Como o impacto no saldo devedor responde se vale a pena amortizar financiamento imobiliário

Decidir se vale a pena amortizar um financiamento imobiliário pode gerar dúvidas, especialmente quando se tem um montante extra em mãos. A resposta para essa pergunta reside na análise do impacto que essa amortização terá no seu saldo devedor e, consequentemente, no custo total da sua dívida. Entender como a redução do saldo impacta os juros e o prazo restantes é fundamental para tomar a decisão financeira mais acertada para o seu bolso.

Em termos práticos, amortizar significa pagar parte do valor principal da dívida antes do vencimento das parcelas. Essa ação tem o poder de diminuir tanto o saldo devedor quanto os juros futuros, mas a magnitude desse benefício depende de uma série de fatores. Avaliar se o dinheiro empregado na amortização não renderia mais em outras aplicações é o cerne da questão.

Entendendo o impacto da amortização no saldo devedor

O financiamento imobiliário, especialmente quando utiliza o Sistema de Amortização Constante (SAC), funciona com base em juros calculados sobre o saldo devedor. Isso significa que, quanto menor o saldo, menores serão os juros cobrados nas parcelas futuras. Ao amortizar, você está atacando diretamente esse saldo, o que gera um efeito cascata positivo.

Imagine que você tem um saldo devedor de R$ 54.829,82 em um financiamento com taxa de juros anual de 6,55% e sistema SAC. Se você optar por amortizar R$ 20 mil desse valor, o saldo devedor cairá para R$ 34.829,82. Essa redução impacta diretamente o cálculo das próximas parcelas e o tempo restante para quitar a dívida.

De acordo com Rodnei Larangeira Junior, Planejador Financeiro Certificado pelo IBCPF, ao amortizar R$ 20 mil e manter o valor da prestação atual, o prazo do financiamento pode diminuir significativamente. No exemplo citado na pesquisa do InfoMoney, o prazo restante de 300 meses (após 44 prestações pagas) cairia para cerca de 100 meses. Isso representa uma economia substancial de 200 meses, ou seja, mais de 16 anos de pagamento eliminados.

Amortizar para reduzir a parcela ou o prazo?

Ao realizar uma amortização, você geralmente tem duas opções: reduzir o valor da parcela mensal ou diminuir o prazo total do financiamento. Ambas as escolhas trazem benefícios, mas com focos diferentes. A decisão ideal dependerá do seu planejamento financeiro pessoal e das suas prioridades.

Optar pela redução da parcela permite um alívio imediato no seu orçamento mensal. No mesmo exemplo da pesquisa, manter o prazo restante e amortizar R$ 20 mil resultaria em uma redução da parcela para aproximadamente R$ 310,00. Isso pode liberar um fluxo de caixa que pode ser direcionado para outros investimentos ou para cobrir despesas do dia a dia.

Por outro lado, reduzir o prazo significa quitar o financiamento mais rapidamente. Como visto anteriormente, essa opção pode eliminar muitos anos de pagamento, gerando uma economia de juros ainda maior a longo prazo. Para quem busca a quitação total da dívida como prioridade e não sente aperto no orçamento, essa pode ser a escolha mais vantajosa.

Quando vale a pena investir em vez de amortizar?

A tentação de quitar uma dívida pode ser grande, mas em certos cenários, pode ser mais vantajoso investir o dinheiro extra em vez de utilizá-lo para amortizar o financiamento. A chave para essa decisão está em comparar a taxa de juros do seu financiamento com o potencial de retorno de outros investimentos.

Atualmente, as taxas de juros para financiamentos imobiliários podem variar, mas o custo efetivo total (CET) é o que realmente importa. Se o seu financiamento possui uma taxa de juros relativamente baixa em comparação com as oportunidades de investimento disponíveis no mercado, pode ser mais inteligente fazer o dinheiro trabalhar para você.

Conforme aponta Rodnei Larangeira Junior no InfoMoney, se o valor atual da parcela não afeta o seu orçamento, vale mais a pena deixar o recurso investido. Isso é particularmente verdadeiro quando as taxas de juros de investimentos pós-fixados, como Letras Financeiras do Tesouro (LFT) ou CDBs que rendem perto de 100% do CDI, superam o custo efetivo total do seu financiamento.

Por exemplo, se o seu financiamento tem uma taxa efetiva anual de 7% e você consegue um investimento que rende 10% ao ano (líquido), a diferença de 3% ao ano a seu favor pode ser significativa ao longo do tempo. Nesse caso, o dinheiro investido geraria mais rendimento do que a economia obtida com a amortização.

O custo efetivo total (CET) é seu guia

O Custo Efetivo Total (CET) de um financiamento engloba não apenas a taxa de juros nominal, mas também todas as taxas, seguros e encargos envolvidos. É crucial entender o CET para ter uma visão real do custo do seu crédito.

Se o seu CET for consideravelmente mais baixo do que os retornos líquidos que você pode obter em investimentos conservadores e de baixo risco, a escolha de investir pode ser mais prudente. No entanto, se o CET for alto, a amortização se torna uma opção muito mais atrativa, pois a economia gerada será substancial.

Amortização inteligente: o segredo do financiamento imobiliário

A especialista em crédito Débora Pezzotti destaca que o grande segredo do financiamento imobiliário é, de fato, saber amortizar. Ela ressalta que a maioria dos financiamentos de longo prazo, como os de 35 anos, são quitados em um período muito menor, geralmente entre 7 a 12 anos. Isso ocorre porque as pessoas tendem a fazer amortizações assim que têm a oportunidade.

A lógica por trás disso é simples: os juros são o maior inimigo de quem financia um imóvel. Como mencionado no artigo do Spimóvel, os primeiros anos de um financiamento são os que mais concentram o pagamento de juros. Ao amortizar, você reduz o saldo devedor, e consequentemente, o montante total de juros a serem pagos ao longo da vida do empréstimo.

A amortização, segundo Pezzotti, é sempre sobre o saldo devedor. Se você deve R$ 100 mil e paga R$ 10 mil de amortização, seu saldo devedor recalculará para R$ 90 mil. Esse processo, combinado com a escolha de reduzir a parcela ou o prazo, acelera a quitação e economiza dinheiro.

Planejamento financeiro e disciplina

Para que a amortização seja realmente eficaz, ela deve estar integrada a um bom planejamento financeiro. Isso envolve não apenas ter um montante extra para amortizar, mas também ter disciplina para criar um orçamento, identificar oportunidades de economia e destinar esses recursos para o pagamento da dívida.

Bônus salariais, heranças inesperadas ou qualquer outra entrada de dinheiro extra podem ser estrategicamente direcionados para a amortização. Essa prática contínua acelera a redução do saldo devedor e maximiza a economia em juros. O grande segredo, portanto, reside em entender o impacto financeiro da amortização e em utilizá-la como uma ferramenta para alcançar a liberdade financeira mais rapidamente.

Conclusão: amortizar ou investir, uma decisão calculada

A decisão de amortizar um financiamento imobiliário ou investir o dinheiro extra é pessoal e deve ser baseada em cálculos claros e nas suas metas financeiras. Analisar o impacto direto no saldo devedor, as opções de redução de parcela ou prazo, e comparar o custo do financiamento com o potencial de retorno de investimentos são passos cruciais.

Se o seu financiamento possui taxas de juros elevadas, amortizar pode ser a melhor estratégia para economizar a longo prazo. Por outro lado, se você encontra investimentos com retornos líquidos superiores ao CET do seu financiamento e sua parcela não compromete o orçamento, investir pode ser o caminho mais rentável. Em suma, a amortização é um poderoso aliado na jornada para a quitação do imóvel, mas sua aplicação deve ser sempre pautada por um planejamento financeiro inteligente e bem executado.

Fontes

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