Condomínio no bairro mais caro do Brasil supera o Leblon em 54%, aponta levantamento da Loft

Onde o luxo de Helena de Manoel Carlos não alcança o bolso

O nome Helena, eternizado nas novelas de Manoel Carlos, tornou-se um ícone de luxo e sofisticação associado ao bairro do Leblon, no Rio de Janeiro. Contudo, um levantamento recente da Loft revela que, na vida real, o Leblon está longe de ostentar as taxas de condomínio mais elevadas do país. O título de bairro com o condomínio mais caro do Brasil pertence ao Jardim Europa, em São Paulo, onde o valor médio é 54% superior ao do bairro carioca.

A pesquisa, que analisou 547 mil anúncios residenciais entre janeiro e abril de 2026, mostra que o Jardim Europa registra uma taxa média de condomínio de R$ 3.085, enquanto o Leblon alcança R$ 2.005, ocupando a 14ª posição no ranking nacional. Essa disparidade de custos reflete as diferentes realidades do mercado imobiliário de luxo nas duas metrópoles.

Jardim Europa lidera ranking de condomínios mais caros

O levantamento da Loft destaca o Jardim Europa como o epicentro dos custos de condomínio no Brasil. O bairro paulistano não só supera o Leblon em 54%, mas também apresenta um tíquete médio de imóveis significativamente mais alto, atingindo R$ 7,45 milhões, em contraste com os R$ 3,15 milhões do bairro carioca.

Essa concentração de bairros com condomínios elevados em São Paulo não é um acaso. Dos 20 bairros com os valores mais altos do país, metade está localizada na capital paulista. Isso demonstra a força do mercado imobiliário de luxo na cidade e a valorização dos serviços e infraestrutura oferecidos nesses condomínios.

São Paulo como um todo registra alta nos condomínios

A tendência de encarecimento não se restringe a poucos bairros nobres. A cidade de São Paulo, em geral, experimentou um aumento de 9% na taxa média de condomínio no primeiro quadrimestre de 2026, quando comparado ao mesmo período do ano anterior. O valor médio mensal na capital atingiu R$ 1.100.

Fábio Takahashi, gerente de dados da Loft, explica que o condomínio é um custo fixo considerável e tende a crescer acima da inflação em cenários de pressão sobre custos de manutenção, segurança e serviços. Ele ressalta que, em São Paulo, essa dinâmica é ainda mais acentuada devido à concentração de empreendimentos de médio e alto padrão.

Outros bairros de luxo e suas taxas de condomínio

Além do Jardim Europa, que registrou uma alta de 13% em sua taxa de condomínio em um ano, outros bairros paulistanos figuram entre os mais caros. Higienópolis, em 3º lugar, e Jardim América, em 4º, cobram, em média, R$ 2.740 e R$ 2.500 mensais, respectivamente.

Regiões tradicionais e de altíssimo padrão, como Vila Nova Conceição, Itaim Bibi, Morumbi, Jardim Paulistano e Paraíso, também integram a lista. Esses locais geralmente oferecem imóveis de maior metragem, valores elevados e infraestrutura completa, fatores que impactam diretamente o custo do condomínio.

Altas percentuais expressivas em outros bairros

O levantamento da Loft também revela que os maiores aumentos percentuais nos condomínios não se concentram apenas nas áreas mais elitizadas. A Vila Formosa lidera esse quesito, com um expressivo aumento de 90% em um ano, saltando de R$ 500 para R$ 950. Em seguida, Vila Maria e Alto de Pinheiros registraram aumentos de 57% cada.

Ainda que o foco tenha sido o aumento percentual, o bairro de Alto de Pinheiros se destaca por apresentar o condomínio médio mais caro entre os que tiveram maiores altas, com R$ 1.900. Vila Prudente e Capão Redondo também chamaram atenção com elevações de 43%.

Takahashi observa que esses aumentos podem refletir mudanças na composição dos anúncios, como a inclusão de novos empreendimentos, especialmente condomínios-clube, que podem elevar a média de custos mesmo em áreas com valores finais ainda relativamente acessíveis.

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