Imóveis luxuosos de R$ 146,5 milhões teriam sido prometidos como propina ao ex-presidente do BRB por dono do Banco Master

Dono do Banco Master é suspeito de prometer seis imóveis de luxo avaliados em R$ 146,5 milhões ao ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, segundo a Polícia Federal

A Polícia Federal suspeita que Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, tenha prometido a entrega de seis imóveis de alto padrão como forma de propina ao ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. Os empreendimentos, com valor total estimado em R$ 146,5 milhões, estão localizados nas cidades de São Paulo e Brasília. A informação consta em uma decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a prisão de Paulo Henrique Costa em abril.

Um dos imóveis apontados na investigação é o edifício Heritage Cyrela, situado no bairro de Itaim Bibi, em São Paulo. Este empreendimento oferece apartamentos amplos, com 570 m², até cinco suítes e seis vagas de garagem. Outro imóvel listado é o Arbórea, também no Itaim Bibi, com apartamentos de 472 m², quadras de tênis, piscina e academia.

Ainda em São Paulo, o Casa Lafer, localizado no Itaim Bibi, também aparece na lista. Este luxuoso empreendimento possui apartamentos de 424 m², quatro suítes e cinco vagas de garagem, além de academia e piscina. O edifício One Sixty, no bairro Vila Olímpia, também em São Paulo, teve seus imóveis oferecidos, com unidades variando de 275 m² a 592 m².

Em Brasília, a investigação aponta o envolvimento de dois empreendimentos. O Ennius Muniz, localizado na área nobre do Noroeste, conta com 20 apartamentos de até 298 m² e áreas de lazer. O segundo imóvel em Brasília é o Reserva Jardim Botânico, situado a poucos minutos da Ponte JK e ainda em fase de lançamento. O empreendimento Valle dos Ipês, que faz parte do Reserva Jardim Botânico, oferece seis torres com apartamentos de quatro suítes, incluindo coberturas, e área de lazer com piscina de borda infinita, spa e mirantes.

De acordo com as apurações da Polícia Federal, o pagamento integral dos valores acordados entre Vorcaro e Paulo Henrique Costa não se concretizou porque Vorcaro soube da instauração de um procedimento investigatório sigiloso que apurava exatamente o pagamento de propina por meio da aquisição e repasse de imóveis. A rastreabilidade financeira indica pagamentos efetivos superiores a R$ 74,6 milhões, com destaque para desembolsos relacionados aos empreendimentos Heritage, One Sixty, Arbórea, Ennius Muniz e Valle dos Ipês.

Paulo Henrique Costa foi preso pela Polícia Federal em Brasília em 16 de abril, como parte da Operação Compliance Zero. Daniel Monteiro, advogado que teria representado o Banco Master em negociações com o BRB, também foi preso em São Paulo. A defesa de Costa, representada pelo advogado Cleber Lopes, alega que o ex-presidente do BRB não cometeu crime algum e considera a prisão desnecessária.

As investigações apontam que os envolvidos teriam atuado para criar um esquema de compliance paralelo com o objetivo de contornar controles internos e regras do BRB. A suspeita recai sobre o pagamento de vantagens indevidas por meio da compra e transferência de apartamentos, utilizando empresas de fachada. Esta operação representa a quarta fase da Operação Compliance Zero, que investiga esquemas de lavagem de dinheiro para o pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos.

Paulo Henrique Costa assumiu a presidência do BRB em 2019 e foi responsável pela tentativa de compra do Banco Master pela instituição. Durante sua gestão, o BRB adquiriu ativos considerados problemáticos do Banco Master. Atualmente, o BRB enfrenta uma crise significativa, necessitando de um provisionamento de aproximadamente R$ 8,8 bilhões, conforme o atual presidente do banco, Nelson Antônio de Souza. Os ativos do Master vendidos ao BRB, avaliados inicialmente em R$ 21,9 bilhões, foram considerados saudáveis pela instituição na época.

Em novembro de 2025, Paulo Henrique Costa foi afastado do cargo por decisão judicial. Em depoimento à Polícia Federal em dezembro, ele negou que os negócios com o Banco Master tivessem como finalidade salvar a instituição de Daniel Vorcaro. Costa defendeu a operação de compra de carteiras, classificando-a como “técnica”. Sobre a tentativa de aquisição do Master, ele afirmou que o BRB era a terceira opção e que o objetivo era tornar o banco mais competitivo. Ao ser questionado se o Master iria falir antes do negócio, Costa respondeu à PF que o colapso do banco seria “problema dele”. Ele também declarou que o BRB “nunca teve compromisso ou qualquer ideia de viabilizar salvação do Master” e que a proposta final excluía um volume significativo de ativos e passivos, não podendo ser tratada como um contrato de salvação.

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