Dólar opera em alta e Bolsa recua, com repercussão de taxa de 25% dos EUA sobre o Brasil

Dólar opera em alta e Bolsa recua, com repercussão de taxa de 25% dos EUA sobre o Brasil

O dólar registrou alta nesta quinta-feira (16), enquanto a Bolsa de Valores brasileira, o Ibovespa, apresentou recuo. O cenário econômico é impactado pela decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros, anunciada na noite de quarta-feira (15). A medida encerra uma investigação conduzida sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA e tem vigência a partir de 22 de julho.

Apesar da nova tarifa, o comportamento da moeda americana é influenciado por outros fatores. Segundo Fábio Astrauskas, economista e fundador da Siegen Consultoria, os desdobramentos do conflito envolvendo o Irã, especialmente as negociações em torno do estreito de Hormuz, continuam a moldar a percepção de risco nos mercados globais, exercendo maior influência sobre o dólar do que a tarifa em si.

Às 12h36, o dólar avançava 0,33%, cotado a R$ 5,094. O Ibovespa, por sua vez, recuava 0,62%, atingindo 174.902 pontos.

Setor financeiro e juros no radar

Rebecca Nossig, analista de investimentos da Nomad, aponta que o desempenho do setor financeiro contribuiu para que o Ibovespa evitasse uma queda mais acentuada. Este setor, menos exposto ao comércio exterior, tem sido beneficiado pelas expectativas em torno da política monetária.

Dados recentes do IBGE indicam uma queda de 0,4% no volume de serviços em maio em comparação com abril, após uma alta de 1,1% no mês anterior. Esse resultado reforça a percepção de que o Banco Central pode ter margem para retomar os cortes na taxa básica de juros em reuniões futuras.

Lista de exceções e impactos setoriais

A confirmação da tarifa adicional de 25% pelos EUA veio acompanhada de uma lista de exceções que abrange cerca de 2.100 itens. Produtos relevantes para a pauta exportadora brasileira, como carne, café, laranja, suco de laranja e partes para a fabricação de aeronaves, foram incluídos nesta lista.

Para João Daronco, analista da Suno Research, a Bolsa não deve registrar movimentos bruscos ao longo do dia, pois as grandes empresas tendem a ser menos afetadas pela medida. Ele destaca que parte das companhias que poderiam sofrer impactos mais significativos foram contempladas pela lista de exclusões.

No entanto, segmentos como os de roupas, calçados, etanol e determinados produtos industriais poderão enfrentar perda de competitividade, compressão de margens e a necessidade de redirecionar a produção, segundo Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos.

Indicadores econômicos nos EUA e tensão no Oriente Médio

Nos Estados Unidos, a agenda econômica desta quinta-feira incluiu a divulgação de indicadores sobre consumo e mercado de trabalho. As vendas no varejo subiram 0,2% em junho, após uma alta revisada para 1,0% em maio, conforme dados do Census Bureau. O número de novos pedidos de auxílio-desemprego na semana encerrada em 11 de julho caiu para 208.000, indicando estabilidade no mercado de trabalho americano.

Investidores acompanham indicadores do mercado imobiliário, discursos de dirigentes do Federal Reserve (Fed) e um pronunciamento do presidente Donald Trump. A volatilidade no Oriente Médio e as ameaças de Trump de retomar ataques ao Irã continuam pressionando o mercado de petróleo.

O barril do Brent era negociado em torno de US$ 85, com alta de 1,09% na manhã desta quinta-feira. O Irã declarou o estreito de Hormuz como uma “linha vermelha” inviolável e advertiu que atacará infraestrutura americana na região do Golfo caso Trump cumpra a ameaça de bombardear instalações energéticas iranianas.

A ofensiva dos EUA, que incluiu a quinta noite consecutiva de bombardeios e o restabelecimento de um bloqueio naval aos portos iranianos, visa forçar a reabertura do estreito de Hormuz, segundo a Casa Branca.

Impacto potencial no Brasil: Custo fiscal e combustíveis

Um possível cessar-fogo da guerra no Oriente Médio é especialmente relevante para o Brasil. Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, explica que o governo sinalizou que, caso o barril de petróleo se estabilize próximo de US$ 80, medidas emergenciais de subsídio aos combustíveis poderiam ser retiradas, o que auxiliaria na contenção da inflação.

O mercado de juros futuros abriu a sessão com alta na curva, especialmente nos vencimentos mais longos. A taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,870%, e para janeiro de 2035, avançava para 14,425%. Gustavo Danilo Guimarães, especialista em renda fixa, destaca que a atenção do mercado se volta agora para a resposta do governo brasileiro ao tarifaço. Segundo ele, uma eventual retaliação comercial ou a adoção de novas medidas de apoio aos setores mais afetados pode elevar os custos fiscais do governo.

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