Aluguel dispara acima da inflação e Nordeste lidera valorização imobiliária no Brasil em 2026

O mercado de aluguel residencial no Brasil voltou a apresentar um ritmo de valorização acelerado em abril de 2026, com os preços avançando 1,04% no mês, superando os 0,84% registrados em março. Este percentual representa a maior variação mensal desde abril de 2025, indicando uma tendência de alta consistente. O levantamento, que abrange 36 cidades brasileiras, também revela um cenário de preocupação para as famílias que dependem de aluguel, ao mesmo tempo em que se mostra promissor para investidores.

No acumulado dos últimos 12 meses, os aluguéis acumularam uma valorização de 8,40%. Este desempenho é quase o dobro da inflação oficial, medida pelo IPCA, que fechou em 4,39% no mesmo período. O cenário também supera amplamente o IGP-M, que registrou uma alta de apenas 0,61% nos últimos 12 meses. Esses dados evidenciam a pressão sobre o custo de vida para inquilinos e a atratividade do setor imobiliário para quem busca renda recorrente.

Nordeste assume a liderança na valorização de aluguéis

Uma mudança significativa no panorama imobiliário brasileiro é a ascensão das capitais nordestinas na liderança dos reajustes de aluguel. Aracaju se destacou como a capital com a maior alta mensal em abril, registrando um avanço de 3,93%. Teresina seguiu o movimento, com uma valorização de 2,14%.

Olhando para o acumulado de 12 meses, Aracaju lidera o ranking nacional com uma disparada de 17,71% nos preços de aluguel. Segundo o economista Alex Araújo, essa valorização em certas capitais nordestinas está reconfigurando a dinâmica do mercado de locação, impulsionando os preços para cima, acima da inflação oficial.

Outras capitais registram aceleração em abril

Além das cidades nordestinas, outras regiões também apresentaram forte crescimento nos preços de aluguel em abril. Campo Grande registrou uma alta de 2%, Brasília avançou 1,99% e João Pessoa teve um crescimento de 1,91%. Fortaleza apresentou alta de 1,54%, enquanto Rio de Janeiro e Belo Horizonte subiram 1,51% e 1,37%, respectivamente. São Paulo ficou abaixo da média nacional, com valorização de 0,90% no mês. Recife e Salvador apresentaram altas mais moderadas, de 0,32% e 0,25%, respectivamente.

São Paulo mantém o aluguel mais caro, apesar de não liderar reajustes

Apesar de não estar na dianteira dos reajustes recentes, São Paulo continua a registrar o metro quadrado mais caro entre as capitais analisadas pelo Índice FipeZAP. Em abril, o valor médio do aluguel na capital paulista alcançou R$ 64,20 por metro quadrado. Belém aparece próxima, com uma média de R$ 63,43/m², seguida de perto por Recife, com R$ 63,39/m². Florianópolis e Rio de Janeiro completam o top 5, com R$ 61,07/m² e R$ 58,48/m², respectivamente.

Na ponta oposta, Teresina se mantém como a capital com o aluguel mais acessível, com um preço médio de R$ 30,28/m². Campo Grande aparece em seguida, com média de R$ 31,37/m².

Apartamentos maiores lideram a valorização no mercado

A demanda crescente por imóveis familiares também impactou o comportamento do mercado em abril. Apartamentos com três dormitórios foram os que mais se valorizaram no mês, com alta de 1,14%. Unidades de dois quartos apresentaram aumento de 1,11%, enquanto imóveis de um dormitório subiram 1,08%. Apartamentos com quatro ou mais dormitórios tiveram uma leve alta de 0,17%, indicando maior estabilidade.

No acumulado de 12 meses, os imóveis de três quartos continuam na liderança da valorização, com um crescimento de 9,24%.

Rentabilidade do aluguel se mantém atrativa para investidores

A rentabilidade média do aluguel residencial atingiu 6,08% ao ano em abril, calculada pela relação entre o valor da locação e o preço de venda dos imóveis. Mesmo com a Taxa Selic em patamares elevados, algumas cidades oferecem retornos significativos para investidores.

Recife lidera o ranking de rentabilidade entre as capitais, com um yield médio anual de 8,55%. São Paulo apresenta um retorno médio de 6,37%, e o Rio de Janeiro, de 6,17%. Entre todas as cidades monitoradas, Santos se destaca com o maior retorno anual, de 8,58%. Na outra extremidade, Vitória registra um yield de 4,28%, seguida por Fortaleza (4,64%) e Curitiba (4,74%).

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