Propriedade Compartilhada Redefine o Luxo Imobiliário: Alta Renda Busca Acesso Qualificado em Residence Clubs

Alta renda descobre o acesso qualificado em residence clubs, transformando a relação com segundas residências no Brasil

O mercado imobiliário de luxo no Brasil presencia uma mudança significativa na percepção de segunda residência. Deixando para trás o conceito de posse integral como símbolo de conquista, o foco agora se volta para o acesso qualificado a imóveis, serviços e hospitalidade de alto padrão. Essa transição é marcada pela ascensão dos residence clubs, um modelo que vai além das tradicionais férias compartilhadas e busca oferecer um ecossistema de lifestyle para consumidores exigentes. A proposta se alinha a um comportamento já consolidado internacionalmente, onde marcas de luxo como Four Seasons e Kempinski já integram propriedade fracionada a resorts e serviços exclusivos.

Francisco Costa Neto, managing partner da Beta Advisory, consultoria especializada no segmento, explica a dinâmica. “O mercado não está migrando simplesmente da propriedade para o uso. Está migrando da posse isolada para o acesso qualificado,” afirma. Para a alta renda, a conveniência de chegar e usar um imóvel, com toda a infraestrutura de manutenção, segurança, gastronomia e governança, sem o ônus da gestão, torna-se o principal atrativo. A eficiência patrimonial e a menor imobilização de capital surgem como benefícios secundários.

O mercado brasileiro de propriedades compartilhadas já demonstra um volume expressivo. Segundo a Core Intelligence, o país conta com 224 empreendimentos, totalizando 44 mil unidades habitacionais e 1,3 milhão de frações, com um potencial de venda de R$ 100 bilhões. No segmento de timeshare, os números são de 43 hotéis, 11,8 mil unidades habitacionais e 116 mil clientes, com potencial de vendas de R$ 1,6 bilhão. Esses dados, referentes a 2025, indicam uma forte demanda por modelos de acesso compartilhado.

O luxo contemporâneo se define pelo acesso e pela experiência

A concepção de luxo contemporâneo para a alta renda se distancia da posse exclusiva e se aproxima do acesso estratégico a ativos e experiências. Ser dono de um imóvel de alto padrão continua sendo relevante, mas já não é suficiente para diferenciar um projeto. A capacidade de transformar um espaço físico em um ecossistema completo, que engloba gastronomia, bem-estar, esportes, serviços, atividades culturais, comunidade e uma marca forte, é o que define os empreendimentos de sucesso.

As análises da Core Intelligence revelam uma mudança no foco do mercado, que passou de “quantas semanas consigo vender?” para “qual comunidade consigo construir?”. Nesse contexto, a marca se torna um diferencial crucial. Uma marca consolidada em projetos compartilhados de alta renda contribui para a sustentação de preços, aceleração de conversões, qualificação do público e aumento da recompra e indicações. “Em residence clubs e destinos proprietários, a marca precisa estar ligada à entrega, operação e experiência. A assinatura só tem valor quando o cliente percebe consistência,” pontua Neto. Para o comprador, a marca funciona como um selo de garantia da qualidade prometida, enquanto para o incorporador, representa um ativo econômico valioso.

Consolidação dos residence clubs no cenário nacional

Exemplos como o Resid Club em Búzios (RJ) ilustram a consolidação dessa nova categoria no Brasil. Com o conceito de “luxo descalço”, o empreendimento une casas e bangalôs compartilhados, um beach club exclusivo e uma experiência proprietária única, contando inclusive com a curadoria gastronômica do chef Alex Atala.

A Aviva também tem impulsionado o segmento com o InCasa Private Residence Club em Rio Quente (GO), integrado ao complexo Rio Quente Resorts, oferecendo casas privativas de alto padrão com serviços pay-per-use e concierge. Adicionalmente, a empresa lançou o InCanto Residence Club na Costa do Sauípe (BA), com previsão de inauguração para 2029, apostando em experiências exclusivas e um modelo inovador de gestão de pontos.

Outras iniciativas, como a OwnerInc em Gramado (RS), focam no desenvolvimento e gestão de propriedades residenciais compartilhadas premium. O movimento dos residence clubs no Brasil vai além de um simples produto imobiliário, integrando propriedade, hospitalidade, marca e comunidade. A proposta é oferecer uma solução premium para quem busca acessar ativos de alto valor, diluindo custos, gestão e ineficiências da posse integral, com o objetivo de construir pertencimento e inaugurar uma nova lógica de consumo para a alta renda.

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