nova associação latino-americana lança plano ambicioso para inserir fundos imobiliários brasileiros no cenário global
A Latin America REITs Association (LAREAL) surge com o propósito de impulsionar a participação de capital estrangeiro no mercado de fundos imobiliários (FIIs) do Brasil e de toda a América Latina. A iniciativa visa a institucionalização do setor, traduzindo o funcionamento dos FIIs de tijolos brasileiros para a linguagem de Wall Street e promovendo maior clareza para investidores internacionais. A meta é superar a sub-representação do país em índices globais de real estate, atualmente ligada à falta de padronização e à dificuldade de compreensão do mercado local por parte dos estrangeiros.
Segundo projeções da própria LAREAL, a expansão da participação brasileira em benchmarks globais como o FTSE EPRA Nareit Emerging Index poderia elevar o peso do país para 13,45%, alcançando um market cap de US$ 25,5 bilhões. Essa maior representatividade é estimada como um caminho para atrair um fluxo adicional de aproximadamente US$ 12 bilhões em capital estrangeiro para os fundos imobiliários brasileiros, conforme divulgado pela entidade.
O presidente da LAREAL, Potyguara Camargo, detalhou em entrevista os bastidores do plano da associação para aproximar os FIIs brasileiros de investidores internacionais. Ele destacou que a fundação da entidade surgiu a partir da observação de uma lacuna no mercado, onde investidores institucionais demonstravam dificuldade em compreender o funcionamento dos FIIs.
“Diferentemente do que a gente imaginava, a objeção dos grandes players não era em relação ao tamanho do mercado ou à liquidez. Era muito mais voltado para o fato de eles não terem alguém dedicado ao estudo e à análise desse produto”, explicou Camargo.
Camargo relatou ter ouvido de grandes players do mercado a afirmação de que não compreendiam o setor, preferindo assim não investir em FIIs no momento. Ele, contudo, tem uma visão distinta, considerando os fundos imobiliários ainda incipientes e acreditando que a entrada de capital estrangeiro gerará um ciclo virtuoso.
“A entrada desses investidores fará com que exista uma pressão de preço, um aumento de liquidez e um aumento de passivo. Tudo isso gera um ciclo virtuoso para os FIIs, que impulsiona um momento positivo no médio a longo prazo”, comentou o presidente da LAREAL.
A LAREAL pretende atuar em três frentes principais: relacionamento, dados e defesa do mercado de FIIs. A associação visa conectar investidores e promover o contato direto entre diferentes perfis para destravar oportunidades de alocação. Além disso, funcionará como uma vitrine do setor, oferecendo análises aprofundadas, relatórios de fluxo e materiais técnicos para auxiliar na tomada de decisão dos investidores com uma base de dados robusta e até então de difícil acesso.
A entidade também auxiliará os FIIs a se adaptarem às metodologias internacionais, buscando padronizar a indústria para que investidores estrangeiros possam comparar fundos brasileiros com veículos globais, como os REITs americanos. A ambição é unificar a voz da indústria e padronizar informações, permitindo que um investidor em Nova York ou Londres possa analisar um FII de logística em Cajamar (SP) da mesma forma que analisaria um REIT em Atlanta.
A LAREAL já foi aprovada como membro da Global REIT Alliance (GRA), integrando uma das 24 cadeiras globais ao lado de organizações como a NAREIT (EUA) e a EPRA (Europa). A associação também representará o setor na REITweek, em Nova York. A estratégia inclui a participação e promoção de eventos para aumentar a visibilidade dos produtos imobiliários da região e ampliar o diálogo com reguladores.
Apesar de o foco inicial serem os fundos de tijolo, por serem mais comparáveis a veículos internacionais, a ambição da LAREAL é abranger toda a indústria de fundos imobiliários. “Não se trata apenas de atrair capital profissional. A agenda é mais ampla: institucionalizar o setor. Isso envolve dados, padrões, governança, educação de mercado, liquidez e uma representação capaz de dialogar em nome de uma indústria, e não apenas de casas individuais”, afirmou Camargo.
A meta da associação é alcançar 45 fundos membros ainda no primeiro ano. Para o investidor pessoa física, a expectativa é de benefícios com a valorização das cotas e democratização do acesso a dados anteriormente restritos a grandes players. “A ideia é que a gente poste diversos relatórios grátis, notícias e informações de fluxo que normalmente só chegam ao institucional. Como somos uma associação sem fins lucrativos, não teria por que ficarmos guardando o ouro”, concluiu o presidente.
