O sonho da casa própria parece ter ganhado um novo fôlego. O Santander Brasil retomou a prática de financiar até 90% do valor de imóveis em modalidades específicas, uma notícia que pode ser um divisor de águas para muitos brasileiros que buscam adquirir seu lar. Essa decisão bancária significa que, na teoria, o percentual da entrada exigida do comprador pode ser reduzido para apenas 10%, abrindo portas para quem antes via a barreira da entrada como um obstáculo intransponível.
Mas será que essa facilidade é para todos e quais são os reais impactos dessa mudança? Este guia prático foi elaborado para desmistificar o financiamento com 10% de entrada do Santander, oferecendo um panorama claro e completo para que você tome a melhor decisão para o seu futuro financeiro.
A revolução da entrada de 10%: o que realmente significa?
Tradicionalmente, a entrada para a compra de um imóvel no Brasil costuma variar entre 20% e 30% do valor total. Quando um banco decide financiar 90% do imóvel, como é o caso de algumas operações do Santander, o comprador necessita desembolsar apenas os 10% restantes como entrada. Em um cenário prático, se você deseja adquirir um imóvel de R$ 500 mil, por exemplo, a entrada exigida seria de R$ 50 mil, e não os R$ 100 mil ou R$ 150 mil que seriam necessários em outras condições.
Essa alteração, anunciada em maio de 2026, tem o potencial de aquecer o mercado imobiliário, especialmente para imóveis de médio padrão e aqueles destinados à primeira moradia. Conforme destacado pela BE BOLD IMÓVEIS, a redução da entrada é um fator crucial para muitas famílias que, embora tenham renda para arcar com as parcelas mensais, encontram dificuldade em acumular o montante inicial.
A notícia divulgada pelo Portas ressalta que essa flexibilização, embora significativa, não se torna uma regra automática. Em um imóvel de R$ 300 mil, a entrada poderia cair de R$ 60 mil para R$ 30 mil, liberando capital que pode ser direcionado para custos adicionais da compra, como impostos e taxas, ou mesmo para outras aplicações financeiras.
Por que a entrada é a grande vilã?
A necessidade de uma entrada substancial é frequentemente apontada como o principal obstáculo para a aquisição da casa própria no Brasil. Enquanto muitas pessoas demonstram capacidade de pagamento das parcelas mensais de um financiamento, a tarefa de juntar rapidamente um valor alto para a entrada se torna um desafio considerável, especialmente para jovens profissionais ou famílias que estão começando a construir seu patrimônio.
Com a possibilidade de financiar uma porcentagem maior do valor do imóvel, o acesso ao crédito se expande, permitindo que um número maior de pessoas saia do aluguel e realize o sonho de ter um lar. Essa dinâmica, por sua vez, tende a impulsionar o mercado, gerando mais negociações e, consequentemente, maior movimentação econômica no setor.
O outro lado da moeda: os custos de um financiamento maior
É fundamental entender que, embora a entrada menor seja um atrativo poderoso, ela também implica em um aumento do custo total do financiamento. Quanto maior o valor financiado, maiores serão:
- O valor das parcelas mensais;
- O montante total de juros pagos ao longo do contrato;
- O comprometimento financeiro do seu orçamento familiar.
Portanto, conseguir a aprovação para um financiamento com 10% de entrada não garante, por si só, que a compra seja financeiramente saudável para você. É indispensável realizar uma análise aprofundada de todos os fatores envolvidos para assegurar que a aquisição seja sustentável a longo prazo.
Quem tem o perfil para financiar 90%?
A decisão de conceder um financiamento, especialmente um com percentual de entrada reduzido, passa por uma análise criteriosa por parte do banco. O Santander, assim como outras instituições financeiras, avalia diversos aspectos do comprador para determinar o perfil de risco e a capacidade de pagamento. Os principais pontos considerados incluem:
- Renda: Comprovação de renda estável e compatível com o valor das parcelas.
- Score de crédito: Histórico de pagamento e relacionamento com o mercado de crédito.
- Relacionamento bancário: Tempo de relacionamento com a instituição, uso de outros produtos e serviços.
- Capacidade de pagamento: Análise do comprometimento da renda com o financiamento e outras despesas.
- Tipo de imóvel: Características do imóvel, sua liquidez e valor de mercado.
- Perfil da operação: Dados específicos sobre a transação imobiliária.
A Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) esclarece que, embora a regulação permita um percentual de financiamento de até 90% (LTV – Loan to Value), o mercado geralmente opera com uma média de 60% a 80%. Isso sugere que as condições de 90% tendem a ser oferecidas a clientes com melhor score de crédito, imóveis de maior liquidez e operações percebidas como de menor risco.
Além disso, fatores como se o imóvel é novo ou usado, o sistema de amortização escolhido, o prazo do financiamento e o relacionamento prévio com o banco também podem influenciar a aprovação e as condições oferecidas.
O impacto no mercado imobiliário
A flexibilização das condições de financiamento pelo Santander tem o potencial de gerar um impacto positivo e significativo no mercado imobiliário. A expectativa é de que isso impulsione, principalmente, o segmento de médio padrão e os imóveis voltados para a primeira residência. Quando o crédito se torna mais acessível, observa-se um aumento no número de compradores qualificados, o que, por sua vez, eleva a demanda e acelera o ritmo das negociações.
Essa dinâmica pode se traduzir em uma maior valorização dos imóveis ao longo do tempo, beneficiando tanto compradores quanto investidores. A movimentação do mercado, impulsionada por essa nova possibilidade de financiamento, pode estimular a construção civil e gerar mais oportunidades de negócio em toda a cadeia produtiva do setor.
A análise de crédito e os juros: pontos cruciais
É importante notar que a oferta de financiamento com 90% de entrada não está desassociada das taxas de juros. Em maio de 2026, enquanto o setor de crédito habitacional aguarda melhora com os cortes na Selic, as taxas de juros de longo prazo (cinco e dez anos) ainda se mantêm em patamares elevados, próximos de 13,6% a 13,7% ao ano, segundo a Abecip. Essas taxas impactam diretamente o valor das parcelas e a capacidade de pagamento dos consumidores.
As taxas do Santander, que variam entre 11,69% e 12,29% ao ano, dependendo do perfil do cliente, demonstram que a melhora no LTV não elimina a seletividade imposta pelo custo do dinheiro. Isso significa que o acesso a condições mais favoráveis de financiamento ainda dependerá do custo do crédito para o banco e, consequentemente, para o consumidor.
Fortalecendo o relacionamento bancário para melhores condições
Para o comprador, a mensagem é clara: a entrada menor facilita o acesso, mas a aprovação e as condições mais vantajosas dependerão cada vez mais do seu histórico e do relacionamento com a instituição financeira. Concentrar suas movimentações financeiras, como conta corrente, cartões de crédito, investimentos e até mesmo contas de pessoas jurídicas, em um único banco pode aumentar significativamente suas chances de obter aprovação e condições mais favoráveis.
Um relacionamento bancário aprofundado pode ser o diferencial para conseguir a aprovação em um financiamento com 90% de entrada, especialmente em um cenário onde a análise de crédito individual é rigorosa. Manter um bom score de crédito, pagar as contas em dia e utilizar os serviços do banco de forma consistente são estratégias essenciais.
Vale a pena aproveitar essa oportunidade?
A possibilidade de financiar 90% do imóvel com apenas 10% de entrada é, sem dúvida, uma excelente oportunidade para quem já vinha se planejando financeiramente para a compra do seu imóvel. Para essas pessoas, que já possuem uma reserva para a entrada e talvez até para custos adicionais, essa condição pode acelerar a realização do sonho da casa própria.
No entanto, o ponto mais crucial permanece: a compra de um imóvel deve ser feita de forma consciente e sustentável. É fundamental que a aquisição se encaixe na sua realidade financeira atual e futura. Antes de tomar qualquer decisão, realize um planejamento financeiro detalhado, considere todos os custos envolvidos (impostos, taxas, condomínio, IPTU, manutenção) e avalie o impacto das parcelas no seu orçamento mensal. A análise criteriosa de todas essas variáveis garantirá que você faça um bom negócio e conquiste seu imóvel sem comprometer sua saúde financeira.
