Governo prorroga Desenrola; especialistas dão dicas para quitar dívidas
O governo federal estendeu até o dia 31 de agosto o prazo para que brasileiros possam aderir ao programa Desenrola, uma iniciativa voltada para a renegociação de dívidas. Em um cenário onde o endividamento é uma realidade para muitos, o programa oferece condições atrativas, como descontos que podem atingir até 90% do valor devido e a possibilidade de utilizar recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitar ou reduzir débitos.
Desde o seu lançamento, o Desenrola já beneficiou mais de 9 milhões de famílias, de acordo com o Ministério da Fazenda. As condições oferecidas incluem taxas de juros limitadas a 1,99% ao mês para os contratos que se enquadram nas regras do programa. Especialistas apontam que o programa representa uma oportunidade significativa para a reorganização financeira pessoal e familiar.
Utilizando o FGTS para quitar dívidas
Para aqueles que possuem saldo disponível no FGTS, a utilização desse recurso pode ser um diferencial importante na renegociação. O advogado especialista em Direito do Consumidor, Felipe Moreira, explica que o saldo pode ser empregado para abater o valor final da dívida negociada.
“Primeiro a pessoa negocia a dívida, chega ao valor final e depois pode utilizar o saldo do FGTS para fazer a quitação, até o limite do débito. Em muitos casos, quem utiliza o FGTS consegue condições ainda melhores, porque o banco recebe o pagamento à vista ou uma entrada maior.”
Moreira destaca que o uso do FGTS pode proporcionar um alívio financeiro imediato, permitindo que o consumidor organize melhor seu orçamento. “É um recurso que muitas pessoas só utilizariam em caso de demissão ou para compra de um imóvel. Ao usar esse saldo para quitar uma dívida, o consumidor consegue um respiro financeiro e reorganiza o orçamento.”
Como funciona a adesão ao Desenrola
O processo de adesão ao programa é simplificado. Segundo Felipe Moreira, o consumidor não precisa apresentar documentos específicos das dívidas para iniciar a negociação. Ao acessar os canais oficiais do governo ou das instituições financeiras participantes, os débitos elegíveis para renegociação já aparecem automaticamente.
“O consumidor faz o acesso com a conta Gov.br ou procura diretamente o banco. As dívidas disponíveis para o programa já são apresentadas, juntamente com as condições de negociação”, afirma o advogado.
Oportunidades de negociação adicional
Embora seja possível tentar negociar condições adicionais com a instituição financeira, especialistas indicam que o espaço para novos descontos pode ser limitado. O contato direto com um gerente pode, em alguns casos, abrir novas possibilidades, mas na maioria das situações, os bancos já oferecem o maior desconto disponível para aquele contrato específico.
Atenção às novas parcelas
Antes de fechar qualquer acordo de renegociação, Felipe Moreira recomenda uma análise criteriosa das novas condições. O ponto crucial é verificar se o valor das novas parcelas se encaixa de forma sustentável no orçamento familiar.
“O mais importante é verificar se as novas parcelas cabem no orçamento. Não adianta renegociar uma dívida e assumir um compromisso que também não será possível pagar.”
A adesão ao Desenrola pode ser realizada por meio dos canais oficiais das instituições financeiras habilitadas. A recomendação é que os consumidores comparem as ofertas e concluam a renegociação apenas quando tiverem certeza de que o novo acordo é compatível com sua realidade financeira.
