Vila Velha alcança a maior valorização imobiliária do Brasil em 2026 impulsionada por obras e investimentos privados
Vila Velha registra um momento expressivo em seu mercado imobiliário, apresentando a maior valorização do país entre as cidades monitoradas pelo índice FipeZap em abril de 2026, com uma alta de 2,07% no mês. No acumulado do ano, a cidade acumula valorização de 5,61%, e nos últimos doze meses, o índice atinge 13,37%, a maior entre municípios não capitais. Atualmente, o metro quadrado na cidade custa em média R$ 10,9 mil, posicionando-a entre os dez municípios brasileiros com o metro quadrado mais caro.
O cenário favorável é resultado de obras de infraestrutura, expansão urbana, qualidade de vida e um fluxo robusto de investimentos privados, conforme dados do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Espírito Santo (Sinduscon-ES). A cidade concentra 127 empreendimentos em construção, representando mais da metade dos projetos da Grande Vitória, com quase 10 mil unidades em obras, sendo que 76% já foram comercializadas.
Gestão pública e desburocratização impulsionam atratividade de Vila Velha
Para o prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo, a valorização imobiliária é uma consequência direta da transformação urbana promovida nos últimos anos. “Quando a prefeitura amplia a mobilidade, investe em drenagem, saneamento, pavimentação, iluminação pública e urbanização, as regiões se tornam mais organizadas, acessíveis e atrativas para morar e investir”, declarou.
Borgo também atribui parte do sucesso à modernização administrativa e programas de desburocratização, como o Vila Velha Ágil, que reduziram o tempo de análise de processos e aumentaram a previsibilidade e a segurança jurídica para novos empreendimentos. Ele destacou ainda que o município possui o maior potencial de consumo do Espírito Santo, superior a R$ 24,7 bilhões, segundo o IPC Maps 2025.
Limitações territoriais de Vitória criam oportunidade para Vila Velha
Alexandre Schubert, presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Espírito Santo (Ademi-ES), aponta que as limitações de espaço para novos empreendimentos em Vitória têm direcionado a expansão imobiliária para Vila Velha. Ele ressalta que a cidade oferece uma combinação única de potencial geográfico, infraestrutura e uma gestão pública alinhada ao crescimento.
“O município tem dimensão territorial, paisagem valorizada e recebeu investimentos importantes em drenagem, mobilidade e infraestrutura. Além disso, houve ganho de agilidade na aprovação de projetos e mais segurança jurídica para os empreendimentos”, destacou Schubert. Ele também observou uma demanda reprimida por apartamentos de dois e três quartos, tipologia que vinha perdendo espaço para studios.
Novos eixos de desenvolvimento e interiorização urbana em expansão
Eduardo Borges, diretor de economia e estatística do Sinduscon-ES, explica que, além da verticalização da orla, o desenvolvimento urbano de Vila Velha avança para novas regiões. “Os bairros da orla seguem valorizando, porque os terrenos próximos ao mar estão ficando escassos. Mas existe uma tendência clara de crescimento para regiões ligadas à Rodovia do Sol, Leste-Oeste e Darly Santos”, afirmou.
Carlos Baracho, diretor de operações da Cobra Engenharia, corrobora que obras em corredores viários como a Rodovia do Sol, Darly Santos e Leste-Oeste ampliaram o potencial de crescimento e a segurança para investimentos, com áreas como Jockey de Itaparica se destacando como novos vetores de expansão.
A construtora Vaz Desenvolvimento Imobiliário aposta na criação de novas centralidades urbanas, como o projeto Parque Nari ao longo da antiga Fazenda Rio Marinho, integrando moradia, tecnologia, educação e serviços. A Gold Construtora também identifica potencial de crescimento no eixo sul, em direção a Barra do Jucu e Jockey, impulsionado pela infraestrutura recente.
Pedro Bolsonello, diretor de Incorporações da Recanto Construtora, vê nos bairros tradicionais, como Aribiri e Ataíde, um futuro promissor para o segmento do Minha Casa Minha Vida, pela oferta de infraestrutura e serviços essenciais.
Qualidade de vida como motor da demanda imobiliária
A qualidade de vida é apontada como um dos principais fatores de atração em Vila Velha. Praias urbanas, sensação de segurança, mobilidade e a oferta diversificada de serviços contribuem para atrair moradores e investidores. Andrea Lessa, diretora executiva da Proeng, destaca a forte procura por imóveis bem localizados e próximos ao litoral, com empreendimentos modernos focados em lazer e tecnologia.
A prefeitura reafirma o compromisso com um crescimento sustentável, através da revisão do Plano Diretor Municipal e da implementação do Plano Municipal de Mobilidade e Acessibilidade, que prevê a ampliação da malha cicloviária de 70 para 395 quilômetros. O desafio, segundo o prefeito Arnaldinho Borgo, é equilibrar o crescimento econômico com a organização urbana e a preservação ambiental, mantendo a qualidade de vida da cidade.
