O Brasil, em 2026, vivencia um acelerado envelhecimento populacional, uma transformação demográfica que já redefine a busca por moradias. Com o aumento da expectativa de vida, famílias menores e um número crescente de idosos ativos, a procura por lares que garantam segurança e autonomia dispara. Em Jundiaí, onde idosos já compõem quase um quinto dos habitantes, especialistas indicam a necessidade de adaptação do setor imobiliário a essa nova realidade.
Dados do IBGE revelam um crescimento de 57,4% na população com 65 anos ou mais entre 2010 e 2022. Em 2023, o número de idosos ultrapassou o de jovens de 15 a 24 anos pela primeira vez. Projeções indicam que, até 2070, cerca de 37,8% dos brasileiros terão mais de 60 anos.
Jundiaí: um retrato do envelhecimento populacional
Em Jundiaí, essa tendência demográfica é palpável. Um estudo da consultoria Saber Fazer Marketing & Negócios, apresentado à PROEMPI, aponta que o município registra uma participação de moradores com mais de 60 anos acima da média nacional em todas as faixas etárias a partir dos 60 anos. Atualmente, esse público representa quase 20% da população da cidade.
O levantamento também destaca que aproximadamente 22% dos idosos permanecem no mercado de trabalho. Além disso, cerca de 10% da força de trabalho economicamente ativa de Jundiaí é composta por pessoas com 60 anos ou mais. Entre os inativos, cerca de 15% possuem renda superior a três salários mínimos, um percentual que sinaliza diferentes perfis de consumo e novas demandas habitacionais.
O que o mercado imobiliário precisa oferecer
Eli Gonçalves, vice-presidente de Inteligência de Mercado da PROEMPI, enfatiza que o segmento imobiliário para idosos é uma necessidade social, não apenas uma oportunidade de negócio. Empreendimentos voltados a esse público devem ir além de adaptações básicas como barras de apoio e rampas.
As principais características apontadas pelo estudo incluem:
- Localização estratégica: proximidade a hospitais, farmácias, parques e centros comerciais.
- Infraestrutura adaptada: elevadores acessíveis, pisos antiderrapantes e áreas verdes.
- Espaços de convivência: ambientes para atividades físicas e culturais.
- Variedade de custos: diferentes padrões para atender idosos de diversas faixas de renda.
Gonçalves defende a atuação conjunta entre iniciativa privada e poder público para estimular projetos habitacionais que atendam a essa demanda em todas as faixas de renda.
Planejamento antecipado para moradia e qualidade de vida
A médica geriatra Fernanda Rezende aconselha que o planejamento da moradia deve ser considerado parte integrante do planejamento de vida, iniciado bem antes do surgimento de limitações físicas. Medidas simples, como boa iluminação, pisos antiderrapantes, circulação livre de obstáculos e banheiros adaptados, podem reduzir riscos e preservar a independência por mais tempo.
O objetivo, segundo Rezende, não é transformar a casa em um ambiente hospitalar, mas sim criar um espaço que promova autonomia, segurança e qualidade de vida, respeitando a individualidade.
A dificuldade em adaptar a residência à rotina de um idoso foi o que motivou o arquiteto Paulo Silveira e sua família a mudarem de casa. A antiga residência, de dois pavimentos, dificultava a locomoção de sua mãe. A nova casa, térrea, contou com banheiro adaptado às normas de acessibilidade, rampas e reorganização dos ambientes para facilitar a circulação.
“Qualidade de vida e segurança nos deslocamentos foram muito importantes”, relata Silveira. Ele aplica em seus projetos as normas de acessibilidade, mesmo para famílias jovens, prevendo futuras necessidades, embora nem sempre consiga convencer os clientes da necessidade desses parâmetros.
Aumento da procura por instituições de longa permanência
O envelhecimento da população também impulsiona a procura por instituições de longa permanência. Na Cidade Vicentina, referência em Jundiaí, a administradora Noeli Sá observa um aumento constante na procura por vagas.
Esse crescimento está atrelado ao envelhecimento populacional, ao aumento da expectativa de vida e às mudanças na estrutura familiar, que nem sempre conseguem prover cuidados em tempo integral. A maioria dos acolhidos necessita de acompanhamento multiprofissional devido a limitações físicas, doenças crônicas ou comprometimento cognitivo.
Noeli Sá reforça a necessidade de ampliar e fortalecer os serviços voltados ao atendimento da população idosa, garantindo um cuidado digno, humanizado e de qualidade, como a Cidade Vicentina tem buscado oferecer há 87 anos.
