Superquarta de decisões sobre juros nos EUA e Brasil movimenta mercados globais; prévia do PIB brasileiro é divulgada
Investidores direcionam suas atenções para a decisiva “superquarta”, dia em que os bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos anunciam suas políticas monetárias. O mercado opera em compasso de espera após pregão de cautela, com Ibovespa em queda, dólar em alta e realização de lucros nas bolsas americanas.
A expectativa predominante é de que o Federal Reserve (Fed) mantenha suas taxas de juros inalteradas. No cenário doméstico, os agentes financeiros acompanham a possibilidade de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, que atualmente se encontra em 14,5% ao ano. A análise dos sinais sobre os próximos passos da política monetária, em meio a incertezas fiscais, inflação persistente e alterações no cenário geopolítico internacional, será crucial para definir o rumo dos ativos.
A agenda econômica do dia começou com a divulgação de dados de inflação no Reino Unido, seguidos pela Zona do Euro. Essas métricas são acompanhadas de perto pelo mercado para avaliar os próximos movimentos do Banco da Inglaterra.
No Brasil, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de abril, considerado uma prévia do PIB, foi divulgado às 9h. Este indicador é visto como um termômetro do ritmo de crescimento do país. Em março, o índice apresentou queda de 0,67% na comparação mensal, mas registrou alta acumulada de 3,07% em relação ao ano anterior.
Nos Estados Unidos, as vendas no varejo de maio, divulgadas às 9h30, ofereceram pistas sobre o consumo das famílias em meio às taxas de juros elevadas. A agenda americana também incluiu a divulgação dos dados de vendas de moradias existentes e dos estoques semanais de petróleo.
O ponto alto do dia foi a decisão do Federal Reserve, às 15h, acompanhada da divulgação do Summary of Economic Projections (SEP) e do “dot plot”, que reúnem projeções dos dirigentes do banco central sobre inflação, crescimento, desemprego e juros. A coletiva de imprensa do presidente do Fed, Kevin Warsh, buscou fornecer mais clareza sobre os futuros movimentos da política monetária.
No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou suas decisões às 18h30. O consenso do mercado apontava para um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros.
O pregão de terça-feira, 16, foi marcado pela cautela. O Ibovespa fechou em queda de 0,45%, influenciado pela desvalorização do petróleo após avanços nas negociações para o fim do conflito no Oriente Médio, o que afetou as ações da Petrobras. O dólar avançou 0,39%, fechando a R$ 5,0867, refletindo o desempenho de moedas de países exportadores de commodities e preocupações com o cenário fiscal brasileiro.
Em Wall Street, o desempenho foi misto, com o Dow Jones renovando máximas históricas, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq recuaram, indicando realização de lucros em ações de tecnologia e reforçando o clima de expectativa pré-Fed.
O noticiário político e institucional no Brasil também esteve no radar dos investidores, com destaque para a retomada do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o Marco Civil da Internet, que discute a responsabilidade de plataformas digitais por conteúdos ilícitos.
