O mercado imobiliário corporativo brasileiro registrou recordes históricos de ocupação em escritórios de alto padrão e galpões logísticos no segundo trimestre de 2026. Dados recentes da consultoria internacional JLL indicam uma virada significativa, com a escassez de espaços disponíveis se tornando o novo desafio do setor.
Essa forte demanda tem impulsionado a valorização dos imóveis e favorecido proprietários e investidores. Em resumo, o cenário pós-pandemia, marcado pelo excesso de espaços vazios, parece ter ficado para trás, dando lugar a um mercado aquecido e competitivo.
Escritórios de alto padrão em São Paulo e Rio de Janeiro registram baixas taxas de vacância
Em São Paulo, a taxa de vacância para escritórios de padrão A ou superior, que engloba imóveis de localização privilegiada e com tecnologia avançada, atingiu 13,1%. Este índice é inferior aos níveis observados antes da pandemia, sinalizando uma recuperação robusta do setor na capital paulista.
A consultoria JLL aponta que, nas regiões mais valorizadas da cidade, como Faria Lima, Itaim Bibi e Paulista, não há mais lajes corporativas com mais de 10 mil metros quadrados disponíveis. Essa escassez é resultado de oito trimestres consecutivos com transações acima dessa metragem. O prédio Biosquare, por exemplo, terá todos os seus 39 mil metros quadrados ocupados pela Amazon.
O reflexo dessa alta ocupação é o aumento nos preços. O valor médio do aluguel por metro quadrado em São Paulo acumulou uma alta de 32,7% desde o primeiro trimestre de 2024, chegando a R$ 126, com picos de R$ 313. Em endereços como a Rebouças, a vacância já é zero.
No Rio de Janeiro, o cenário não é diferente. A taxa de vacância de escritórios de alto padrão caiu para 25,3% no segundo trimestre de 2026, a menor marca dos últimos 11 anos. O preço médio do aluguel na capital fluminense ficou em R$ 77 por metro quadrado, com valores na Orla subindo 29,3% em um ano.
Os dados confirmam que descontos e carências para atrair inquilinos, comuns durante a pandemia, perderam força. A alta demanda por espaços de qualidade agora favorece os proprietários.
Setor industrial e logístico atinge níveis históricos de ocupação
O segmento industrial e logístico também vive um momento de alta expressiva. A vacância média nacional está em 5,5%, com São Paulo registrando o menor índice já observado: 5%. Em Guarulhos, um polo logístico crucial, a taxa de vacância despencou para apenas 1%.
Esse crescimento notável ocorre em um mercado que praticamente dobrou de tamanho desde 2019, com uma expansão média de 12% ao ano. O movimento não se limita a São Paulo, impulsionando o protagonismo de estados como Santa Catarina e Pernambuco, que registraram alta absorção líquida.
Os principais motores desse aquecimento são as empresas de comércio eletrônico. O Mercado Livre e a Shopee, por exemplo, foram responsáveis por 33% das absorções no segundo trimestre de 2026 e ocuparão 1,1 milhão de metros quadrados em áreas pré-locadas para entrega no segundo semestre.
A lei da oferta e procura prevalece, com imóveis de qualidade cada vez mais disputados, o que abre espaço para renegociações e reajustes favoráveis aos donos dos imóveis.
Impacto positivo para proprietários e investidores
Os indicadores positivos no mercado imobiliário corporativo são reforçados por levantamentos de outras consultorias, como Cushman & Wakefield e Newmark, que também apontam para baixas taxas de vacância e valorização dos aluguéis. Para quem busca espaços para escritórios ou operações logísticas, a tarefa ficou mais desafiadora, com oferta restrita e preços em alta.
Em contrapartida, proprietários e gestores de imóveis corporativos não precisam mais recorrer a descontos agressivos. O cenário atual permite renegociações e reajustes de aluguéis, beneficiando os donos de imóveis de qualidade.
O movimento também se mostra vantajoso para investidores, incluindo aqueles em fundos imobiliários com participação em escritórios e galpões. Com maior ocupação e aluguéis em ascensão, esses ativos tendem a gerar mais receita, o que pode se traduzir em melhores retornos financeiros.
