Mercado imobiliário de alto padrão prioriza saúde e bem-estar em detrimento de ostentação
O valor de um imóvel de luxo transcendeu a simples métrica de tamanho ou a presença de marcas renomadas. Atualmente, a principal métrica de valorização reside na capacidade do imóvel de promover ativamente a saúde e o bem-estar de seus moradores. Essa mudança conceitual é refletida no mercado global de wellness real estate, que alcançou US$ 876 bilhões em 2025, com projeções de dobrar de tamanho até 2030, segundo dados do Global Wellness Institute de maio de 2026. Este segmento representa a categoria de maior crescimento dentro da economia do bem-estar, avaliada em US$ 6,3 trilhões.
A palavra “luxo”, originária do latim “luxuria”, que remete a excesso e abundância, historicamente carregou conotações variadas. No mercado imobiliário brasileiro, a interpretação frequentemente se limitou a aspectos superficiais como amplas metragens, pé-direito elevado e uso abundante de mármore. Entretanto, a ênfase exclusiva nesses elementos, sem considerar a adequação à vida do morador, resulta em ostentação em vez de refinamento.
A ascensão das “branded residences”, empreendimentos que licenciam nomes de marcas de luxo como Pininfarina, Versace Home e Porsche Consulting, demonstra a busca por valor agregado percebido. Globalmente, essas residências comandam um prêmio de preço entre 24% e 52% sobre imóveis comparáveis, conforme a Savills. Contudo, para que essa associação seja genuína, a essência da marca deve estar intrinsecamente ligada ao projeto, aos materiais e à experiência diária, evitando a venda de “símbolos sem substância”.
Compradores de alto padrão globalmente migraram do “espetáculo” para a “intenção”, valorizando a integridade arquitetônica, privacidade, qualidade construtiva e a capacidade de sustentar o bem-estar a longo prazo. O ambiente construído é reconhecido como fator determinante para cerca de 85% dos desfechos de saúde humana. Em 2026, 60% dos consumidores americanos citaram saúde e bem-estar como principal motivador na escolha de imóveis, um aumento significativo em dois anos.
No Brasil, o mercado imobiliário de alto padrão apresentou crescimento expressivo em 2024 e 2025, com vendas de imóveis de luxo somando R$ 38 bilhões em 2024, um aumento de 46% em relação a 2023, segundo dados da CBIC e Brain Inteligência Estratégica. Em 2025, o segmento de alto padrão registrou um crescimento de 8,9% no VGV (Valor Geral de Vendas), mesmo com a taxa Selic elevada.
A região da América Latina e Caribe registrou a maior taxa de crescimento em wellness real estate entre 2019 e 2024, com 24% ao ano. A incorporadoras brasileiras enfrentam o desafio de acompanhar essa maturidade conceitual, respondendo não apenas sobre acabamentos e localização, mas, fundamentalmente, sobre como o imóvel impacta positivamente a vida de quem o habita.
