Aluguéis comerciais registram alta expressiva e superam a inflação
O mercado de imóveis comerciais no Brasil demonstra forte resiliência, com uma valorização significativa nos aluguéis que, em 12 meses, superou os índices de inflação nacional. Segundo o levantamento de junho de 2026 do Índice FipeZap comercial, que abrange salas e conjuntos de até 200 metros quadrados em dez cidades do país, os aluguéis acumulados nesse período registraram um aumento de 11,49%. Este percentual se destaca quando comparado à inflação oficial, medida pelo IPCA, que ficou em 4,64%, e pelo IGP-M, em 3,16%.
Esse cenário de aquecimento na locação contrasta com o mercado de venda, cujos preços apresentaram uma ascensão mais modesta. Em 12 meses, as vendas cresceram apenas 2,14%, evidenciando um interesse maior dos investidores em alugar imóveis comerciais no momento. Os dados são um reflexo da parceria entre a Fipe e o Grupo OLX (com marcas como Zap, Viva Real e OLX).
Desempenho dos aluguéis e comparação com a inflação
No primeiro semestre de 2026, os preços de locação de imóveis comerciais já haviam avançado 6,82%. Em junho, a alta média mensal foi de 1,38%, mesmo diante de uma estabilidade nos preços gerais, com o IPCA registrando 0,16% e o IGP-M uma queda de 0,50%. A valorização dos aluguéis comerciais, portanto, oferece um ganho real para proprietários e investidores.
A consultora Mariangela Silva, economista do Grupo OLX, ressalta a dinâmica atual do mercado. “Os preços de locação estão em forte aceleração, acumulando alta de 6,82% no primeiro semestre e 11,49% nos últimos 12 meses. Em contrapartida, os preços de venda estão praticamente estagnados, com alta de apenas 1,27% no semestre e 2,14% nos últimos 12 meses”, explica Silva.
“Neste momento, a locação dos imóveis comerciais tem sido vantajosa, com a média gerando ganho real frente à inflação, uma vez que a rental yield é de 7,56% ao ano”, afirma Silva.
Variações regionais e cidades com maior destaque
As cidades monitoradas pelo Índice FipeZap comercial apresentaram diferentes desempenhos. Brasília liderou o crescimento mensal em junho, com uma alta de 5,32%, revertendo variações anteriores mais contidas. Já o Rio de Janeiro consolidou sua recuperação, apresentando a maior valorização nacional nos últimos 12 meses, com impressionantes 20,80% de aumento nos aluguéis.
Apenas Florianópolis registrou queda nos preços em junho, diminuindo 0,85%. No entanto, as diferenças regionais de preços médios de venda e locação permanecem significativas. O valor médio de venda por metro quadrado foi de R$ 8.774, enquanto o aluguel médio ficou em R$ 53,37 por metro quadrado.
São Paulo lidera em valores médios de venda e locação
São Paulo continua a ser a cidade com os maiores valores, especialmente em bairros corporativos como Itaim Bibi, que lidera os preços de venda a R$ 13.530 por metro quadrado, seguido por Pinheiros (R$ 13.045) e Jardins (R$ 12.465). No mercado de aluguéis, o Itaim Bibi também se destaca, atingindo R$ 98,48 por metro quadrado, com a Vila Olímpia em segundo lugar (R$ 94,60).
Na capital paulista, o acumulado de 12 meses para locação foi de 8,22%, enquanto a venda subiu 2,01%. Outras cidades como Curitiba (R$ 9.202 por m²) e Florianópolis (R$ 9.135 por m²) também figuram entre as mais valorizadas em venda. Porto Alegre apresenta os menores preços, com R$ 6.392 para venda e R$ 34,79 para locação por metro quadrado.
Rental yield: um indicador de atratividade de investimento
O rental yield, que relaciona o valor do aluguel anual com o preço médio de venda de um imóvel, é um indicador chave para medir a atratividade de um investimento no mercado imobiliário comercial. Segundo Mariangela Silva, “o cálculo é simples. Basta dividir o valor de 1 ano de aluguel pelo preço médio de venda do imóvel. O resultado será a porcentagem que a propriedade rende por ano”.
Salvador se destaca nesse quesito, apresentando a maior rentabilidade do país, de 11,43% ao ano. A cidade combina um baixo valor de aquisição (R$ 5.605 por m²) com aluguéis relativamente altos (R$ 53,98 por m²), resultando em uma atratividade notável para investidores. Essa rentabilidade supera a média do mercado residencial (6,13% ao ano), embora ainda seja influenciada pelas taxas de juros elevadas.
Considerações finais para proprietários e investidores
A economista Mariangela Silva conclui que tanto a locação quanto a venda de um imóvel, seja ele comercial ou residencial, podem ser fontes de rentabilidade. “Quando falamos da venda do imóvel, o principal fator de ganho é a valorização com o tempo. Por isso, o momento ideal para vender depende muito dos objetivos e possibilidades do proprietário”, finaliza a economista. Com os aluguéis comerciais em forte ascensão e superando a inflação, o mercado de locação se mostra uma oportunidade interessante no cenário atual.
