Advogado de 27 anos adquire luxuoso apartamento em Brasília com recursos do Banco de Brasília, levantando investigações sobre possível relação com negócios do grupo J&F.
Caio Carvalho Barros, advogado de 27 anos e filho do então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, adquiriu um apartamento duplex avaliado em R$ 9,2 milhões em março de 2025. A transação foi parcialmente financiada pelo Banco de Brasília (BRB), instituição financeira controlada pelo DF e que se encontra sob escrutínio devido a operações envolvendo o liquidado Banco Master. A aquisição ocorre em um momento em que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS investiga uma possível conexão entre este negócio e a entrada da PicPay, empresa do grupo J&F, na gestão do governo de Ibaneis Rocha.
O imóvel de alto padrão, com 467 metros quadrados, está localizado no Noroeste, um bairro de Brasília conhecido por seus empreendimentos imobiliários de luxo e alta valorização. A escritura revela que Caio Barros desembolsou R$ 3.346.000 diretamente ao vendedor, o empresário Claudio Mohn França, enquanto os R$ 5.904.000 restantes foram obtidos via financiamento do BRB, com parcelas mensais de R$ 64.844,69. Caio Barros reside atualmente no apartamento.
O duplex pertencia anteriormente a José Antônio Batista Costa, presidente da J&F Participações e do Conselho de Administração do PicPay, além de ser sobrinho dos empresários Joesley e Wesley Batista. A empresa de José Antônio Batista Costa negou qualquer negociação direta com Caio Carvalho Barros para a venda do imóvel.
A cadeia de transações para a aquisição do duplex indica que José Antônio Batista Costa recebeu o imóvel em julho de 2024 como parte do pagamento pela venda de uma casa de R$ 28 milhões no Lago Sul. Ele repassou R$ 2,4 milhões via transferência bancária e se comprometeu a pagar R$ 15,5 milhões em prestações a partir de setembro de 2024. Os R$ 10 milhões restantes foram quitados com o próprio duplex, que ele havia comprado na planta por R$ 5,5 milhões em setembro de 2023.
Caio Barros afirmou que a compra do imóvel não possui qualquer vínculo com negócios de seu escritório, como a venda de um honorário de R$ 38 milhões para um fundo ligado à Reag Investimentos – empresa investigada no caso do Banco Master. Ele declarou que reuniu o valor da entrada com doações de seus pais, Ibaneis Rocha e sua mãe, e que o financiamento com o BRB foi escolhido pelas condições de crédito oferecidas. Segundo o advogado, ele conheceu o executivo da J&F “da vida”, mas desconhecia que ele fora proprietário do duplex. A negociação com Claudio França ocorreu por intermédio de uma corretora.
“Minha mãe me deu um pedaço, meu pai me deu outro pedaço. Nenhum dos valores veio do escritório, foi completamente fora do escritório. Eu paguei, financiei o saldo e estou pagando as parcelas hoje”, declarou Caio Barros.
