Construção civil aposta em tecnologia e inovação para sustentar seu crescimento
A construção civil brasileira navega por um período de reconfiguração estratégica. Diante de um cenário econômico desafiador, com juros elevados e restrições de crédito, empresas do setor estão redefinindo suas prioridades. A busca por inovação, eficiência operacional e transformação digital tornou-se fundamental para sustentar o crescimento, substituindo modelos anteriormente focados apenas na expansão.
Pesquisas como a Global Construction Survey, da KPMG, indicam uma mudança de postura. Cerca de 65% dos executivos do setor no Brasil declaram uma abordagem mais cautelosa em relação aos riscos econômicos. Apesar disso, o otimismo prevalece, com 58% dos entrevistados demonstrando confiança nas perspectivas futuras da indústria.
Otimismo no Ceará e projeções para 2026
No Ceará, o mercado imobiliário demonstra resiliência, impulsionado por um volume expressivo de lançamentos na Região Metropolitana de Fortaleza e pela expectativa de melhora do ambiente macroeconômico. Patriolino Dias de Sousa, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE), aponta para projeções positivas no início de 2026, influenciadas pela política monetária e pela queda da inflação no Brasil.
“A tendência é que a taxa de juros recue nas próximas reuniões do Copom”, afirma Dias. Ele prevê que, com juros próximos a um dígito, as famílias tendem a retomar o investimento em imóveis, fortalecendo um mercado considerado sólido e com alta valorização.
Mesmo com as incertezas globais, como a instabilidade geopolítica internacional, o setor da construção civil mantém metas ambiciosas. A expectativa é bater um recorde histórico em 2026, superando R$ 10 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV) comercializado.
Inovação como chave para a competitividade
Tatiana Gruenbaum, sócia-diretora da KPMG no Brasil, destaca que o setor adapta-se a um ambiente mais complexo. “É evidente que as empresas lidam com um cenário desafiador devido às incertezas de investimento de clientes, complexidade dos projetos, aumento nos custos, restrições de financiamento, questões tecnológicas, ambiente regulatório e exigências crescentes de sustentabilidade”, explica.
A pesquisa da KPMG revela que o desenvolvimento das equipes (68% dos executivos) e a tecnologia (65%) são prioridades para a competitividade. Outros 58% defendem novos modelos de entrega para aumentar a produtividade.
Ferramentas como automação, análise de dados, integração de processos e digitalização de canteiros de obra deixam de ser meras tendências e se consolidam como pilares estratégicos. Patriolino Dias observa essa transformação no Ceará: “Novas tecnologias construtivas estão sendo aplicadas pelas empresas que atuam no Ceará, fazendo com que o ritmo das obras seja acelerado, o que colabora de modo relevante para o impulsionamento do mercado imobiliário no Estado”.
Um novo ciclo de maturidade
A construção civil entra em uma nova fase de maturidade empresarial. O diferencial competitivo migra da capacidade de executar grandes empreendimentos para a combinação de tecnologia, gestão, inovação e qualificação profissional. A inteligência aplicada aos projetos ganha tanta relevância quanto a própria execução.
Para mercados aquecidos como o cearense, a expectativa é que o crescimento futuro seja impulsionado não só pelo volume de lançamentos, mas pela capacidade das empresas em entregar empreendimentos mais eficientes, sustentáveis e alinhados às novas demandas dos consumidores. O diferencial estará não apenas no que se constrói, mas em como cada imóvel é construído.
