Por que 2026 pode ser um bom ano para comprar imóvel: riscos e oportunidades para compradores

O mercado imobiliário brasileiro está em um momento de análise e projeções para o futuro. Enquanto alguns fatores indicam um cenário promissor para quem deseja adquirir um imóvel em 2026, outros pontos de atenção merecem ser considerados. A possibilidade de queda na taxa Selic, mudanças no comportamento do consumidor e a consolidação de programas habitacionais são alguns dos elementos que moldam as expectativas. Mas será que 2026 realmente se consolidará como um ano oportuno para comprar a casa própria? Analisando os riscos e as tendências, podemos traçar um panorama mais claro.

A decisão de comprar um imóvel é uma das mais significativas na vida de uma pessoa, e entender o contexto econômico e de mercado é fundamental. Em 2026, diversos indicadores apontam para um ambiente potencialmente favorável para compradores, impulsionado por expectativas de juros mais baixos e um setor que demonstra resiliência. No entanto, como em qualquer investimento de grande porte, riscos e desafios persistem e podem influenciar o ritmo e o resultado dessa aquisição.

O cenário econômico e suas influências no mercado imobiliário em 2026

A perspectiva de uma eventual queda na taxa Selic é um dos fatores mais aguardados por especialistas e potenciais compradores. Historicamente, a redução dos juros impacta diretamente o acesso ao crédito imobiliário, tornando os financiamentos mais acessíveis e atraentes. Isso, por sua vez, tende a estimular a demanda. Como aponta o economista Bruno Perri, em entrevista para o Registro de Imóveis do Brasil, a possibilidade de recuo da Selic pode permitir a portabilidade da dívida no futuro, agregando mais um benefício para quem se planeja.

Contudo, há quem defenda que esperar a queda da Selic pode não ser a estratégia ideal. O planejador financeiro Jeff Patzlaff, também citado pelo Registro de Imóveis do Brasil, argumenta que, quando os juros caem, os imóveis tendem a valorizar. A lógica é que mais pessoas conseguem crédito, a demanda aumenta e os vendedores elevam os preços, o que pode anular a vantagem esperada na compra.

Apesar da relação direta entre Selic e crédito imobiliário, um relatório do Santander, divulgado pela Folha de S. Paulo, indicou que os juros elevados não impactaram significativamente a demanda em segmentos específicos. O programa Minha Casa, Minha Vida, que não sofre influência direta da Selic e foi recentemente ampliado pelo Governo Federal, e o segmento de altíssimo padrão, mais resiliente a flutuações econômicas, demonstraram força contínua.

O desempenho do setor e a resiliência em 2025

O setor imobiliário demonstrou uma notável capacidade de adaptação e crescimento em 2025, mesmo em um cenário de juros altos e incertezas econômicas globais. O desempenho na Bolsa de Valores foi um termômetro dessa força, com o índice que reúne empresas do setor apresentando uma alta acumulada expressiva de 73,5%. Empresas líderes em segmentos específicos, como a JHFS no alto padrão, registraram valorizações ainda maiores, ultrapassando os 131%. Outras incorporadoras como Trisul, Cury, Tenda e Cyrela também apresentaram resultados robustos, evidenciando a solidez do mercado.

Essa resiliência foi destacada em um artigo de Leonardo Schneider, vice-presidente do Secovi-Rio, publicado no portal Imobi Report. Ele aponta para o aumento do valor máximo dos imóveis financiáveis pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH), novos modelos de condomínios com foco em áreas de lazer compartilhadas e soluções sustentáveis, e a crescente busca por unidades mais compactas como tendências para 2026. Schneider sugere que a combinação de ajustes regulatórios, maior confiança do consumidor e a evolução dos modelos de moradia pode inaugurar um novo ciclo de crescimento para o setor.

No entanto, o Secovi-SP também levanta pontos de atenção para 2026. A volatilidade nos custos de materiais de construção e a escassez de mão de obra são desafios operacionais que podem comprometer prazos e orçamentos. Além disso, o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), que passará por um período de transição, exige observação cuidadosa.

Tendências e expectativas para o mercado imobiliário em 2026

A Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), em um webinar realizado em novembro de 2025, apresentou dez tendências para o mercado imobiliário em 2026, com base em pesquisa realizada em conjunto com o Grupo Brain. Essas tendências refletem mudanças no perfil do consumidor e nas dinâmicas do setor:

  • Inflação em queda e dólar mais fraco, com posterior redução da taxa de juros.
  • Crescimento estimado do PIB em 1,5%, mas com volatilidade política devido a eleições, podendo frear lançamentos, enquanto o mercado segue aquecido pela baixa ocupação e alta intenção de compra.
  • Manutenção da força do programa Minha Casa, Minha Vida em todas as faixas de renda.
  • A reforma tributária pode antecipar decisões de compra, com perspectivas positivas para imóveis de investimento e de baixo valor.
  • Aumento da taxa de locação e de aluguéis, devido ao descompasso entre preço de venda e renda familiar nas capitais, impulsionando a demanda por permanência de longo prazo e a substituição do parque hoteleiro mais antigo pela locação de curto prazo.
  • Menor metragem em imóveis de luxo e superluxo, mas com maior qualidade geral do projeto e ênfase na localização.
  • Potencial de maior margem de negociação em valores ou condições de terrenos.
  • Forte procura pelo mercado de capitais, com empresas menos organizadas reduzindo ou descontinuando atividades.
  • Crescimento de projetos entre marcas em segmentos altos, visando diferenciação e entrada em nichos pouco explorados, como o voltado para pessoas mais velhas.
  • A ativação de negócios ou manutenção do ritmo atual dependerá do resultado das eleições, sem concentração de negócios no último trimestre do ano.

Mudanças demográficas também moldam o mercado. A Geração Z, jovens entre 21 e 28 anos, lidera o apetite por moradia, com uma intenção de compra de 56%, contrariando a ideia de que apenas desejam morar de aluguel. Fábio Tadeu Araújo, CEO da Brain, desmistifica essa percepção, afirmando que os jovens desejam melhorar de vida e que a dificuldade de compra não diminui a vontade de possuir um imóvel. A pesquisa, divulgada pela CNN Brasil, também revela que a maior dificuldade para pessoas de 22 a 44 anos é o valor da entrada, enquanto para os mais velhos (45 a 79 anos), a instabilidade econômica é o principal receio.

Além disso, 56% dos consumidores estão dispostos a pagar mais por um imóvel mais sustentável, indicando uma valorização crescente das preocupações ambientais. O estudo também aponta um aumento na proporção de pessoas que moram de aluguel (27% entre 2010 e 2022), embora a modalidade ainda seja vista com ressalvas por uma parcela significativa da população jovem.

Oportunidades para compradores em 2026

O cenário em 2026 apresenta diversas oportunidades para quem deseja adquirir um imóvel. A possibilidade de descontos por parte das incorporadoras, motivada pelo desaquecimento da demanda em um cenário de juros ainda considerados elevados, pode ser um diferencial. Bruno Perri, citado pelo Registro de Imóveis do Brasil, sugere que essa pressão pode favorecer os compradores.

O desempenho recorde do mercado financeiro, com o Ibovespa em patamares históricos, também contribui para o otimismo. O chamado “efeito riqueza” incentiva investidores a realizarem lucros na bolsa para reinvestir em imóveis, buscando segurança e ganho real. A compra de imóveis para investimento (aluguel ou revenda) representou 26% das aquisições no 4º trimestre de 2025, um aumento significativo em relação ao ano anterior, conforme dados da Brain Inteligência Estratégica.

A valorização real do metro quadrado em São Paulo, que superou a inflação no último trimestre de 2025, é outro indicativo de que o imóvel pode ser um bom refúgio e investimento. A expectativa é que essa tendência de ganho real se mantenha, tornando o setor imobiliário competitivo em relação à renda fixa, que está em trajetória de queda. Elcilio Brito, do Grupo BSJ, observa um aumento no interesse de investidores estrangeiros pelo mercado imobiliário brasileiro, o que pode impulsionar ainda mais a demanda e os valores.

Riscos e desafios a serem considerados

Apesar das perspectivas positivas, é crucial estar ciente dos riscos. A reforma tributária, embora possa antecipar decisões de compra para alguns, ainda gera incertezas. Outro ponto de atenção é a possível alteração na jornada de trabalho 6×1. A PEC que propõe a redução da jornada semanal de 44 para 36 horas, caso concretizada, pode elevar significativamente os custos de mão de obra na construção civil. Segundo Luiz França, presidente da Abrainc, esse aumento pode ser repassado aos consumidores finais, impactando os preços dos imóveis.

O programa Minha Casa, Minha Vida, que representa uma fatia importante do mercado, também enfrenta desafios. Com o potencial aumento nos custos de construção, a capacidade de pagamento das famílias de baixa renda pode ser afetada, levando a um aumento nas prestações. A volatilidade dos custos de materiais de construção e a escassez de mão de obra, mencionados pelo Secovi-SP, são outros fatores que podem gerar imprevistos e aumentar os custos operacionais para as construtoras.

A instabilidade econômica global e o cenário político interno, com eleições em 2026, podem gerar maior volatilidade no mercado. Embora a previsão seja de um crescimento de 1,5% para o PIB, a disputa política pode influenciar a confiança de investidores e consumidores, impactando o ritmo dos lançamentos e o volume de negócios. A CNN Brasil aponta que, se não surgirem “tempestades imprevistas”, 2026 tem potencial para ser um ano de consolidação e crescimento recorde, mas a cautela é indispensável.

Conclusão: 2026 é um bom ano para comprar imóvel?

Em suma, 2026 apresenta um cenário complexo, mas com oportunidades claras para quem deseja comprar um imóvel. A expectativa de queda nos juros, a resiliência demonstrada pelo setor em 2025, o interesse crescente dos jovens pelo bem próprio e o potencial de valorização real dos imóveis são fatores que pesam a favor dos compradores.

Por outro lado, os riscos relacionados ao aumento dos custos de construção devido a mudanças trabalhistas, a volatilidade de insumos, a instabilidade econômica e política, e a necessidade de atenção ao programa Minha Casa, Minha Vida, exigem planejamento e cautela. A decisão de compra em 2026 dependerá, portanto, de uma análise individualizada, considerando o perfil de risco, a capacidade financeira e os objetivos de longo prazo de cada comprador. O mercado pode oferecer boas condições, mas a pesquisa aprofundada e a assessoria especializada continuam sendo essenciais para navegar neste cenário.

Fontes

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