O mercado financeiro observa com atenção os últimos indicadores econômicos divulgados nesta quinta-feira (28). No Brasil, a taxa de desocupação registrou um aumento, enquanto nos Estados Unidos, dados sobre inflação e o Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre fornecem um panorama do cenário global. Estes números são cruciais para entender as tendências econômicas e suas possíveis repercussões para investidores e para a economia em geral.
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Mensal (PNAD) do IBGE apresentou um dado relevante: a taxa de desocupação no Brasil subiu para 5,8% no trimestre encerrado em abril. Este aumento significa que 6,3 milhões de brasileiros estavam desempregados no período, um acréscimo de 471 mil pessoas em relação ao trimestre anterior. Acompanhe os detalhes que moldam as expectativas para o dia e para os próximos meses.
Desemprego no Brasil: análise dos números
A taxa de 5,8% de desocupação no trimestre encerrado em abril representa uma elevação em relação aos períodos anteriores. Adriana Beringuy, coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, atribuiu essa variação a fatores sazonais. Atividades de comércio e serviços pessoais, que apresentaram um aquecimento no final de 2025, não conseguiram reter parte de seus trabalhadores nos meses subsequentes, exercendo pressão sobre a taxa de desemprego.
Na análise trimestral, o segmento de Outros serviços foi o que mais contribuiu para a queda, com uma redução de 162 mil postos de trabalho. Os demais segmentos apresentaram estabilidade. Contudo, outros indicadores do mercado de trabalho brasileiro mantêm-se sólidos. O rendimento real habitual atingiu um patamar recorde de R$ 3.732, e a taxa de informalidade mostrou uma ligeira redução.
A população ocupada totalizou 102,3 milhões, com uma queda trimestral de 0,3%, mas um aumento de 1,1% comparado ao mesmo período de 2025. O nível de ocupação, que mede o percentual de pessoas empregadas em relação à população em idade de trabalhar, caiu 0,3 ponto percentual na margem, atingindo 58,4%, mas permanece em patamares elevados na série histórica.
Caged de abril e a resiliência do mercado de trabalho
O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de abril de 2026, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, indicou um saldo positivo de aproximadamente 230 mil vagas formais. Este resultado supera ligeiramente os 228.208 empregos abertos em março, demonstrando uma continuidade na geração de postos de trabalho.
O ritmo de criação de empregos tem se mantido robusto nos primeiros meses do ano. Em fevereiro, foram criadas 255.321 vagas, e o acumulado de janeiro a março somou 613.373 postos formais. Apesar de este total ser 9,1% inferior ao do mesmo período de 2025, o estoque de vínculos formais atingiu um recorde de 49,1 milhões em março. O dado de abril é fundamental para confirmar se a desaceleração observada em relação ao ano anterior se aprofunda ou se estabiliza.
A composição setorial da geração de empregos em março foi liderada por serviços, com 152,4 mil vagas, seguidos por construção, indústria e comércio. A agropecuária foi o único grande setor com saldo negativo.
Inflação americana e a política monetária do Fed
Nos Estados Unidos, o Índice de Preços de Gastos com Consumo Pessoal (PCE) de abril de 2026, principal indicador de inflação acompanhado pelo Federal Reserve (Fed), apontou para uma alta de 0,5% na margem. Isso elevou a variação anual para 3,8%, quase o dobro da meta de 2% estabelecida pelo banco central americano.
Essa aceleração reflete, em parte, a pressão do petróleo acima de US$ 100 o barril, cujos efeitos se estendem aos componentes de energia e outros setores. O núcleo do PCE, que exclui alimentos e energia, deve atingir 3,5% ao ano em abril, um aumento em relação aos 2,8% registrados em fevereiro. São três meses consecutivos de inflação em alta, indicando uma perda de impulso na desinflação nos EUA.
Diante deste cenário inflacionário, o mercado financeiro descarta cortes de juros pelo Fed ao longo de 2026. Juros americanos elevados por mais tempo tendem a fortalecer o dólar e a restringir a margem de manobra de bancos centrais emergentes, como o Copom no Brasil, para antecipar seus ciclos de afrouxamento monetário.
PIB dos EUA: crescimento de 2% no primeiro trimestre
A terceira e última revisão do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos no primeiro trimestre de 2026 confirmou um crescimento anualizado de 2,0%. Este número ficou ligeiramente abaixo das projeções iniciais do mercado, que variavam entre 2,2% e 2,3%.
O resultado representa uma aceleração em comparação com o quarto trimestre de 2025, quando a economia americana avançou 0,5%. O crescimento de 2,0% se distancia da contração de 0,3% observada no primeiro trimestre de 2025. Por se tratar de uma revisão final de dados já divulgados, o impacto imediato nos mercados tende a ser limitado, embora a análise dos componentes, especialmente o consumo das famílias e o investimento privado, seja acompanhada de perto pelo Fed.
O desempenho do PIB acima de 2%, combinado com uma inflação ainda pressionada, reforça a justificativa do Fed para manter as taxas de juros inalteradas. A economia americana demonstra força suficiente para não necessitar de estímulos adicionais. Embora este dado feche o retrato do primeiro trimestre, a atenção do mercado já se volta para os números de abril e maio, que podem refletir com mais clareza os efeitos das tarifas comerciais vigentes.
Na quarta-feira (27), o dólar fechou em alta de 0,66%, cotado a R$ 5,061, enquanto a B3 (Ibovespa) registrou queda de 0,48%, terminando o dia aos 175.744,38 pontos.
