Mercado imobiliário se divide entre crédito e alto padrão com lógicas distintas aponta especialista da UE no Brasil
O mercado imobiliário é composto por segmentos com dinâmicas de operação marcadamente diferentes. Maurizio Cellini, chefe da seção comercial da Delegação da União Europeia no Brasil, destacou essa divisão, que separa as operações ligadas a financiamentos e políticas habitacionais das que envolvem o alto padrão.
Para Cellini, uma parcela significativa do mercado está diretamente influenciada pelo acesso ao crédito, pela renda mensal dos compradores e por programas governamentais que visam facilitar a aquisição de moradias. Essa vertente segue um roteiro mais ligado à capacidade de pagamento e às políticas de fomento.
Em contrapartida, o segmento de alto padrão opera sob uma lógica distinta. Este nicho é mais sensível a fatores como a escassez de empreendimentos, o valor intrínseco do ativo imobiliário e a solidez e qualidade do projeto arquitetônico e construtivo.
“O comprador deste perfil não está apenas escolhendo um imóvel, ele está tomando uma decisão patrimonial de longo prazo.”
Essa avaliação sublinha que o adquirente de imóveis de luxo não foca apenas na residência, mas sim na consolidação de um patrimônio. A aquisição é percebida como um investimento estratégico com horizontes temporais extensos, onde a valorização e a preservação do capital são prioridades.
Diferentemente do mercado voltado ao crédito, onde a capacidade de financiamento é o principal motor, o alto padrão é impulsionado pela oferta limitada, pela percepção de valorização do ativo e pela excelência do desenvolvimento do projeto. Essa diferenciação é crucial para entender as estratégias de investimento e desenvolvimento no setor imobiliário.
