Mercado imobiliário incorpora estratégias da hotelaria para ampliar valor dos empreendimentos
O mercado imobiliário de alto padrão está passando por uma significativa transformação, onde serviços, hospitalidade e experiências ganham destaque na valorização de empreendimentos. Incorporadoras e gestoras estão cada vez mais investindo em operações de hospitalidade, programas de relacionamento e iniciativas focadas na experiência dos moradores, inspirando-se diretamente nas práticas do setor hoteleiro.
Essa mudança reflete a evolução do comportamento do consumidor e do próprio setor. Se antes a localização era o principal diferencial, hoje atributos como qualidade de serviços, personalização da experiência, bem-estar e a construção de comunidade influenciam diretamente a percepção de valor dos imóveis. Moradia deixa de ser apenas um espaço físico e se torna uma escolha de estilo de vida, pautada por praticidade, conexão com o bem-estar e alinhamento com os valores individuais.
O crescimento do segmento de luxo e a influência da hotelaria
O cenário brasileiro já demonstra essa tendência. Segundo levantamento da Brain Inteligência Estratégica, o segmento de imóveis de luxo e superluxo registrou um crescimento expressivo de 57% nos lançamentos no primeiro trimestre de 2025, superando 1.600 unidades. Esse avanço é impulsionado pela incorporação de serviços, experiências e parcerias estratégicas como elementos de diferenciação.
Um exemplo claro dessa integração é o avanço dos branded residences. São Paulo, por exemplo, figura na quinta posição mundial no ranking de empreendimentos dessa modalidade, com 25 projetos lançados ou entregues, conforme aponta um levantamento da CBRE. Cerca de dois terços desses empreendimentos estão associados a marcas de hotelaria, o que ressalta a importância de operações estruturadas de concierge, housekeeping, gestão patrimonial e hospitalidade na composição de valor.
A economia da experiência e a nova relação com a moradia
O mercado imobiliário, hoteleiro e de lifestyle caminham juntos, impulsionados pela expansão da economia da experiência. As empresas buscam, mais do que entregar um imóvel, construir uma relação contínua com os moradores. Isso é feito por meio de serviços, conveniência e experiências oferecidas ao longo de toda a jornada residencial.
“O imóvel continua sendo o centro da proposta de valor, mas a forma como ele é vivido ganhou um peso muito maior. Serviços, hospitalidade e gestão da experiência passaram a influenciar a decisão dos moradores e a competitividade dos empreendimentos”, afirma Cristiano Viola, diretor de Operações da Greystar no Brasil.
Hospitalidade como pilar estratégico
A estratégia de hospitality branding ganha força. Levantamento da consultoria Luxury Partners indica que 64 marcas globais já atuam em hotéis e residências de marca, somando mais de 434 empreendimentos. Essa abordagem visa transformar o empreendimento em uma plataforma permanente de relacionamento, indo além do momento da compra.
Na Greystar, essa visão orienta a gestão, desenvolvendo uma estratégia de hospitalidade que integra serviços, experiências, ações comunitárias e iniciativas de branding. O objetivo é fortalecer a vivência residencial e ampliar o relacionamento com os moradores, oferecendo uma experiência consistente.
Produtos exclusivos e a estratégia de branding sensorial
A criação de produtos exclusivos reforça a construção de uma identidade de marca e o aprofundamento da relação com os moradores. Iniciativas como uma fragrância exclusiva para os empreendimentos e o lançamento do Ayra Café Especial são exemplos tangíveis dessa estratégia. Estes produtos tornam a marca parte do cotidiano dos moradores e funcionam como pontos de contato adicionais.
Dados do setor indicam que aproximadamente 46% das marcas de luxo utilizam assinaturas olfativas como ferramenta de posicionamento. Estudos de marketing sensorial comprovam que aroma, ambientação e experiências de consumo ampliam a lembrança da marca e a satisfação do cliente.
Convergência de mercados e novas possibilidades de valor
Esse modelo segue uma tendência já consolidada na hotelaria internacional, onde redes transformam elementos da experiência do hóspede em produtos comercializáveis. No mercado residencial, o conceito evolui para operações onde serviços, gestão e experiência integram a proposta de valor.
“O setor caminha para um modelo em que operação, hospitalidade e marca são administradas de forma integrada. Essa convergência aproxima o mercado residencial das melhores práticas da hotelaria e amplia as possibilidades de geração de valor para moradores, investidores e empreendimentos”, conclui Cristiano Viola.
