Ex-presidente do Banco de Brasília Paulo Henrique Costa, que está preso, deu aval para financiamento de R$ 3,1 milhões na compra de mansão de Flávio Bolsonaro no Lago Sul, área nobre da capital federal
O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, atualmente detido pela Polícia Federal, autorizou o financiamento de R$ 3,1 milhões para a aquisição de uma mansão pelo senador Flávio Bolsonaro. O imóvel, localizado no Lago Sul, uma área de alto padrão em Brasília, teve seu valor total avaliado em R$ 5,97 milhões. A operação financeira utilizou recursos do banco público BRB e é parte de uma investigação mais ampla sobre lavagem de dinheiro e corrupção.
Paulo Henrique Costa foi preso preventivamente na quarta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal. A investigação apura um esquema que envolve negócios com o Banco Master, suspeito de envolvimento em lavagem de dinheiro e pagamento de propina a agentes públicos. O advogado Daniel Monteiro, também preso na operação, é apontado como o responsável jurídico pelas negociações sob apuração.
O caso ganhou destaque novamente em julho de 2024, quando Flávio Bolsonaro quitou o saldo devedor do imóvel de forma acelerada, realizando pagamentos extraordinários que totalizaram R$ 3,4 milhões. Essa quitação ocorreu após decisões do Supremo Tribunal Federal que anularam provas em um caso anterior relacionado a investigações sobre o senador.
O financiamento concedido ao senador em 2021, durante a gestão de Costa no BRB, envolveu juros entre 3,65% e 3,71% ao ano, além de correção pelo IPCA. Embora o BRB tenha defendido que a operação seguiu padrões de mercado, a combinação de condições vantajosas, o perfil do comprador e a necessidade de aprovação da cúpula da instituição levantaram questionamentos. A aprovação do crédito precisou passar pela diretoria colegiada presidida por Costa, vinculando diretamente o então chefe do BRB à operação.
A investigação também considera a conexão com Fabrício Queiroz, ex-policial militar e figura ligada a investigações sobre o patrimônio da família Bolsonaro. Queiroz foi apontado pelo Ministério Público como operador financeiro de um esquema de rachadinha no antigo gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. A suspeita é que fluxos de dinheiro em espécie tenham sido usados em transações imobiliárias para conferir aparência de legitimidade a recursos de origem ilícita.
