Imóveis de R$ 146 milhões em negociação revelam detalhes de suposto esquema milionário envolvendo ex-presidente do BRB e ex-banqueiro

Mensagens revelam negociação de imóveis luxuosos de até R$ 146 milhões entre ex-presidente do BRB e ex-banqueiro como contrapartida a operação do Banco Master

Um conjunto de mensagens trocadas entre o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro detalha a negociação de imóveis em Brasília e São Paulo. Esses bens de alto padrão, com valor total estimado em R$ 146 milhões, teriam sido oferecidos como contrapartida pela aquisição de parte do Banco Master. As conversas embasaram a decisão de prisão preventiva de Costa, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em Brasília, o Residencial Ennius Muniz, localizado no Noroeste, foi mencionado nas negociações. O empreendimento de alto padrão oferece unidades com áreas que variam de 291 m² a 590 m², com preços a partir de R$ 4 milhões. Outro imóvel citado na capital federal é o empreendimento Valle dos Ipês, no Setor Habitacional Jardim Botânico. Ainda em construção, este condomínio contará com apartamentos entre 147 m² e 414 m², com previsão de entrega para 2028 e área de lazer completa, mas os valores das unidades não foram divulgados.

As negociações também abrangeram empreendimentos de luxo em São Paulo. O Edifício Heritage, situado no Itaim Bibi, apresenta unidades de até 1.036 m², com valores estimados entre R$ 39,5 milhões e R$ 50 milhões. Já o Edifício Arbórea, localizado na Avenida Cidade Jardim, oferece apartamentos com até 1.070 m², cujos preços variam de R$ 22,5 milhões a R$ 200 milhões.

Outros imóveis mencionados nas trocas de mensagens incluem o Edifício One Sixty, na Vila Olímpia, com unidades entre 275 m² e 343 m², avaliadas entre R$ 14,4 milhões e R$ 45 milhões. O Casa Lafer, na esquina da Rua Lopes Neto com a Avenida Horácio Lafer, também foi listado, com apartamentos de 424 m² e preços que podem oscilar entre R$ 23,3 milhões e R$ 105 milhões.

A decisão do ministro do STF, André Mendonça, indica que as mensagens entre Costa e Vorcaro demonstram “fortes indícios” de ajuste de um valor milionário a título de corrupção, que deveria corresponder a um certo número de imóveis de luxo. O ministro apontou que Paulo Henrique Costa atuava como mandatário de Daniel Vorcaro no BRB, recebendo em troca imóveis avaliados em cerca de R$ 150 milhões.

Um parecer do procurador-geral da República sustenta que os elementos coletados pela Polícia Federal indicam a atuação de uma organização criminosa voltada à fabricação e venda de carteiras de crédito fictícias do Banco Master ao BRB, com participação de agentes do banco privado e da alta administração do banco público.

Paulo Henrique Costa foi considerado peça essencial para viabilizar a aquisição das carteiras fraudulentas, recebendo, em contrapartida, seis imóveis de alto padrão em São Paulo e Brasília, avaliados em R$ 146.582.649,50, dos quais R$ 74.604.932,47 já teriam sido pagos. A Polícia Federal destacou que o pagamento integral dos valores acordados não se concretizou porque o ex-banqueiro teve conhecimento da investigação sigilosa.

Mesmo após a constatação, em junho de 2025, de que o BRB havia adquirido cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras falsas do Banco Master, a instituição teria mantido a parceria e continuado a adquirir novos ativos do mesmo parceiro.

O advogado de Paulo Henrique Costa, Cleber Lopes, considerou a prisão de seu cliente “absolutamente desnecessária”, argumentando que ele não representa perigo para a instrução criminal ou para a ordem pública.

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