A cidade de Itapema, localizada no Litoral Norte de Santa Catarina, ampliou sua liderança no mercado imobiliário, registrando o metro quadrado residencial mais caro do Brasil. De acordo com o novo Índice FipeZap, divulgado em julho de 2026, o valor médio na cidade alcançou R$ 15.327 por metro quadrado. Este valor representa uma vantagem sobre Balneário Camboriú, que figura na segunda posição com R$ 15.228/m².
O levantamento destaca a força do mercado catarinense, que emplaca quatro das cinco cidades com o metro quadrado mais valorizado no país. Além de Itapema e Balneário Camboriú, Itajaí (R$ 13.263/m²) aparece em quinto lugar, e Florianópolis (R$ 13.365/m²) na quarta posição. A única cidade fora de Santa Catarina entre as primeiras colocadas é Vitória, no Espírito Santo, que ocupa o terceiro lugar com R$ 15.210/m².
Entendendo as dinâmicas do mercado imobiliário
Segundo o especialista em mercado imobiliário Bruno Cassola, Balneário Camboriú, Itapema e Itajaí atingiram patamares de preço elevados, mas por trajetórias distintas. Historicamente, Itapema era vista como uma alternativa com custos mais acessíveis em comparação a Balneário Camboriú.
Contudo, a expansão dos lançamentos imobiliários e a valorização recente diminuíram essa percepção. Atualmente, a escolha do comprador entre essas cidades passa a depender mais de fatores como estilo de vida, infraestrutura disponível, localização específica e o perfil do imóvel desejado.
Fatores que impulsionam os preços em Itapema e Balneário Camboriú
Bruno Cassola explica que Balneário Camboriú mantém seus preços elevados devido a fatores como a escassez de terrenos disponíveis, uma oferta de imóveis mais restrita e a concentração de empreendimentos de alto padrão em áreas já consolidadas. Essa limitação de espaço é um dos pilares da valorização.
Em contraste, Itapema apresenta uma situação diferente, com maior disponibilidade de áreas para construção. A cidade conta com grande quantidade de terrenos, o que tem impulsionado novos empreendimentos e unidades em desenvolvimento. Essa oferta mais ampla de novas construções contribuiu para a liderança no preço médio do metro quadrado, mas pode moldar sua trajetória futura de forma distinta.
O cenário de Itajaí e a diversidade do mercado
O especialista aponta que Itajaí possui mercados imobiliários com perfis distintos. Regiões como a Praia Brava e o bairro Fazenda exibem preços e potencial de valorização que se aproximam dos observados em Balneário Camboriú. Ao mesmo tempo, outras áreas do município atendem a um público com renda média.
A Praia Brava, em particular, tem atraído compradores que buscam a proximidade com Balneário Camboriú, mas que preferem um ambiente com um perfil mais residencial e um maior contato com a natureza, combinando conveniência e qualidade de vida.
Análise do desempenho do mercado imobiliário em 2026
O relatório FipeZap indica que o mercado imobiliário residencial brasileiro apresentou uma valorização média de 0,45% em junho de 2026. No acumulado do ano, a alta chegou a 2,42%, e nos últimos 12 meses, o índice atingiu 5,59%, superando a inflação de 4,90% registrada no mesmo período.
Apesar da valorização, Cassola observa uma desaceleração no ritmo de crescimento em 2026. Essa tendência é influenciada por fatores como a taxa de juros elevada, o período eleitoral e uma maior cautela por parte dos investidores. No entanto, o custo da construção continua em ascensão, e parte desse aumento de custos ainda não se refletiu integralmente nos preços finais dos imóveis.
Este cenário pode apresentar uma oportunidade para compradores com recursos disponíveis, pois os reajustes nos lançamentos imobiliários são esperados para os próximos semestres. Com a perspectiva de redução gradual das taxas de juros, a expectativa é de uma recuperação no volume de negócios no mercado imobiliário.
