ETFs aceleram no Brasil e ampliam espaço na indústria de fundos
O cenário de investimentos no Brasil tem testemunhado uma aceleração notável dos Exchange Traded Funds (ETFs). Em um período de apenas 18 meses, o patrimônio sob gestão desses fundos negociados em bolsa mais que dobrou, saltando de R$ 54 bilhões no final de 2024 para expressivos R$ 120 bilhões atualmente. Essa expansão é impulsionada, em grande parte, pela crescente participação do investidor pessoa física.
Segundo dados da B3, nos últimos 12 meses, os ETFs registraram um avanço de 35% no número de investidores individuais e um impressionante aumento de 72% no valor em custódia. Esse movimento já alcança 823,4 mil pessoas, com R$ 31,1 bilhões custodiados, representando mais de 25% de todo o volume negociado em ETFs no país. O crescimento expressivo levou a XP Asset a entrevistar especialistas do produto, como Danilo Gabriel e Beatriz Batah, para analisar essa tendência.
Um mercado em crescimento, mas ainda no início
Apesar da ascensão recente, os ETFs ainda representam aproximadamente 1% da vasta indústria de fundos brasileira. Para se ter uma perspectiva, nos Estados Unidos, essa fatia do mercado ultrapassa os 35%. Danilo Gabriel, gestor de fundos indexados na XP Asset, destaca que a indústria brasileira de ETFs dobrou de tamanho nos últimos dois a três anos, saindo de menos de R$ 50 bilhões para os atuais R$ 120 bilhões sob gestão. “A gente vem caminhando na direção do que aconteceu lá fora, no nosso próprio formato”, afirma Gabriel.
A ascensão dos ETFs de renda fixa
Um dos pilares desse crescimento no Brasil tem sido a adaptação do produto ao perfil do investidor local. Em 2026, os ETFs de renda fixa superaram pela primeira vez os de renda variável em patrimônio. “Somos o país da renda fixa, a indústria de fundos é muito grande nessa classe”, explica Danilo Gabriel, evidenciando a importância dessa categoria para o mercado nacional.
Diversificação impulsiona a oferta e a demanda
A diversificação da oferta de ETFs tem sido um fator chave para atrair novos investidores. Em 2020, o mercado brasileiro contava com cerca de 30 produtos disponíveis. Hoje, esse número ultrapassa 500, cobrindo diversos índices e mercados, tanto no Brasil quanto no exterior. A XP Asset, por exemplo, ampliou sua grade de oito estratégias no final de 2025 para 22 fundos em apenas sete meses, com 14 lançamentos nesse período.
ETFs como peças de construção de carteira
A visão sobre o ETF está evoluindo de um ativo isolado para uma ferramenta estratégica na montagem de portfólios. Danilo Gabriel ressalta que “o ETF não é um fim em si mesmo, ele é um conduíte”. A XP Asset organiza sua oferta em torno dessa lógica, incluindo ETFs de renda fixa pós-fixada (como LTBX11, atrelado ao CDI), prefixada (PREX11), de inflação, e na renda variável, o BOVX11 – o primeiro ETF de taxa zero do mercado –, além de fundos que replicam o S&P 500 com e sem hedge cambial.
Gabriel aponta quatro frentes essenciais para o desenvolvimento contínuo do mercado de ETFs: educação financeira sobre o produto, diversificação da oferta, melhoria na experiência do usuário e um ambiente de juros mais favorável ao risco. Ele prevê que, com um cenário econômico mais propício ao investimento em ativos de maior risco, os ETFs “vão dar uma bela pernada”, devido à amplitude de opções disponíveis, que incluem alternativos, renda variável nacional e internacional, e ativos de risco em renda fixa.
Qualidade e disrupção na oferta de ETFs
Beatriz Batah, sócia da XP Inc e responsável pela distribuição de ETFs na XP Asset, enfatiza a estratégia da empresa focada em qualidade e diferenciação, em vez de um simples aumento quantitativo. Entre os lançamentos recentes, destacam-se os ETFs de inflação, que oferecem exposição direta aos vértices de IPCA com vantagens tributárias e operacionais sobre o Tesouro Direto. Outros exemplos incluem ETFs prefixados (IRF-M), pós-fixados sem IOF (LTBX11), atrelados à Selic (LFTX11), que replica o Ibovespa (BOVX11), e o XFIX11, o primeiro ETF imobiliário do Brasil, que replica o IFIX.
“Nossa estratégia de lançamento de novos ETFs não é lançar por lançar. A gente foca em nosso principal alicerce: a qualidade”, reitera Batah. “Todos os ETFs que a gente está lançando se diferenciam no mercado por terem preço mais competitivo, gestão mais eficiente ou serem realmente disruptivos.” Essa abordagem garante que os produtos oferecidos agreguem valor real ao portfólio dos investidores.
