Incorporadora Trisul troca comando pela 1ª vez em 4 décadas
A Trisul, uma das incorporadoras mais tradicionais do mercado imobiliário paulistano, realizou uma significativa mudança em sua liderança pela primeira vez em mais de 40 anos. O movimento marca um novo capítulo para a empresa, que manteve seu fundador, Jorge Cury, à frente das operações por quatro décadas.
Jorge Cury deixou o cargo de presidente executivo para assumir a presidência do Conselho de Administração. Em seu lugar, assume a posição de CEO João Azevedo, que ingressou na companhia há dois anos como vice-presidente de operações. A transição é fruto de um planejamento iniciado há dois anos, a convite do próprio Cury.
Mudança planejada e foco na continuidade
A troca de comando foi anunciada na semana passada e é resultado de um planejamento estratégico que começou há cerca de dois anos, quando João Azevedo foi convidado por Jorge Cury para integrar a equipe com o intuito de, eventualmente, assumir a liderança executiva. Azevedo possui uma vasta experiência de quase 30 anos no mercado imobiliário, tendo ocupado posições de C-level em empresas como Gafisa e Even.
Jorge Cury ressaltou a natureza administrada e preparada da mudança, afirmando: “O João Azevedo assume a liderança com energia e uma geração nova a ser capitaneada por ele. É uma mudança administrada, preparada e confirmada hoje.” A comunicação reforça que não haverá ruptura na gestão.
“Aqui não tem ruptura. O Jorge Cury não se afasta da empresa. Ele continuará presente. A mensagem aqui é de continuidade, sem solavancos.” – João Azevedo
Estratégia de atuação nos diferentes segmentos
A estratégia da Trisul sob a nova liderança visa manter a atuação em dois segmentos principais na cidade de São Paulo: o econômico, dentro das faixas 3 e 4 do programa Minha Casa, Minha Vida, e o médio e médio-alto padrão. Essa dualidade se fortaleceu nos últimos anos.
Há cerca de três anos, a incorporadora retomou sua participação no programa habitacional do governo federal. Essa decisão foi motivada pelo aumento da taxa de juros, que encareceu o crédito para a classe média e impactou as vendas nesse segmento. Em contrapartida, o Minha Casa, Minha Vida, com financiamentos subsidiados por recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), manteve o mercado aquecido.
Para viabilizar a atuação nos diferentes públicos, a Trisul precisou separar suas equipes comerciais e de engenharia, dado o distanciamento entre os perfis dos imóveis. Atualmente, metade dos lançamentos da empresa ocorrem no âmbito do Minha Casa, Minha Vida.
“O grande desafio esteve aí, na preparação da empresa para essas operações. Hoje a empresa está pronta. O novo desafio é continuar operando bem e aproveitando as oportunidades de compras de terrenos”, afirmou Cury.
Mercados e perspectivas futuras
No programa habitacional, a Trisul desenvolve apartamentos com valores de até R$ 600 mil. Já no segmento de médio e médio-alto padrão, os imóveis variam de R$ 600 mil a R$ 2,25 milhões, com foco nas famílias de maior poder aquisitivo.
Jorge Cury observou que a classe média, dependente de financiamento, tem se mantido em compasso de espera. “Quando os juros baixarem, queremos voltar a lançar para a classe média, porque é um mercado muito grande. Foi esse segmento que motivou os IPOs de empresas como nós, Eztec, Even e outras lá trás.”
O alto estoque de imóveis em São Paulo não é considerado uma preocupação para incorporadoras com produtos assertivos em preço, planta e localização, segundo Cury.
