Em tempos de juros altos, especialista explica se vale mais a pena comprar um imóvel ou alugar
A decisão entre comprar um imóvel próprio ou optar pelo aluguel tem sido um dilema para muitos brasileiros, especialmente em 2026, mesmo com a taxa Selic em queda para 14,25%. O cenário econômico ainda exige cautela, e a pergunta que paira é: qual opção oferece menos desvantagens financeiras?
Segundo Pedro Ricardo Teixeira, especialista em mercado imobiliário e sócio-diretor da URBS Alpha Mall e URBS Imobi, a escolha transcende a análise puramente financeira. A decisão está intrinsecamente ligada ao momento de vida da pessoa, suas metas financeiras e o desejo de construir patrimônio ou ter mais flexibilidade geográfica.
O sonho da casa própria e a realidade financeira
A compra do imóvel próprio figura consistentemente entre os maiores sonhos dos brasileiros. Uma pesquisa do Datafolha no final de 2025 revelou que 93% dos entrevistados que viviam de aluguel almejavam a aquisição da casa própria. Para muitos, a compra de um imóvel, seja para moradia ou investimento, representa uma conquista pessoal e uma realização significativa.
“A pessoa quer ter o imóvel dela para falar que é dela, que ela conquistou aquilo, então tem esse fator envolvido também”, explica Teixeira, destacando o forte apelo emocional e de status associado à propriedade.
A polêmica dos juros no financiamento
A discussão sobre comprar ou alugar frequentemente se concentra na comparação entre os custos de um financiamento imobiliário e o valor do aluguel, com a possibilidade de investir a diferença no mercado financeiro. No entanto, o especialista ressalta que essa comparação pode não ser válida para todos os perfis.
“Essa discussão não se aplica a brasileiros de classe social mais baixa, que, muitas vezes, têm baixa capacidade de poupança”, afirma Teixeira. Ele também aponta que a valorização do imóvel, mesmo que a longo prazo, tende a superar as correções de um aluguel ou mesmo as taxas de juros de um financiamento.
“Por mais que tenha uma correção nas parcelas de financiamento, que tenha uma taxa de juros envolvida, ao mesmo tempo você também tem uma valorização desse imóvel. Mesmo que isso leve um longo prazo, no final, seu imóvel também valerá mais do que você pagou inicialmente. Já no aluguel, esse dinheiro investido não volta mais”, lembra o especialista.
O aluguel também tem seus custos
É importante notar que o aluguel também sofre correções anuais. Via de regra, o reajuste é feito pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), que também pode apresentar valores significativos. Assim, a opção pelo aluguel também envolve custos que precisam ser considerados.
Quando o aluguel faz mais sentido?
Apesar da força do sonho da casa própria, o aluguel se mostra vantajoso em situações específicas. Para pessoas que estão em transição de vida, como o início da carreira, o fim de um relacionamento, ou em início de uma nova união, o aluguel oferece a flexibilidade necessária.
“Por exemplo, uma pessoa que está começando a vida agora, ou que saiu de um relacionamento, ou que está entrando em um relacionamento, ou que tem uma profissão que exige uma mudança de cidade a curto prazo, por mais dinheiro que essa pessoa tenha para investir à vista, não dá pra ela sair comprando um imóvel a cada cidade que ela passar”, argumenta Teixeira.
Prós e contras de cada opção
Em resumo, a escolha entre comprar e alugar depende de uma análise multifacetada:
- Aluguel: Ideal para quem busca flexibilidade, não pretende fixar residência em um local por muito tempo ou está em fases de transição pessoal e profissional. Proporciona maior liberdade geográfica.
- Compra: Representa um investimento a longo prazo e a formação de patrimônio. Embora envolva o compromisso do financiamento e o risco de parcelas mais altas, a tendência é a valorização do imóvel ao longo do tempo, diferentemente do valor pago no aluguel.
A decisão final, portanto, deve alinhar objetivos de vida, estabilidade financeira e planos de futuro. O especialista Pedro Ricardo Teixeira, em sua análise para o Expresso 360, enfatiza que a melhor escolha é aquela que se adequa à realidade e aos planos de cada indivíduo.
