Apartamentos com grife de luxo: o prêmio de até 22% e os riscos ocultos do design que pode desvalorizar seu imóvel

Imóveis de grife no Brasil alcançam valorização de até 22% impulsionados por design e reputação, mas riscos espreitam

Empreendimentos imobiliários associados a arquitetos renomados, escritórios premiados e marcas de luxo, conhecidos como imóveis de grife, têm se tornado uma tendência no mercado brasileiro. Essa tendência pode resultar em uma valorização de até 22% no preço de venda e um prêmio de 5% a 7% em aluguéis, quando comparados a propriedades semelhantes. O fenômeno é impulsionado pela chamada arquitetura posicional, que mescla design e sinalização para agregar valor econômico.

A arquitetura posicional vai além da qualidade construtiva e funcionalidade, incorporando elementos como prêmios, reputação e reconhecimento de arquitetos e projetos. Essa estratégia tem sido percebida pelo setor como um meio eficaz para ampliar a demanda e sustentar preços mais elevados. Marcas de luxo como Faena, Four Seasons, Porsche, Armani e Fasano, além de projetos assinados por escritórios de renome internacional, exemplificam essa movimentação no país.

Estudos econômicos indicam que edifícios com assinaturas de prestígio ou que foram premiados tendem a apresentar valores de venda e aluguel superiores, além de menores taxas de vacância. Essa valorização se deve à percepção do imóvel não apenas como uma área construída, mas como um bem que agrega exclusividade, reputação e identidade ao proprietário. O consumidor, nesse cenário, adquire não apenas um espaço físico, mas também imagem, distinção e um senso de pertencimento.

No entanto, a capacidade de pagamento das classes de alta renda não é o único fator para o sucesso desses imóveis. O próprio desenho arquitetônico pode apresentar desafios para a liquidez do produto e para a manutenção do prêmio associado à arquitetura posicional. Uma pesquisa recente da Berlin School of Economics apontou que, embora imóveis de grife recebam notas médias mais altas, a variância nos resultados é considerável, indicando que as preferências dos consumidores não são consensuais.

Quanto mais heterogêneas forem as percepções dos consumidores, mais rapidamente o prêmio tende a diminuir, especialmente com o aumento da oferta de imóveis de luxo. No mercado de arquitetura posicional, a sustentação do valor está diretamente ligada ao grau de consenso entre os compradores sobre os atributos do imóvel. Em contraste, o mercado de imóveis convencionais, fora do nicho de luxo, tende a apresentar preferências mais homogêneas, onde a precificação opera de forma mais previsível.

Portanto, a produção de imóveis de grife exige uma compreensão aprofundada da demanda potencial, considerando a alta variância nas preferências dos consumidores. Essa abordagem se diferencia do mercado de arquitetura modular, onde imóveis podem ser vistos como um “ativo defensivo” para segmentos com orçamentos mais restritos e preferências mais homogêneas, tornando a estratégia comercial menos arriscada pela previsibilidade dos fatores que influenciam a disposição a pagar.

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