Mercado de cavalos impulsiona expansão de condomínios equestres no país
A tradicional relação do brasileiro com o cavalo, historicamente ligada ao trabalho de campo e ao esporte, está moldando um novo nicho no mercado imobiliário de luxo e bem-estar. Impulsionados pela valorização da equideocultura nacional, os chamados condomínios equestres — empreendimentos residenciais integrados a haras e estruturas profissionais para animais — deixaram de ser raridade e consolidam-se como uma forte tendência de habitação e lazer no país.
O Brasil abriga uma das maiores populações de equinos do mundo, com um plantel estimado em cerca de 6,8 milhões de animais, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa robustez do agronegócio equestre fomenta uma cadeia de serviços que agora se conecta diretamente à construção civil e ao desenvolvimento urbano de alto padrão, oferecendo uma experiência completa de moradia e lazer.
Estilo de vida e conexão com o campo
A mudança no perfil de consumo no pós-pandemia acelerou a busca por residências fora dos grandes centros urbanos, mas que ofereçam atividades práticas de lazer. No segmento equestre, o diferencial tem sido aproximar o proprietário de sua paixão pelo animal de forma cotidiana, e não apenas nos fins de semana.
“O cavalo sempre esteve muito ligado à cultura brasileira. O que observamos agora é uma evolução desse relacionamento, com pessoas buscando empreendimentos que ofereçam não apenas um imóvel, mas uma experiência completa, com natureza, lazer, segurança e estrutura para viver essa paixão”, avalia Daniel Katz, CEO do Grupo Katz.
Para além da venda de lotes, os novos projetos estruturam-se sobre a oferta de serviços compartilhados. O modelo reduz custos individuais de manutenção de baias, veterinários e tratadores, dividindo-os na taxa de condomínio corporativo.
Um modelo de uso imediato: o Haras do Passo
Um exemplo de como o setor tem se estruturado é o Haras do Passo, condomínio equestre projetado pelo Grupo Katz em parceria com o Haras M. Tostes, localizado em Acuruí, distrito de Itabirito (MG). Para contornar um dos principais gargalos do mercado de loteamentos — a espera pela conclusão das obras —, o projeto adota um modelo de uso imediato.
- Estrutura pré-existente: os compradores dos lotes (que variam de 800 a 3.000 metros quadrados) têm acesso imediato às baias e pistas do haras parceiro.
- Hospedagem e trilhas: é possível hospedar cavalos, utilizar a infraestrutura de apoio e realizar cavalgadas na região antes mesmo do início da construção da residência própria.
- Área comum integrada: o projeto conta com lago privativo, áreas verdes de preservação e segurança 24 horas.
Vitrine na 43ª Nacional do Mangalarga Marchador
O conceito desse tipo de moradia será um dos temas em debate durante a 43ª Exposição Nacional do Cavalo Mangalarga Marchador, que ocorre entre os dias 18 de julho e 1º de agosto de 2026, no Parque de Exposições da Gameleira, em Belo Horizonte. Considerado o maior evento de uma única raça na América Latina, o encontro é o principal ponto de contato anual entre criadores, investidores e o público final do segmento.
O Haras do Passo terá um estande próprio no evento com o objetivo de apresentar a viabilidade prática do modelo de condomínio integrado a criadores e investidores do agronegócio. Segundo Daniel Katz, apresentar o projeto no evento permite dialogar com um público altamente qualificado e que já compreende as necessidades técnicas de manejo dos animais.
“A Nacional reúne pessoas que têm uma relação profunda com o cavalo e com o estilo de vida ligado ao campo. É o ambiente ideal para mostrar que o cavalo pode fazer parte da rotina diária de moradia”, concluiu o executivo.
