Condomínios no DF disparam 17% em 4 meses impactando orçamento de moradores com reajustes acima da inflação

Custo de vida em condomínios residenciais no Distrito Federal sobe acima da inflação e já preocupa moradores com reajustes significativos em 2026

O custo para residir em condomínios no Distrito Federal voltou a registrar elevação superior à inflação, preocupando os moradores que já lidam com aumentos no aluguel, taxas extras e despesas diárias. Um levantamento da Loft, empresa de tecnologia e serviços financeiros para o mercado imobiliário, indica que a taxa média de condomínio no DF apresentou um crescimento de 17% entre janeiro e abril deste ano, comparado ao mesmo período de 2025. Esse índice alcançou uma média mensal de R$ 593.

Os dados foram compilados a partir de 6.846 anúncios residenciais divulgados em plataformas digitais imobiliárias. Algumas regiões específicas se destacaram pelo expressivo aumento percentual. Samambaia Norte lidera o ranking, com uma valorização de 67%, passando de R$ 240 para R$ 400 em apenas doze meses. Outras localidades como Guará II (+46%), Asa Sul (+44%) e Ceilândia Norte (+40%) também registraram elevações consideráveis.

Fábio Takahashi, gerente de dados da Loft, atribui parte desse aumento à introdução de novos empreendimentos residenciais na região. “Essas altas costumam refletir mudanças na composição dos anúncios. A entrada de novos empreendimentos, especialmente condomínios-clube, pode elevar rapidamente a média, mesmo quando o valor final ainda é relativamente acessível”, explicou.

Apesar do crescimento mais acentuado em áreas consideradas populares, o Plano Piloto ainda concentra os valores mais elevados de taxas condominiais no DF. O Setor Noroeste apresenta a maior média mensal, atingindo R$ 1.163, mesmo com uma redução de 27% no período avaliado. A Asa Sul chegou a R$ 1.150 mensais após uma alta de 44%, enquanto a Asa Norte registrou R$ 982, com um aumento de 31%.

Daniel Claudino, especialista em mercado imobiliário, ressalta que reajustes que superam a inflação não são, por si só, abusivos, desde que justificados por despesas reais do condomínio. Ele aponta que os maiores fatores de impacto geralmente incluem custos com portaria, manutenção predial, segurança privada e folha de pagamento.

“O problema aparece quando o aumento chega sem prestação de contas, sem orçamento aprovado e sem base factual. Nesse caso, sim, pode-se questionar o caráter abusivo”, afirmou.

Claudino lembra que a decisão de aumentar a taxa condominial não cabe apenas ao síndico. Conforme o artigo 24 da Lei de Condomínios (Lei n.º 4.591/1964) e o artigo 1.350 do Código Civil, a elevação da taxa exige a convocação de uma assembleia com pauta específica.

“Participar ativamente das assembleias é a principal ferramenta do proprietário para influenciar como o dinheiro coletivo é gerido”, destacou.

Morador do Guará II, o agente de vendas André Luid Xavier, de 25 anos, sente o peso do aumento na taxa condominial em seu orçamento. A região, segunda com maior crescimento no DF (+46%), viu o valor subir consideravelmente desde que ele se mudou há sete anos. “Lembro que entrei pagando próximo de R$ 400 e agora já está perto de R$ 500. Mesmo dividindo o apartamento com mais dois colegas, o aumento impacta na rotina financeira”, relatou.

André considera que os serviços oferecidos não justificam o valor atual da taxa, que inclui apenas brinquedoteca e quadra, sem piscina ou sauna. Ele acredita que os custos mais elevados estejam ligados à segurança e à limpeza.

A jornalista Jessica Nascimento, 34 anos, moradora de Águas Claras (com aumento de 30%), notou o acréscimo nas despesas desde que se mudou em 2024. Ela e o marido pagam R$ 750 de condomínio, com água e gás inclusos. “Caso aumente ainda mais, a situação vai ficar complicada, porque o aluguel também subiu desde que nos mudamos”, disse.

Apesar de o condomínio oferecer academia, piscina, sauna e mercadinho, medidas de contenção de gastos já afetaram os moradores. “Tínhamos segurança à noite, mas em assembleia foi decidido que os seguranças teriam que sair porque, se não, o condomínio iria aumentar. Então perdemos algo importante”, lamentou Jessica, que também critica a cobrança de R$ 100 para uso da churrasqueira, que está em reforma há cinco meses.

Daniel Claudino reforça que os proprietários têm o direito de fiscalizar as contas, solicitando acesso a contratos, relatórios financeiros e atas de assembleia. “O exercício ativo da fiscalização é, na maior parte das vezes, mais eficaz e menos desgastante do que a via judicial”, pontuou.

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