI) também sinalizou uma desaceleração anual para 3%, comparado a 3,1%. O discurso do presidente do Banco do Japão (BoJ), Kazuo Ueda, foi cuidadosamente monitorado pelos investidores. Fechando a agenda, o Banco Central da Nova Zelândia manteve a taxa básica de juros em 2,25%, acompanhada de declaração de política monetária e comunicado oficial.

Resultados corporativos em destaque

O cenário de divulgação de resultados corporativos contou com a gigante varejista de autopeças AutoZone (AZO) reportando seus números do terceiro trimestre fiscal antes da abertura de Nova York. A empresa de defesa Elbit Systems (ESLT) também divulgou seu balanço. Após o fechamento, o setor de tecnologia teve o foco em Zscaler (ZS), referência em cibersegurança em nuvem, e em Sociedad Química y Minera de Chile (SQM), que apresentou o balanço do primeiro trimestre. Semtech (SMTC) também divulgou seus resultados do primeiro trimestre do ano fiscal de 2027.

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