Centro-Oeste assume protagonismo em imóveis de alto padrão
O mercado imobiliário brasileiro em 2026 demonstra uma significativa descentralização do eixo Rio-São Paulo, com o Centro-Oeste emergindo como um polo de atração para o segmento de alto padrão. Brasília e Goiânia consolidam suas posições, refletindo uma mudança no panorama nacional da demanda por imóveis de luxo.
O Índice de Demanda Imobiliária (IDI-Brasil) aponta que Brasília manteve a liderança nacional na procura por imóveis de luxo pelo segundo trimestre consecutivo. Goiânia, por sua vez, ascendeu para a terceira posição no ranking, consolidando a força da região. São Paulo figura na vice-liderança, evidenciando a dinâmica competitiva entre essas metrópoles.
Brasília: estabilidade e demanda qualificada no alto padrão
A liderança de Brasília no segmento de alto padrão, com um indicador de 0,880, é resultado de uma combinação de fatores. A cidade apresenta renda elevada, impulsionada pela estabilidade do funcionalismo público, e uma demanda com baixa elasticidade frente aos ciclos econômicos. Esse cenário oferece às incorporadoras um mercado com absorção qualificada e menor exposição a riscos especulativos, diferentemente de praças mais voláteis.
São Paulo aparece em seguida, com 0,857, mostrando a persistência do seu mercado de luxo, mas ressaltando a ascensão das capitais do Centro-Oeste.
Goiânia reforça velocidade de absorção e dinamismo econômico
Goiânia registrou uma ascensão notável, saindo da quarta para a terceira posição no ranking. A capital goiana se destaca pela forte velocidade de vendas em lançamentos e pela procura ativa por propriedades de luxo. Esse dinamismo é impulsionado pelo crescimento econômico regional e pela consolidação de empreendimentos como condomínios horizontais e bairros planejados, direcionados ao público de alta renda.
O Centro-Oeste, portanto, não compete apenas por preço de terreno, mas pela profundidade e qualificação da sua demanda imobiliária.
Demanda pulverizada e o papel das cidades médias
O levantamento do IDI-Brasil também evidencia uma tendência de pulverização da demanda imobiliária. Além das capitais, outras cidades como Curitiba, Rio de Janeiro, Fortaleza, Porto Belo (SC), Belo Horizonte, São Luís e Florianópolis aparecem no top 10 do alto padrão. O notável salto de São Luís, da 26ª para a 9ª posição, ilustra o potencial de mercados antes considerados secundários.
No segmento de médio padrão, voltado para famílias com renda entre R$ 12 mil e R$ 24 mil mensais, cidades médias e polos regionais também ganham espaço. Para o setor, a análise de mercado deve considerar a renda local, a velocidade de absorção e o apetite por novos produtos, além do tamanho absoluto da cidade.
O padrão econômico, para famílias com renda entre R$ 2 mil e R$ 12 mil, apresenta maior estabilidade, com Fortaleza mantendo a liderança, seguida por São Paulo, Curitiba e Goiânia, um padrão observado desde outubro de 2025.
A metodologia do IDI-Brasil avalia a atratividade de cidades para novos projetos imobiliários com base em diversos indicadores, incluindo demanda, dinâmica econômica e oferta. Segundo informações divulgadas pelo Portas, a análise combina fatores que resultam em um ranking de atratividade, com valores mais altos indicando maior potencial.
