Praias secretas em Balneário Camboriú: refúgio de luxo com imóveis de R$ 20 mi
Um trecho de praias preservadas ao sul de Balneário Camboriú (SC) está se consolidando como um reduto de luxo, com imóveis alcançando a marca de R$ 20 milhões e uma valorização expressiva do metro quadrado. A região da Interpraias, conhecida por sua baixa densidade populacional e rigorosas regras ambientais, atraiu o interesse de investidores em busca de exclusividade e tranquilidade, transformando o cenário que antes era dominado por pousadas familiares e paisagens agrestes.
A combinação única de natureza exuberante, oferta limitada de terrenos e um planejamento urbano que restringe a verticalização tem impulsionado a valorização imobiliária. Essa escassez planejada, somada a um ambiente de segurança e organização territorial, cria um cenário que emula, em menor escala, a lógica de destinos de alto padrão como os Hamptons, em Nova York, onde a localização e o entorno agregam valor substancial às propriedades.
Interpraias: o contraste com a Praia Central
Enquanto a Praia Central de Balneário Camboriú se destacava pela intensa verticalização e pelo título de um dos metros quadrados residenciais mais caros do país, a região da Interpraias – compreendendo praias como Estaleirinho, Estaleiro, Pinho, Taquaras, Taquarinhas e Laranjeiras – mantinha uma ocupação mais baixa e uma natureza mais preservada. Essa dualidade permitiu que a Interpraias se desenvolvesse como uma “reserva de escassez”, como descrevem especialistas do mercado imobiliário.
“O que faz a Interpraias ser diferente é que, aqui, a verticalização não é uma opção”, afirma Maurício Girolamo, diretor-executivo da imobiliária J. Maurício, atuante na região há mais de 25 anos. As regras ambientais e de zoneamento limitam a construção de múltiplos pavimentos e a ocupação do solo, garantindo a baixa densidade como uma característica estrutural, e não apenas uma estratégia de marketing.
Valorização e projeções de mercado
Segundo levantamento da J. Maurício, o metro quadrado na Interpraias registrou uma alta superior a 200% nos últimos cinco anos. Essa valorização é atribuída à escassez de terrenos disponíveis e à entrada de projetos imobiliários de alto padrão. As projeções indicam uma possível alta adicional de até 50% nos próximos dois anos, caso a demanda por segundas residências de alto padrão se mantenha e novos empreendimentos sigam o modelo de baixa densidade.
Essa movimentação ocorre em um contexto onde Balneário Camboriú já figura entre as cidades com o metro quadrado residencial mais caro do Brasil. A busca por oportunidades fora da orla central, impulsionada pela saturação e pela alta densidade, direciona investidores para a tranquilidade e exclusividade da Interpraias.
A lógica dos Hamptons em território catarinense
O modelo de sucesso dos Hamptons, caracterizado pela baixa densidade, litoral preservado e um estoque limitado de residências em áreas estritamente residenciais, encontra paralelos na Interpraias. Relatórios recentes sobre o mercado de luxo em Nova York indicam preços médios de venda residencial próximos a US$ 3,8 milhões, com uma participação significativa de imóveis acima de US$ 5 milhões. A análise aponta que o CEP e o entorno valem tanto quanto a própria propriedade, um reflexo direto da escassez de terrenos e das regras de zoneamento restritivas.
Na Interpraias, essa dinâmica se manifesta na busca por silêncio, privacidade e um entorno natural preservado. “Quando isso vem acompanhado de oferta limitada, o imóvel deixa de valer só pela metragem e passa a valer pelo território”, explica o corretor Theo Girolamo. A região está inserida na área de proteção ambiental Costa Brava, com um plano de manejo que estabelece limites rígidos de altura e ocupação do solo, reforçando o caráter exclusivo e preservado do local.
Segurança e previsibilidade para o investimento de longo prazo
Um projeto em andamento prevê a instalação de cerca de 100 câmeras de monitoramento nas praias da região, com um investimento estimado em R$ 720 mil. Essa iniciativa, em articulação com a prefeitura e o conselho gestor da APA Costa Brava, visa aumentar a segurança e a organização territorial. A expectativa é que os equipamentos cubram aproximadamente 10 quilômetros quadrados, com tecnologias como leitura automática de placas e reconhecimento facial em alguns pontos.
Para os investidores, esse conjunto de regras ambientais, baixa densidade e um sistema de monitoramento robusto funciona como um “selo de previsibilidade”. “Quando existem normas claras e um nível mínimo de organização territorial, a previsibilidade entra no preço”, destaca Girolamo. Essa certeza de que o entorno não sofrerá alterações drásticas ao longo do tempo é um fator tão valioso quanto o próprio imóvel, replicando a filosofia que consolidou os Hamptons.
O futuro da Interpraias: luxo planejado ou destino de veraneio?
As projeções para os próximos cinco a dez anos apontam para a Interpraias se tornar uma das regiões com o metro quadrado mais caro de Balneário Camboriú e do Brasil. A combinação de ocupação controlada, proximidade com os serviços centrais e a natureza preservada sustenta essa tese. “É uma região com pouco espaço para crescer, muito perto dos serviços da cidade e cercada de verde. Na minha visão, o futuro do investimento está ali”, projeta Marcos Gracher, fundador da Wave Academias e membro do conselho gestor da APA Costa Brava.
O arquiteto e urbanista Carlos Vinicius Bortolato, coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo da UniAvan, observa que a consolidação da Interpraias como um bairro de alta renda ou como um destino de veraneio clássico dependerá do tipo de ocupação futura. Ele alerta para o risco de novas vias em encostas e o aumento da concentração de moradias comprometerem a vegetação preservada e a sensação de refúgio, que são os principais diferenciais da região. A capacidade de manter um equilíbrio entre desenvolvimento urbano controlado e a preservação ambiental definirá o futuro deste refúgio exclusivo em Balneário Camboriú.
