Nordeste lidera inadimplência de aluguel no país, apesar de queda registrada em junho

Nordeste lidera inadimplência de aluguel no país, apesar de queda registrada em junho

O Nordeste voltou a registrar a maior taxa de inadimplência de aluguel do Brasil em junho, mesmo com uma leve redução em relação ao mês anterior. Segundo o Índice de Inadimplência Locatícia (IIL), divulgado pela plataforma Superlógica, a região encerrou o mês com índice de 5,15%, acima da média nacional, que ficou em 3,20%.

O levantamento, que considera mais de 800 mil contratos de locação em todo o país, aponta que, apesar da queda de 0,24 ponto percentual em comparação a maio, o Nordeste segue na liderança do ranking regional. As outras regiões apresentaram os seguintes índices: Norte (4,30%), Centro-Oeste (3,00%), Sudeste (2,96%) e Sul (2,71%).

Pequenos negócios concentram maior inadimplência

Além do desempenho regional, a pesquisa indica que imóveis comerciais de menor valor continuam sendo os mais afetados pelo atraso no pagamento dos aluguéis. Contratos com valor de até R$ 1 mil apresentaram uma inadimplência de 7,40%, o dobro da média nacional. Essa situação está diretamente ligada à instabilidade financeira de micro e pequenas empresas, que frequentemente ocupam esse tipo de espaço.

“Os aluguéis mais baixos acabam sendo impactados pela sensibilidade econômica das micro e pequenas empresas, que enfrentam desafios financeiros nesse início de jornada, e das famílias de menor renda diante do aumento do custo de vida”, explica Manoel Gonçalves, diretor de Negócios para Imobiliárias do Grupo Superlógica.

No segmento residencial, a faixa de aluguel de até R$ 1 mil também registrou a maior inadimplência, atingindo 6,27%.

Cenário geral permanece estável

Em âmbito nacional, a taxa de inadimplência de aluguel caiu de 3,22% em maio para 3,20% em junho. Este índice se mantém estável desde março, mostrando pouca variação. Comparado a junho de 2025, quando o índice era de 3,59%, houve uma redução de 0,39 ponto percentual.

Para a Superlógica, essa pequena oscilação demonstra um mercado relativamente estável, embora ainda sob influência do cenário econômico. “A oscilação observada nos últimos meses é pequena e revela certa estabilidade, principalmente diante da pressão econômica que o país enfrenta. Mas é importante acompanhar indicadores como taxas de juros e inflação com cautela, já que esse contexto pode alterar a trajetória da inadimplência ao longo de 2026”, pondera Gonçalves.

Faixas de aluguel mais altas também geram atenção

O estudo também destaca a inadimplência em imóveis comerciais com aluguel acima de R$ 13 mil, que atingiu 4,63% em junho. Embora menor que a registrada em imóveis de menor valor, essa faixa, que abrange principalmente empresários e comerciantes, continua a sentir os efeitos dos custos elevados de crédito e um ritmo mais lento da atividade econômica.

Por outro lado, os menores índices de inadimplência foram observados em imóveis residenciais com aluguel entre R$ 3 mil e R$ 5 mil (1,68%) e em imóveis comerciais com aluguel entre R$ 2 mil e R$ 3 mil (3,36%).

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