Imobiliárias em 2026: o que o brasileiro busca no setor, segundo pesquisa com 2.500 pessoas
Em 2026, o mercado imobiliário brasileiro passa por transformações, e entender as expectativas do consumidor é fundamental para o sucesso das imobiliárias. Uma pesquisa recente da Offerwise, realizada em março de 2026 com 2.500 brasileiros, detalha o que os clientes esperam e o que já aprovam nesses serviços. Os dados apontam que, embora a demanda por compra e locação seja alta, há oportunidades significativas de aprimoramento no atendimento e na experiência do cliente.
A pesquisa, intitulada “O que o brasileiro pensa sobre as imobiliárias”, revela que fatores como transparência no processo e pressão para fechar negócio afastam os clientes dos corretores. Por outro lado, serviços que garantem segurança, expertise e facilidade na resolução de burocracias são altamente valorizados. Cerca de 50% das famílias com renda acima de R$ 2,5 mil pretendem comprar um imóvel, e 35% planejam essa aquisição ainda em 2026, indicando um cenário aquecido, mas com nuances importantes para o setor.
Principais oportunidades e desafios no setor imobiliário
A pesquisa aponta que o papel da imobiliária é reconhecido como estratégico, mas sua atuação, em geral, abrange apenas parte da jornada do cliente. Em 2026, 77% dos proprietários com imóveis para venda e 71% dos que buscavam locatários recorreram a serviços imobiliários em algum momento. No entanto, apenas 49% das transações de compra/venda e 43% das de locação foram realizadas integralmente com o auxílio de imobiliárias, demonstrando um espaço considerável para maior participação.
Proprietários tendem a conduzir etapas como visitação (58%), divulgação (54%) e negociação final (50%) sem a intermediação completa de imobiliárias. Essa autonomia percebida, em algumas fases, sugere a necessidade de as empresas oferecerem um valor agregado mais claro e abrangente em todas as etapas do processo.
Por que o cliente hesita em contratar uma imobiliária?
A hesitação em contratar serviços imobiliários não se resume apenas à comissão, embora este seja um fator relevante. A pesquisa da Offerwise indica que a busca por maior rapidez nos processos (36% para venda) e menor burocracia também pesam significativamente. A expectativa por autonomia no processo (31% para venda) e a percepção de que os processos imobiliários são mais burocráticos (27% para venda) também aparecem como barreiras.
Outros motivos incluem a falta de confiança (17% para venda) e experiências negativas anteriores (15% para venda), evidenciando a importância da reputação e da qualidade do atendimento. Para 34% dos entrevistados, a falta de transparência sobre custos também é um ponto de atenção.
“Na Roque, entendemos que a resistência à comissão raramente está ligada apenas ao preço, mas sim à falta de clareza sobre o valor entregue. Por isso, nosso foco é dar visibilidade ao que acontece em cada etapa. Na prática, mostramos como nossa atuação reduz riscos, evita prejuízos e pode melhorar o resultado financeiro da operação. Quando o cliente compreende esse impacto, a comissão passa a ser percebida como investimento, e não custo.”
Cássio Roque, CEO da Roque Imóveis
O que os brasileiros buscam e aprovam em uma imobiliária
Os clientes que utilizam imobiliárias valorizam a garantia de segurança no processo (90%), a expertise na análise de documentos (89%) e a facilidade em resolver burocracias e elaborar contratos (88%). Esses pilares são fundamentais para a satisfação e a fidelização do cliente.
Em termos de perfil, proprietários, especialmente os mais velhos e de maior poder aquisitivo, veem as imobiliárias como facilitadoras. Locatários buscam agilidade e digitalização, enquanto compradores apresentam um perfil híbrido, valorizando autonomia, mas contratando profissionais conforme a complexidade do negócio.
Principais frustrações com corretores e imobiliárias
As maiores frustrações apontadas pelos clientes em relação à atuação de corretores e imobiliárias em 2026 são:
- Demora no retorno: citada por 39% dos recém-contratantes.
- Pressão para fechar o negócio: afeta 36% dos entrevistados.
- Falta de transparência sobre custos: frustra 34% dos recém-contratantes.
- Informações incompletas: relatada por 31% dos respondentes.
- Dificuldade para negociar: percebida por 31% dos clientes que já utilizaram o serviço.
Esses pontos indicam a necessidade de um atendimento mais ágil, transparente e focado nas necessidades do cliente, evitando a sensação de “perda de controle” na negociação.
Digitalização e o futuro do mercado imobiliário
O ambiente digital é o primeiro passo para a maioria dos consumidores na busca por imóveis, com sites e aplicativos sendo amplamente consultados. A preferência majoritária é por um equilíbrio entre o digital e o presencial, mas regiões como São Paulo e Rio de Janeiro mostram maior abertura a processos 100% digitais.
A geração Z exige uma linguagem ágil e o consumo de informação em formato de vídeos, além de valorizar “provas sociais” como depoimentos e recomendações. Imobiliárias que investirem em comunicação digital assertiva e que demonstrem valor percebido terão maior chance de atrair e converter esse público.
Cenário de otimismo, mas com desafios
Apesar das incertezas políticas e da taxa de juros elevada, o mercado imobiliário em 2026 demonstra otimismo. Mais da metade dos interessados em comprar ou alugar afirma que o cenário eleitoral não influencia seus planos. A boa notícia é que a satisfação geral com os serviços prestados é alta: 86% dos compradores e 70% dos locatários se declararam satisfeitos, com 81% dos clientes dispostos a recontratar.
O endividamento familiar é um entrave, mas imobiliárias que focam na qualificação de leads, orientação financeira e aproximação com instituições de crédito conseguem contornar esses desafios. A valorização das etapas burocráticas, segurança e análise de documentos reforça a importância do papel profissional e especializado que imobiliárias e corretores oferecem quando bem executados.
